segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Como criar personagens de RPG: World of Darkness


Depois te tratar sobre a criação em jogos de D&D, que podem ser utilizados para muitas fantasias medievais, agora vamos para o cenário de terror. No universo criado pela White Wolf podemos ser - não heróis - os monstros. Vampiros, lobisomens, magos, fantasmas, demônios e até mesmo fadas. Apesar de ter um grande número coisas mais atuais nesse cenário, também podemos ver a história em períodos mais antigos em suplementos (Idade das Trevas, O Oeste Selvagem e A Cruzada dos Feiticeiros). Posso tratar isso separadamente.
E esse processo de criação serve tanto para Storyteller quanto para Storytelling.

Background:
*O que você era? - Mesmo quando o personagem não foi transformado - ou se alterou naturalmente - ele FOI algo ou alguém. Um exemplo são os mortais caçadores (mortais mesmo ou os de Hunter The Reckoning), que se transformaram nisso pois algo afetou seu passado. 
De qualquer forma, o jogador deve se perguntar, "o que meu personagem era antes." Um vampiro era um humano, um mago também. Mas cada um despertou seus poderes, habilidades e maldições de forma diferente. Enquanto os cainitas são transformados e tem sua vida alterada por alguém, os magos despertam um poder arcano, algo natural e mágico. Um é forçado, enquanto outro, podemos imaginar como o despertar puberdade para um homem ou mulher.
Já no caso de lobisomens é diferente. Existem mais de uma fonte de inspiração se pensarmos que temos: lupinos, impuros e humanos. O cara pode fazer algo novo e irreverente. Um lupino que descobriu poder se transformar em homem no Canadá, em meio a uma nevasca. 
Não conheço tanto de Caçador, Demônio, Aparição e Changelling. Mas esses jogos usam a mesma inspiração quase para criação de personagens: o protagonista foi alguém no passado, e algo mudou a vida dele. Pode ter acontecido naturalmente ou não, mas ocorreu. E agora é a hora de lidar com isso.
*O que você é? - Passando a primeira pergunta, pense agora. Independente de quem você foi, algo mudou. Talvez drasticamente!
Você é um ser sombrio, que só quer saciar sua fome e esta para perder tudo que tem, ou quem sabe encontre alívio junto daqueles admiradores do status quo. Talvez seu personagem seja como qualquer um, mas os tambores de uma vida passada, ou algo dentro de ti, se agita mais que seu próprio coração, podendo o tornar um guerreiro ancestral. As vezes a realidade esta sombria demais na sua vida. De qualquer forma como lida com tudo isso?
Quebra tudo como um brujah ou cria de fenris, além de um garra vermelha? É sinistro como um seguidor de set, giovanni ou - o símbolo máximo dos FDPs em vampiros -um ravnos? E mesmo entre outros seres como os senhores das sombras e eutanatos, existem os seres sombrios. Isso quando não podemos pensar em algo bem diferente de cada sistema como os malkavians ou fúrias negras. Cada qual com sua excentricidade. Que nos mostra um personagem único. Devido as vezes, por parte do grupo a que pertence (clã, tribo, augúrio, ordem, entre outros) alterando sua vida.
Ou seja, esse que você é hoje deve ser uma fusão do que foi, com uma alteração na sua vida. De forma que não deve controle.
*O que lhe motiva? - Da mesma forma que na criação de personagens em D&D, algo que lhe motiva seria seu sentido de vida. O que lhe motiva, as suas vontades. Com uma diferença: tecnicamente, essa nova vida é um tormento, ou então, esse sentimento surgiu de um conflito.
Só lembre-se: você não é um herói. Nem vilão. Você é só um cara tentando sobreviver em um mundo de trevas (literalmente), que pode lhe engolir (mais uma vez, literalmente). O mundo não é preto e branco, mas acredite, se alguém puder usar uma arma para te matar, mesmo que seja um taco de baseball, ELE VAI FAZER COM UM GRANDE SORRISO.
Você pode usar as motivações por exemplo de personagens de livros, histórias em quadrinhos ou filmes de criaturas.
De livros podemos aproveitar personagens como o de Drácula, O Retrato de Dorian Gray, Frankenstein, contos de Edgar Allan Poe ou H.P. Lovercraft. De histórias em quadrinhos, use os sobreviventes de The Walking Dead, os seres cósmicos criados por Neil Gaiman (ai saberá como muitas vezes um ser antigo vê "formigas"), até mesmo anti-heróis como Justiceiro ou Lobo. Não por ser algo pesado, mas por eles serem muitas vezes confusos. Como na realidade.
E filmes tem MUITAS referências. Mas um bom exemplo de terror bom nesse naipe estão Penny Dreadful (usando as criaturas das histórias vitorianas) ou Kindred The Embraced (baseado no jogo de Vampiro A Máscara).
*A regra de ouro também serve aos jogadores - Esta é a regra mais importante de todas, e a única que vale a pena seguir: Não existem regras. Este jogo deve ser tudo aquilo que você quer que ele seja (…) Se as regras neste livro interferirem com o seu prazer de jogar, mude-as. Pode parecer bobagem falar sobre isso, mas aqui poderá criar a história a seu bel prazer. Não estou falando em despirocar e fazer o que bem entender. Mas conhecendo o narrador, saber até onde ele lhe permite ir.
Meu primeiro jogo foi com amigos do meu primo, e como eu era mais novo, eles me limitavam e muito. Esse assunto posso tratar em outro post melhor, mas quando joguei em outras mesas, minha liberdade criativa foi liberada. E mesmo possuindo a regra de ouro não faço histórias absurdas. Eu crio histórias verossímeis, aonde a realidade é controlada por mim. Pire em suas histórias, mas se lembre: tente fazer algo bom, não apelativo. O Mundo das Trevas não é um jogo de evoluir de nível, mas sobrevivência.
Ficha:
*Escolha aquilo que quer - Seu personagem será um cara social, mental ou físico? Não pense em quantos pontos tem então. Pense em como ele é! De verdade. Um cara atlético, carismático, manipulador, ou de raciocínio rápido? Essas são as perguntas que deve fazer. Muitas vezes isso será auxiliado pelo grupo que faz parte (Brujahs e Garras Vermelhas são violentos, Uktenas e Tremeres são mais místicos, e por ai vai), mas nem sempre é tão fácil assim. 
Mas acima de tudo, lembre-se: os pontos iniciais não podem ser gastos a torto direito. Então, veja com calma o que quer fazer e se suas habilidades se combinam. Por exemplo, combinações de atributos e perícias. Ou até mesmo de perícias ou atributos com disciplinas. Existem muitas combinações.
*Seu grupo não define você - Só por ser toreador você tem que saber tudo de arte? Só por ser ventrue você tem que gastar em recursos? Por ser um lobisomem ou brujah você tem que gostar de briga? Não! O seu grupo (clã, tribo, ordem, ou qualquer outra coisa) não necessita comandar seu modo de pensar! 
Veja essa descrição e descubra de que clã esta tratando:
Você se comporta de maneira humilde, mas quando o perigo se apresenta assume uma postura audaz e encara o inimigo com ferocidade.
A descrição lhe pareceu com um clã envolvido em combates. Talvez um brujah, assamita ou até gangrel. Mas isso ai, que esta no Livro do Clã: Toreador se refere a esse clã: toreador! Um artista marcial. Sem contar cirurgião plástico, televangelista, guitarrista, entre outros. Não se limite a definição dos livros, pois dentro do seu grupo você pode sim diversificar.
*Lembre de fazer algo que tenha a ver com quem você é agora! - Naquela parte anterior em que falei "o que você é?"você definiu como age hoje em dia. Então, se você procura lidar com a sua besta, ou deixar que ela lhe domine, ou trata os mortais como iguais, ou quer enfrentar o mal que lhe transformou, ou quer voltar a ter sua humanidade, conquistar poder financeiro ou místico, é você que deve mexer na ficha de maneira mais ligada a isso. 
Então, se não souber o que colocar nos atributos e perícias, tente pensar no que colabora com isso. Um cara que quer se vingar de alguém pode ser uma pessoa manipuladora ou forte. Ou, por exemplo, o quanto a pessoa tem a ver com sua besta interior. Exemplo? Sendo uma pessoa mais gentil, tentar colocar mais pontos em sua Humanidade. Caso contrário, menos pontos. O mesmo vale para antecedentes ou virtudes. Em que pode determinar se seu personagem é consciente, controlado ou corajoso.
*Poder dentro desse mundo não é ter mais pontos - Como dito anteriormente, o Mundo das Trevas pode ser considerado um sistema de sobrevivência. Não um RPG em que se sobe nível, para ficar mais poderoso. Na verdade, as regras não favorecem a grande quantidade de pontos em uma ficha. Você pode ter muitos pontos em uma disciplina, ou gastar muito em defeitos... E isso só traz problemas no final. Use os pontos de defeitos e outras coisas com sabedoria, e para criar uma boa história. Não para lotar sua ficha. ISSO NÃO FAZ DIFERENÇA MESMO. 
Melhorar sua disciplina não significa entupir os pontos em fortitude, rapidez ou presença, mas muitas vezes aumentar um atributo ou perícia - como dito antes - para lhe preparar ao uso. E poder, como também foi escrito anteriormente, também pode ser muito além de poder. Mas sim como se usa o poder.

sábado, 30 de setembro de 2017

O que é arte?

Recentemente mais um caso de "preconceito a arte" ocorreu. Dessa vez no MAM. Em uma apresentação em São Paulo, um determinado artista ficou nu. Ele seria manipulado pelas pessoas. Seria uma comparação a uma peça de outra exposição, em que as pessoas podem manipular e mexer do modo que quiserem. Já estão vendo o problema não é? Quando uma criança interagiu com a "peça humana"... Isso causou um ENORME climão se é que me entende. Isso sem contar com as frases da mídia chamando tudo aquilo como "pornografia visual".
Tenho vários argumentos contra isso mas vamos primeiro com a comparação. Tempos atrás, uma amiga me pediu um desenho. Era uma foto de sua filha. Estava muito ruim a imagem. Eu tive que usar lupa para o desenho (sério, eu comprei uma lupa para desenhar a criança) e fiz o desenho HB e 6B. E só isso. Terminado ele, depois de quase três meses, e alguns dias, eu mandei a imagem escaneada. Já falando que o desenho estava ruim mesmo, pelo menos na minha visão. Quando a moça viu, não gostou. Mas ela disse algo que, para mim, foi horrível. Ela disse que meu desenho era uma caricatura! Esse desenho que estou postando era uma caricatura. Para você esse desenho é uma CARICATURA? Creio eu que não... Mas piora. Ela disse que parecia sim uma caricatura, já que ela era irmã de uma pessoa formada em artes... Pelo jeito conhecimento de artes plásticas se passa geneticamente em uma cadeia invisível não é? Eu não me importaria te falarem "ah Luis, seu desenho esta ruim", mas não que o que eu fiz estava indo em uma direção contrária do que eu fiz. Pois eu recebi críticas negativas sim, e tentei melhorar meu traço. Então, mostrei meu desenho as pessoas que entendem disso, incluindo um professor de artes, e todos me falaram a mesma coisa. Posso não ter ido bem ao sombrear o trabalho, mas aquilo não era uma caricatura nem aqui, nem em Marte! O que quero mostrar nessa parte? Pois muitas pessoas pensam que entendem de arte. Ou simplesmente, não refletem sobre o que esta acontecendo!
Agora, vejam esse exemplo: recentemente fiz mais um desenho para uma amiga de graça. Era dela grávida de uma maneira bela. Usei como referência uma foto dela. Tive todo um trabalho que me consumiu dois meses. E depois de tudo eu terminei. Fiquei contente. Parecia ela. Ela também achou. Eu não estava ligando para receber algo nesse caso, pois queria presentear uma pessoa que já sofreu muito. Mas se a felicidade dela seria alcançada! E eu consegui! E isso foi awesome! Pois ela respeitou meu trabalho.
Sendo que já fiz desenhos em que a pessoa me pediu para mudar várias vezes o mesmo desenho. Aqui postarei a imagem da Ana Cristina Ribeiro. Que me pediu para arrumar umas sete vezes no mínimo o trabalho.
Mas vamos mais a fundo nesse assunto. Desde que o homem é homem, ou melhor, um pouco depois disso, nós temos neuras com nossos corpos. Temos certos problemas de expressar nossa inconformidade com certas coisas. Especialmente com nossa sexualidade. Prova? Quantas pessoas tem a coragem de falar que broxaram? Quantas mulheres não se acham bonitas pois a mídia valoriza só as magricelas? Só ver que em muitos lugares como música, filmes e séries, eles valorizam mais a estética do que o talento das pessoas.
Literalmente, nós impedimos que outros tratem sobre sexo de forma verdadeira e franca, mas excitamos eles de outra forma. Complicado.
Vejam só, eu não sou formado em artes. Mas amo trabalhos de Van Gogh, Pablo Picasso e Salvador Dali. Pois me fazem pensar, e tratando sobre Picasso vamos falar de La Guernica. O pintor havia sido escolhido pelo governo espanhol para representar a Espanha na Exposição Internacional de Artes e Técnicas, que aconteceria em Paris. Quando o artista recebe a notícia do massacre ocorrido da cidade basca de Guernica, ele faz do desastre o tema de sua tela. O bombardeio aéreo à cidade foi feito por caças alemães em apoio ao general Francisco Franco. Atualmente está no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madrid na Espanha.
É isso que um artista faz. Ele se expressa. Não estou falando de pessoas colocando o dedo no cu um do outro. Mas sim de uma coisa que mostra como as pessoas tratam as pessoas como objeto, ou outra coisa. Vejam só! Nem fui no museu e já imaginei do que se trata ele! Eu pensei e refleti sobre isso!
Sobre nudez... Vejam só! Eu fiz desenhos de homens e mulheres quase nus ou completamente. Pois queria expressar algo com eles. Ou só fui desafiado a fazer isso. Eu não fiz uma grávida quase nua por nenhuma intenção pesada. Eu só queria desenhar caramba!
E só um detalhe: nessa exposição no MAM, foi falado o que teria e um responsável (seja pai ou mãe, ou qualquer outro) levou a criança! Não foi o artista o culpado. Nem o museu. É como deixar uma criança livre para mexer na internet e reclamar dela procurar por coisas ilícitas. Lembrando que na cidade de Santa Isabel já tivemos artistas que usaram do "nu".

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Como criar personagens de RPG: jogadores de Dungeons & Dragons

Talvez um dos maiores problemas para jogadores iniciantes e veteranos seja montar sua ficha. A planilha de personagem para muitos é um dos maiores problemas para todos. Muitos não sabem onde devem preencher, mas o maior problema é o que vai fazer mesmo. Como será seu personagem. No que ele será útil.
Isso sem contar quando o mestre pede que lhe entreguem uma história. Ai existem dois tipos: os que entregavam o trabalho de escola de qualquer jeito, com uma página do seu caderno rapidamente, com umas cinco linhas escritas de uma coisa bem... Porca. E os que lhe entregam algo mais complexo que o TCC de astrofísica para uma faculdade americana. Sério. Já vi gente que digitou três folhas (FRENTE E VERSO) com suas histórias. Tem gente menos dedicada na USP.

O maior problema é que o narrador/mestre, normalmente só ajuda a fazer partes técnicas do personagem. Ou seja, a distribuição dos pontos. Sejam aleatórios ou não. Mas aqui veremos em duas etapas, divididos em semi-etapas. Mas vamos lá!
Lembrando: não necessita seguir essa ordem. Pode ser a ficha e depois o background. E outra, não vou lhe ensinar como distribuir seus pontos 

Background:
*Você será um herói ou vilão? - Mesmo que os sistemas sejam antigos, existia a chance de escolher seu lado (meio ideal maniqueísta mesmo, preto e branco, bem e mal), mas ainda existia problemas em escolher sua personalidade. 
Contudo, nas versões mais atuais, mesmo antes de escolher sua tendência, você pode falar se será um herói. Ou quem sabe um vilão. Mas como assim, você se questiona. E a melhor maneira de mostrar isso é usar como referência é Anakin Skywalker de Star Wars
Ele começa como um CB (Caótico e Bom, Rebelde), mas depois de vários conflitos se tornaria um sith. Mesmo sendo maligno, ele é um personagem mais controlado LM (Leal e Mau, Dominador), ainda assim  tem seus momentos de raiva (quando ele vai para um CM, ou seja, Caótico e Mau, Destruidor). E no final, devido a seu filho, cumpre seu papel no mundo, trazendo equilíbrio a Força se tornando um tanto quanto LB (Leal e Bom, Cruzado). 
*Qual seu papel no mundo? - Não que seu personagem não seja importante, afinal, ele será UM dos protagonistas da história. Só que ele não precisa ser um herdeiro de um reino, filho de um deus ou o primeiro humano do universo. Pode ser um cara que pegou suas coisas e falou que iria se aventurar.
Tramas e subtramas podem ser colocadas, mas isso não necessita ser feito por você. Sem precisar colocar tantos cliffhangers (ganchos) que parece uma série de dez temporadas.
*O que quer no mundo? O que lhe motiva - Como dito antes, não precisa ter um passado cheio de sombras e perigos, só que quando um personagem surge é comum que os jogadores escrevam que tem um inimigo. Isso é o seu objetivo? Derrotar o inimigo? Não precisa ser só isso, pois se tiver como fazer, suas intenções podem ser tantas quanto o menu de um restaurante: vingança (V de Vingança), viver em paz (Rambo), morrer em paz (o filme Logan), sobreviver (The Walking Dead e The Last of Us) salvar uma pessoa que ama (Os Aventureiros no Bairro Proibido), ressuscitar alguém (The Shadow of Colossus), entre tantos outros.
Mas vejam isso aqui:
"Taylor Halford hoje um homem conhecido por atuar no teatro, tem um lado obscuro.
Quando criança era de família humilde e como não tinham como sustentar a familia, Taylor aprendeu à aplicar pequenos golpes em outras pessoas para poder ajudar na família, com isso Taylor foi melhorando a arte de manipular as pessoas para o benefício próprio.
Tendo como missão acumular grandes riquezas aprendeu a usar ferramentas pra destrancar portas e trancas em geral, sua arte sutil em desativar armadilhas o fez ficar reconhecido como o poucas trancas no qual ninguém conhece seu rosto, nos últimos anos Taylor saiu em busca de novos desafios e acabou parando em uma equipe de teatro em Tristania."
Esse é um exemplo de história em que eu não preciso ser um grande ser cósmico para ter uma boa história no meu background.
*Como é o mundo? - Existe uma grande diferença entre estar no universo de Forgotten Realms, do que estar no universo de Dark Sun, Ravenloft e Eberron. Cada um tem sua particularidade. Mas sabendo um pouco como ele funciona, você vai poder encaixar seu personagem de modo plausível. Não adianta nada, por exemplo, querer jogar em Ravenloft, sendo que criou uma história para seu meio-dragão. Pois não existem esses seres naquele mundo, naquele semi-plano. Nem dragões.
Cada universo tem suas personalidades. Uma comparação bem parecida com a realidade esta nos cantores de j-pop e j-rock. No Brasil temos muitos fãs disso, mas nada se compara ao país do Sol Nascente. Isso funciona como um universo próprio.
*Você é livre para criar! - Vejam esse exemplo: em uma campanha relativa ao mar e pirataria, eu quis jogar com um paladino. Desde que me lembro por gente sempre gostei dessa classe, antes mesmo de termos o D&D Terceira Edição. Mais pelo seu conceito do que por qualquer coisa. Tempos depois o pessoal me zoava por estar jogando com um paladino entre um bando de piratas. Coisas como: "E ele disse que queria jogar com um paladino em uma campanha de piratas! kkkkkkkkk".
Certo... Não! Errado! Bem errado!
No Dungeons & Dragons tivemos uma revolução, pois um personagem ou raça, não tão associado a uma classe pode pegar ela. Um anão pode ser um mago, um meio-orc pode ser um paladino e até mesmo uma elfa pode ser uma bárbara! Não é o jogador que deve se adequar a campanha, mas a campanha ao personagem. Prova disso que muitas vezes joguei com personagens maus em um grupo de caras bons. E ninguém chegou a me zoar por isso.
Ficha:
*Seus números não são seu personagem! - Tirou dados ruins na rolagem? Ou acha que a pontuação que te deram não é suficiente? Manda tudo para o Inferno! Um personagem não baseado em números. Eles só estruturam o quanto você é bom em certa área ou não. Não que você será um fracasso completo. Por exemplo, me lembro de certa vez, ao chegar na casa de um amigo e um rapaz ter me cumprimentado. Não o reconheci. Ele então se revelou um colega de escola que quando estudávamos era gordinho. Ele ficou bem magro, só com exercícios. A pessoa pode ser de um modo quando começa sua vida, mas isso não significa que sempre será assim! O mesmo ocorre com a ficha, então não pire com números. 
Se quiser um exemplo mais nerd, pode imaginar como um pokémon que aprendeu um movimento de outro tipo. Até o Pikachu consegue soltar surf se você quiser!
*Tente ler o Livro do Jogador, mas não se fixe nele! - É óbvio que devemos seguir alguns padrões do sistema: um mago deve aumentar sua inteligência, um bardo seu carisma e um clérigo sua sabedoria. Entretanto, isso é extremamente exigido das outras classes? Por exemplo, eu não preciso de um guerreiro forte sempre. Ele pode ser bom em aguentar golpes (aumentando constituição) ou ser um arqueiro (aumentando destreza), quem sabe ainda ser um grande detetive (aumentando inteligência). Tudo é possível. Não existe regra que te impeça de gastar pontos de forma diferente. Ao menos que gaste seus três últimos pontos em habilidades em qualquer coisa que personalize ele.
Aliás, por que não vai contra corrente: colocar pontos em partes que NINGUÉM colocaria. Tipo, força demais em uma ficha para um mago. RPG é contar história, não evoluir um personagem em um MMO qualquer.
*Personalize seu personagem! - Gastando pontos (assim como talentos), você pode personalizar seu personagem. Um personagem, mesmo casca grossa, pode gastar pontos extras como Adestrar animais. Pois pode ter sido um camponês que trabalhava com isso para um cavaleiro. Ou um antigo fazendeiro que perdeu tudo que tinha. Ou ele aprendeu determinado talento, pois foi ensinado por seu mestre ou pai. Ser um cara treinado para determinada função não significa que ele sempre trabalhou com isso.
*Lembre do que seu personagem precisa! - Eu falei muitas coisas, mas talvez o que escreva agora pareça contraditório: tente seguir o que ele precisa para sobreviver. Um mago deve pegar magias que possa utilizar em campanha. Um clérigo pode decorar magias, mas sempre envolvendo uma ou outra de cura (quase sempre). Você vai ser um aventureiro! Mesmo que não queira terá que ser versátil. Algumas vezes isso estará envolvido com aquilo que surgiu como uma bomba, então não decore só magias de dano, mas de defesa e auxílio!
Isso não lhe impede te deixar seu personagem da forma que quer. Só que antes pense se isso não vai deixar seu personagem prejudicado.
*A tendência é importante! - Você começa como um cara BOM ou MAU. Beleza. Só que seu personagem não se parece nada com isso. Acho que você esta fazendo algo errado. 
Seja sincero com você. Sabe interpretar caras maus, o faça ser tão cruel quanto M. Bison ou Joffrey Baratheon. Sabe fazer pessoas boas, seja como Percy Jackson ou Aragorn! Ai de repente, você é um cara mau, mas se apaixona por um gatinho na rua. Não que não possa gostar de nada pois é mal (não estamos criando aqui um vilão de novela da Record), mas ao menos crie princípios. Um ser "do mal" teria como animal de estimação algo onipotente. Ou algo que ele perturbou e deturbou de modo irreversível. Mesmo quando ele é pai, ele mostra que sua ideia de carinho é perigosa (vide Thanos da Marvel).
Além disso, muitas vezes mestres descontam experiência devido sua interpretação errada de uma tendência.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Minha opinião sobre liminar sobre psicólogos e homossexuais

Depois de muito pensar, aqui vai meu monologo sobre as últimas decisões da justiça sobre o homossexualismo. Muita gente com raiva dessa lei, ai aparecem os intolerantes com dois pés no peito. E fica um campo de guerra nos perfis de rede sociais.
Mas isso sempre acontece.
Ai pesquisei um pouco a fundo essa história e ela funciona assim: um juiz, que ao meu ver não deve ter mais nenhuma outra formação (mas posso estar errado), fez uma liminar. Nela, uma pessoa que esteja desconfortável com sua condição como homossexual pode ir a um psicólogo. Ou seja, não é nenhuma cura gay... Contudo...
Por que o contrário não existe? Por que só gays devem estar indo a um psicólogo? Tecnicamente falando, quando se vai a um médico desses você estaria doente! Não fisicamente. Mas sim psicologicamente. Ou ao menos, com algum problema na área mental. Então, se formos pensar assim, o juiz esta sendo preconceituoso. Pois a ideia dele não fala "se um heterossexual tiver problemas com sua orientação sexual"... Não! Ela só fala sobre os homossexuais!
E isso abrange muitas coisas. Por exemplo, eu posso usar o mesmo conceito para religiões ou uma pessoa que queira comer um doce... E por ai vai!

sábado, 19 de agosto de 2017

UM TRECHO DE SINESTRO RESSURGE: LIVRO IX - CAPÍTULO V - O LUGAR SILENCIOSO

Ele caiu aos pés de Lacktum. Seu peito trespassado por ajuda daquela espada antiga, lhe concedeu uma mancha profana no peito. Os olhos daquele homem perdiam seu brilho.
-THROR! – gritaram todos os Dragões, em especial, Van Kristen.
Tzorv parecia engasgar com seu sangue, enquanto Lacktum o deitava de uma forma gentil. Com uma mão, improvisava um travesseiro para o grego repousar com seu manto. Com a outra segurava a cabeça de seu amigo de forma gentil, mas cheio de medo por ele.
-Clérigos, salvem ele!
Tom se adiantou. Usou sua magia mais simples.
-Não está estabilizando! – o clérigo de Zeus falou.
-Como isso? – gritava com raiva para Tom, o jovem mago.
-Deixe-me ver isso – pediu Arctus, enquanto afastava o sacerdote grego – É uma ferida além de nossas capacidades!
-Isso não é possível! Vocês só fazem curar!
Nesse mesmo instante, Thror soltava gemidos desesperados de dor. Ao mesmo tempo, sua boca jogava respingos de sangue na direção de Lacktum.
-Calma velho amigo! Calma! Alguém o ajude! – exigia o último dos Van Kristen.
Todos calavam-se pois sabiam que aquilo era o fim. Só Halphy deve a ousadia.
-Lacktum ele não...
-Não se atrevba! – virou-se para a assassina de forma furiosa aquele arcano.
-Por Deus, seu cabelo de fogo, teimoso e estúpido! Deixe ele ir! Não vê que...
A discussão foi interrompida, quando Thror segurou no pescoço de Lacktum. Estava tremulo e desnorteado. Ainda que mantivesse um sorriso estranho. Parecia que queria falar algo. Contudo, só conseguia agitar o corpo. Sem motivo aparente. Ia e voltava, até que finalmente seus gemidos tornaram-se pulsações rápidas. Por alguma razão, o jovem arcano pensou que aquilo era um sinal de melhor. Um amargo engano.
Os olhos de Thror continuaram abertos. Seus movimentos retraíram-se de forma súbita, mas lentamente. Os espasmos cessaram. Aquele corpo forte tombou para trás, em cima do manto de Lacktum. Sua cabeça virou rapidamente para a esquerda. E uma estrela deixou o firmamento.
-Thror! Grego! O que ocorreu? Thror! Thro! Guerreiro? Thror! Não, não, não! Inútil e imprestável! Levanta! Você consegue! – soltava Lacktum com raiva daquele fato que estava constado a sua frente
-Lacktum... – Halphy iria repreender o líder, mas foi apaziguada por Richard Naara.
-Não o recrimine Halphy. Ele já chorou tanto, que nem lágrimas derrama mais. Veja...
E ao fixar sua visão mais uma vez na imagem daqueles seus velhos amigos, seus olhos ficaram atônitos. Além de notar Lacktum segurando o corpo inerte de Thror no chão como se tentasse lhe passar algum sinal de vida, um detalhe comoveu aquela moça. Olhando na direção do rosto do rapaz, era possível notar os dentes trincados pela raiva e tristeza. E que no lugar de lágrimas, de seus olhos escorriam sangue. Era a dor que um mago sentia por perder alguém amado.
THROR!!! – esse grito causou medo, mesmo em Orfeu. Mas esse som cessou tão subitamente quando surgiu.

domingo, 23 de julho de 2017

Desabafo: Isso não é um texto bonito

Esse texto é só um dos meus inúmeros desabafos. Só quis deixar aqui para que ALGUÉM leia isso. Não necessariamente para quem enviei esse texto. Então, se quiserem passar para outro texto entenderei. Até mais.


"Recentemente eu perdi minha cachorrinha menor a Kelly, então eu me prometi que mandaria esse texto para você. Pois queria deixar bem claro como estou me sentindo depois daquele dia em que me falou o que sentia por aquele cara do 14 Bis (ou 12 Bis, sei lá).
Eu fiquei triste demais. E agora noto que estava triste por uma pessoa que não me merece. Vou colocar isso de um modo que fique bem claro isso. Quando eu terminei nosso relacionamento por medo e fraqueza minha, acredite, eu sofri demais. Pois sabia que estava lhe magoando. Não foi a primeira vez que isso ocorria. Ao envelhecer, tanto física quanto mentalmente, eu aprendi que devo me colocar no lugar da pessoa ao qual estou fazendo o mal. Não por querer sofre, ou desejar estar certo. Pois quase nunca tudo dá certo. Mas por ser certo e decente. E gentil! Apenas isso... Gentil! Talvez não exista sentido nenhum nisso. Só que o melhor que posso fazer por alguém que amo.
E não sinto que fez isso ao pensar que poderia falar comigo sobre o amor para outra pessoa. Caramba! Ainda estava claro para qualquer um que eu te amava ainda. Na última vez que lhe vi eu lhe beijei! Eu sentia desejo por você! Sentia atração! E amor! Praga! Eu sentia amor tão forte que sempre cito seu nome seu nome quando trato de relacionamentos. As pessoas que eu magoei e que ficaram furiosas comigo não me feriram tanto quanto você. Na verdade, quase ninguém me machucou assim.
Estou com raiva de você. Não por ter me falado que gostava daquele cara, já que tinha um gosto quase beirando a obsessão sobre aquele sujeito. Sempre falava dele parecia estar falando de deus! Sério! O problema é colocar mística nisso, falando que “ouvia uma voz”. Caramba! Eu sou professor de história e católico, e toda vez que trato sobre um assunto que envolve a Bíblia, eu separo a minha crença dos fatos. E quando envolveu a mística e magia no seu desejo por aquela pessoa... Isso me deixou furioso. E ainda estou. Isso foi infantil e tolo. Eu respeito outras fés ou crenças, mas quando alguém usa isso como uma muleta, para explicar seus atos... Isso me deixa puto.
A gente ama por que acredita nas pessoas. Pois amor, não é um sentimento. É uma promessa. Que pode ser difícil de cumprir. Acreditar em alguém, como um juramento, não é tão fácil quanto imagina. E eu te amei demais. Eu sonhava com você, em um dia me casar e morar contigo. Aqui ou aí em São Paulo. Porra, pensei em até um quarto onde eu desenharia e você faria seus ofícios. Pois como disse, eu respeito a crença alheia.
Mas ao perder a Kelly, eu notei que não poderia mais contar contigo. Que você traiu meu coração. Que não foi sincera comigo. Eu posso ter sido um idiota no começo do relacionamento com você, mas admito isso. Você crê que seu mundo de magia é perfeito, mas nada adianta ter uma crença se não a pratica no seu dia-a-dia. Quando cometo uma falha com as pessoas eu me entristeço. Já você, quando fica triste, ao invés te ir falar com um amigo, não! Vem falar com o sujeito que você tem certeza que ainda TE AMAVA! Eu te amava.
Sabe porque eu te tirei dos meus contatos no Face? Pois eu sabia que diferente de mim, que quando uma amiga foi espancada pelo marido, ou quando eu vi um mendigo passando fome, ou quando fui ajudar idosos, ou tentei salvar cães na rua EU AGI! Ama aquele cara? Vai atrás dele! Seja feliz! Ignore um cara que te amou! Mas ao menos seja sincera contigo! Pois, durante muitos desses fatos eu poderia ter morrido! E quem viria até mim? Mesmo eu fui inúmeras vezes a São Paulo quando precisavam de mim. Larguei trabalho pois precisavam de mim. Quando uma conhecida estava ferida ou quando um amigo perdeu o pai. Agora pare de viver em fantasia e combata de uma vez a realidade.
Sei que sua vida foi difícil, mas por Deus, a vida de quem não é.

Só volte a falar comigo quando: parar te negar a realidade e se decidir do que quer da vida. De preferência sem aquele cara. Mas se ficar com ele que seja feliz e nunca mais (LEIA BEM ISSO... NUNCA MAIS) me procure. Adeus."

domingo, 9 de julho de 2017

Eu te seguro: um texto sobre a morte

Eu nunca gostei da morte. Todo mundo a teme. Mesmo que um pouquinho, até Neil Gaiman não deve gostar disso.
Talvez seja, pois, a única certeza para todos é que vamos morrer. Não importa se somos crédulos ou ateus, formados em biologia, história ou matemática, ou que tenhamos conhecido vida alienígena. Você vai falecer assim como eu.
Somos uma casca. Só isso, um grande involucro. Não trato de alma ou carne. Mas de sentimentos. Falem o que quiserem, mas nossas emoções são a única coisa que sobra nesse mundo. São parte das lembranças que deixamos.
Ainda assim, não devíamos temer ela. E assim abraça-la. Nunca diria para todos perdermos a vida, mas sim nos conformarmos com seu abraço. Pois ela não é quente nem fria. É só alívio.
Parece mórbido e estranho, mas talvez compreendam com o que vou escrever. Sou uma pessoa que pode nunca ter chorado por parentes que pouco conheci, apesar de serem de grande relevância na minha vida. Contudo, choro por pessoas que conheci muito pouco tempo e que já fazem parte das minhas melhores lembranças.
Então, enquanto escrevo isso, saibam que estou cuidando da minha cachorrinha Kelly. Ela é uma vira-lata que deve ter parentesco com chihuahua, ou outra espécie pequena. Só que recentemente, em menos de uma semana, ela não consegue mais se manter de pé. Seus olhos estão inchados e vermelhos. Fica deitada o dia inteiro. Primeiro perdeu a noção de equilíbrio, depois caia sem motivo, até que agora, ela quase não se movimenta. Colocando seu pescoço para trás, nos deixando com medo. A mim e a minha mãe.
E nessa tarde, eu a segurei para colocá-la no sol. Como ela sempre gostava. Peguei Kelly e a deitei-a no quintal. Enquanto, fazia isso a acariciava. Me ocorreu um estalo. Por um pensamento de ajudar ela, eu a segurei para tentar ficar em pé. Não conseguia manter os pés de forma correta, mas não me importava. Só queria que ao menos nos últimos dias dela, ela pudesse fazer suas necessidades dela sem problema. Pudesse fazer aquilo sem a minha ajuda, mas coitada... Nem conseguia se erguer. Ainda que tudo isso não funcionasse eu mantive ela de pé falando “eu te seguro”. Mesmo que ela nunca mais ande, ou nunca mais fique brava comigo, ou nunca mais deite junto a mim e minha mãe, ou lata me atrapalhando nos meus desenhos, ou pense que é perigosa sendo a menor das minhas cachorras, eu a vou segurar. Talvez essa seja nossa única alternativa. Pois mesmo nos esforçando, nós sabemos que vamos perde-la.
Perdi muitas pessoas que amava, assim como animais. Ainda assim, continuando amando todos aqueles que estão ao meu redor, desde que esses sejam seres que ainda são importantes para mim. E quando até estes seres magníficos também me deixarem, eu também vou chorar. Pode ser para um ser pequenino como a Kelly, ou alguém enorme em coração e alma, como já ocorreu. Eu não me importo em me chamarem de chorão. Mas eu irei “segurar” estes personagens da minha vida. Ajudar essa passagem na vida delas. Que deve ter sido tão magnífica quanto a minha. No quesito que viveram com toda a vontade de seus espíritos. Com ou sem arrependimentos.

E quando for a minha hora, a derradeira, eu vou me “segurar”. Espero que alguém me “segure” também.