sexta-feira, 26 de setembro de 2014

(Parte 27) "Me diga o porquê"


-Ora essa Lucian Van Kristen – disse Nico olhando com raiva para o irmão de Lacktum – E não se espante, pois é pouco o que não sabemos, pelo menos na visão de vocês mortais.
Lá estava o enigmático feiticeiro Nico, o mesmo que sempre auxiliara o grupo com suas magias e palavras enigmáticas. Ele estava ali como um anjo que surge nas escrituras antigas dos que acreditam no deus católico, ou como o mensageiro dos deuses pagãos. Não importava como ou para que, os Dragões da Justiça sentiram suas forças renovadas como uma chama que levanta com o impulso correto. Como a lenha de uma nova esperança. Mas o que tinha aquele jovem. O mago de cabelos vermelhos já tinha certeza que ele não era humano, mas certeza de algo que seria difícil definir. Tanto poder seria difícil conceber. Ele agora tinha certeza que os poderes do misterioso homem nublavam as mentes de Halphy, Arctus e dele próprio só concedendo uma certeza. Havia algo maior em jogo.
-Como sabe o nome que usava enquanto vivo? – exigiu um enlouquecido Kalic Benton – Revele sua verdadeira forma.
-Não há um motivo para mostrar minha verdadeira forma a seres tão inferiores como vocês. Mas mesmo assim, vim aqui exigir que se cumpra o pacto da marca arcana. Você deve recuar diante um mago de poder superior, caso contrário, sofrerá com a força que o Paradoxo possui! Vá de retro criatura inferior! – exigiu Nico com só uma de suas mãos estendidas.
Foi quando o mago mascarado colocou a mão sobre a face com sua máscara sobre ela. Novamente, seu rosto estava coberto por aquela coisa que o tornava mais sombrio que qualquer ser na mente de todos. Ele exigiu que seus homens e criaturas se afastassem daquele templo de sombras.
-Não sei quem és tu, mas saiba que conseguiu um inimigo para a vida toda!
-Já ouvi isso antes e não me rebaixarei a responder a altura.
-E quando a você irmãozinho bastardo – dizia isso o mago enquanto retirava os efeitos da barreira mística que colocou no jovem mago inglês – Van Sirian e Azerov foi só o começo. Muito mais eu irei lhe retirar, até que não sobre uma única migalha do que foi o legado dos Van Kristen, compreende? Sua alma e seu corpo foram apenas o começo do inferno em terra que irá viver filho de um adúltero!
As palavras acertavam no coração do jovem. Sua vingança foi obliterada no momento em que Kalic Benton pronunciou que ambos possuíam o mesmo sangue. Nunca lhe ocorreu que ele, o suposto inimigo, teria feito tudo aquilo por um sentimento tão próximo do que ele alimentou por tantos anos. Só que era possível ver no olho dele o mesmo demônio que o consumia a cada dia: ódio em seu estado mais puro.
Nesse momento, o mago mascarado começou a andar com calma e modos sinistros, até uma parede. Como num piscar de olhos, ele sumiu nas sombras da estrutura.  Talvez fosse magia, ou algo mais tenebroso. De qualquer modo, ele sumiu como um fantasma. Os seus soldados andavam para fora da estrutura.
Thror pensou em impedi-los, mas foi detido por Nico, com um gesto rápido. Sua meta era cortar a cabeça do tal Yue Khan, mas sabia que sua lamina ainda não estava afiada o bastante para aqueles olhos puxados e rabo de cavalo. Ele se mostrou inteligente, pois mesmo em alguns combates, sempre perde o mais tolo dos lados de qualquer modo. De todo modo, não era o momento. Assim deixou também irem embora Matadouro.
E do mesmo modo que surgiram eles somem. Silenciosamente.

Todos do grupo – os que restaram ainda naquele grupo – se levantaram ou se posicionaram de um modo mais respeitoso. O clérigo começa a preparar os curativos especialmente no guerreiro careca.
-Me largue padre! – falava isso mexendo o braço ferido, como um menino mimado o guerreiro – Mesmo estando ferido não vou morrer. A não ser que me mexa demais como um jumento arredio! – nesse momento, Arctus até pensou em falar algo, mas sabia que não era o momento – Se eu fosse você... Aconselharia o mago que esta com o olhar mais perdido que Odisseu no mar. Ele levou um golpe tão poderoso que nem o mais poderoso machado ou a mais antiga magia conseguiria fazer tamanho dano em sua mente.
Vez ou outra Tzorv falava algo que fazia sentido. E quando isso ocorria significava que algo estava realmente errado no mundo.
Lá estava o mago, com seus olhos perdidos para a parede pela qual passou o suposto irmão. Mesmo depois de tudo que ele disse ele ainda gritava em sua mente, indo contra aquelas tolas idéias. Mas nada que impeça seu raciocínio único mostrar que mesmo que ele queira lutar em sua mente a resposta para muito do que ele imaginava a tempos era uma coisa tão simples, e viria na língua do antigo inimigo. Não importava o que ele fizesse, o mago Kalic Benton II era seu irmão.
Nem Gustavo parecia ter palavras que o acalentavam. Parecia inútil qualquer uma que proferisse. O que o fazia o lembrar que mesmo como conhecedor dos segredos religiosos, ainda era mais guerreiro que qualquer outra coisa.
Ele levantou e se virou na direção de Nico. Seu rosto continuava com raiva, mas agora ele tinha que se concentrar, momentaneamente em conseguir entender a situação. E o jovem misterioso de cabelos loiros era talvez a maior parte das respostas.
Não importava se o feiticeiro se mostrasse como um salvador naquele momento, o jovem inglês de cabelos ruivos estava furioso que o agarrou pelo pano da roupa. Seus olhos se enchiam da fúria que antes estava destinada ao mago mascarado que teria matado sem nenhum motivo a família inteira de Lacktum, além de supostamente ter matado o velho mago Azerov.
-Me fale por qual motivo, em nome de Odin, Thor, Loki e tudo que serve a magia nórdica, que infernos fez e o que afinal é você? Já estou cansado de suas atitudes suspeitas! Fale desgraçado!
-Lacktum pare – gritou Thror.
-Mestre Van Kristen – falou rapidamente o pequeno suricate.
-Pare em nome de Deus – esbravejou o padre, segurando o braço do mago.
-Deixem-no – falou calmamente Nico fitando somente Lacktum.
-Mas Nico... - falaram alguns.
-Deixem-no – repetiu ele com voz firme, mas ainda transparecendo calma.
Todos se afastaram calmamente dos dois jovens. Enquanto isso, Lacktum segurava compulsivamente a roupa do jovem de cabelos loiros.
-Vamos me fale sua criatura maldita! Fale-me logo!
-Tudo bem Lacktum, mas antes – falava isso enquanto retirava as mãos do mago de sua toga com extrema facilidade – saiba que não esta com raiva de mim, por ocultar quem eu sou. Nem de seu pai por esconder algo assim. Nem de Lucian... Ou Kalic Benton II. Muito menos de seus amigos que nada puderam fazer. Você esta com raiva, pois mesmo depois disso você não consegue chorar pelo que ocorreu mesmo sabendo que talvez, só talvez, pudesse ter impedido tudo. Mas lhe garanto, não havia nada a ser feito.
Lacktum o soltou e colocou sua mão direita sobre a cabeça, como quando sentimos grandes dores nessa parte de nosso corpo. O resto dos Dragões e animais que o acompanhavam, correram em sua direção. Com um gesto, o arcano os interrompeu e disse:
-Se acalmem! Foi só uma leve enxaqueca.
Todos sorriram e foi quando Thror disse sua besteira do dia, enquanto abraçava o companheiro:
-Nem parece que você encontrou um parente seu hein?
Nesse mesmo instante, alguns colocaram as mãos sobre seus rostos e olharam com raiva para o guerreiro com a ferida em forma de X na cabeça.
-Que foi que disse algo de mal? – falou um revoltado Tzorv.
-Não – disse Lacktum sorrindo envolvido pelo abraço – Você esta certo. Eu tenho um irmão ainda. E por ele... Devo viver!

-Bem, essa frase seria mais de Van Kristen, mas... – disse isso um padre um pouco relutante – se revele Nico! Qual sua verdadeira forma? Retire-nos essa duvida.
O feiticeiro olhou para todos com olhos amendoados de ouro. Ele então começou a andar em direção ao centro do lugar. E então falou calmamente:
-Sou um dragão.
Nesse mesmo instante, algo aconteceu. Nico curvou-se para frente, com uma rapidez tremenda. Logo em seguida, seus cabelos se eriçaram como se eles dobrassem de tamanho, porém, não possuíam mais uma característica de partes do feiticeiro humano que conheciam. Eles pareciam mais a pelagem de um animal selvagem. Seus olhos dourados, que muitos não notavam antes, agora tinham uma força maior em toda a sua extensão. E nem sequer ele havia mudado seu corpo ainda. Em seguida, de suas costas, um par de asas magníficas surgiu como quando uma borboleta se levanta abrindo seu casulo. Tão grandes que quase atingiram o teto do lugar. Seu corpo começou a mostrar uma estrutura maior e que rapidamente acabou rasgando suas roupas. Era como se pudessem ver uma criança nascendo alguns pensariam. A pele foi trocada por escamas brilhantes e poderosas, que traziam fascínio e temor. E logo a criatura tomou lugar do feiticeiro, como um ser único no universo. Mesmo que eles tenham visto recentemente um dragão, nada os preparou para ver aquele ser, tão grande em poder e magnificência. Até mesmo, uma parte do corpo que logo reconheceram como uma cauda trazia com ela certa imponência com pequenas farpas, que mais pareciam de puro metal dourado. Cor essa que atingia boa parte do corpo tal qual a coroa de um rei, mas muito mais poderosa e imponente. E por último, de onde ficava a face do arcano brotavam chifres na parte de cima, enquanto estranhos pelos surgiam do queixo, como uma imensa barba que atingia até o peito da criatura – o que mostrava quão colossal este monstro magnífico era.
 Arctus olhou com tanto espanto, que se esqueceu de fazer uma de suas famosas pragas contra qualquer criatura que não servisse o deus católico. Thror caiu ao chão machucando até mesmo seu traseiro no processo. Seton colocou a foice de lado como sinal de referência. Os animais fizeram o mesmo com mais rapidez orgulho, afinal, acima dos animais só estavam os elfos e os dragões, alguns diziam. Lacktum estava espantado, isso era claro, mas como o bom curioso e audaz líder dos Dragões da Justiça, ele agora examinava o dragão com extrema cautela.
Sua barba imensa, sua aura de poder – que já era grande quando ele tomou a forma de um homem – seu tamanho e o fato dele ser mais forte até que Daehim que enfrentaram recentemente significava que no mínimo ele deveria ser um ancião entre os de sua raça.
-Bem que eu imaginava que você era imensamente poderoso, mas isso beira o impensável – o pequeno mago falou tentando conter o espanto.
-Perdão meu pequeno amigo humano, – disse Nico, como se dirigisse a uma formiga – mas menti por muito tempo a vocês irmãos de viagem. Para começar saibam quem eu realmente sou. Chamo-me de Ikkanon, uma das três estrelas douradas de Isis. Deusa que foi esquecida por seu povo, mas ao qual nunca se esqueceu de vocês. Meus irmãos se chamam Ixxanon, que se tornou deus perante os homens e as criaturas desse mundo, e Ixxamon, que atingiu as estrelas e criou sua própria constelação com seu corpo ao partir desse mundo.
Todos se sentiram extasiados com o que ocorria ali. E foi Thror quem disse as palavras para fazer a todos saírem do transe:
-Por Zeus... Você é grande Nico.
O dragão riu, fazendo o que pareceu um terremoto por alguns momentos.
-Sim amiguinho, realmente estou. Muito grato devem ser a Seton. Graças ao que lhe ensinei você pode impedir algo pior.
O druida sorriu com muito orgulho enquanto fechava os olhos.
-Só fiz o necessário!

Quando tudo isso ocorria, em um país muito distante, onde o gelo é tão comum como a grama nas terras dos heróis, sua força se mostrava maior que o normal. Mas lá há um homem que também já foi herói. Sua espada estava colocada na frente de uma caverna antiga, a qual muitos achavam ser maldita. Era exatamente por conta disso, que seu atual morador usava aquele lugar. Para se afastar da escoria humana que tanto protegeu. Aqueles que nunca souberam nem se importavam com o que estava para acontecer. Que deram as costas para os deuses esquecidos de Atlântida. Que deram as costas para Kanglor, seu deus, o senhor da fúria e dos combates até a morte.
Nesse lugar funesto, um homem surgiu, tentando enfrentar o frio com varias peles de lobo negro do norte, com certeza. Era obvio isso pelo tamanho das peles que eram somente duas. Seus cabelos negros chicoteavam seu rosto. Parecia ter vindo de terras muito distantes mesmo, mas demonstrava grande satisfação ao chegar naquele lugar.  Ele estava na entrada do lugar e gritou:
-Ei, Homem Santo! Vim aqui pelos seus conhecimentos de uma época em que os deuses caminhavam entre os homens! Em que os guerreiros lutavam mais por honra do que por terras ou fortunas! Onde os guerreiros esquecidos ainda existiam! Eu clamo por sua sabedoria!
No mesmo momento, um homem de barba mal feita surgiu da escuridão da caverna. Era realmente humano, mas deveria estar acostumado com penumbras e as trevas que surgiam do coração do inferno. Isso era visível já que seu rosto estava cheio de raiva e rancor. Possuía muitas peles que cobriam seu corpo, além de uma roupa também pesada, só que sem nenhuma armadura. Suas mãos estavam cobertas com faixas preparadas muitas vezes com o intuito de melhor segurar uma arma pesada. E com elas, pulou no pescoço do homem que gritava no lugar. E se enfureceu com as palavras e seus cabelos, tão negros quanto o do agredido, lhe concediam um aspecto de loucura, como se estivesse possuído por um demônio ou uma entidade poderosa. Como se as forças antigas estivessem na voz daquele homem e uma magia antiga o despertou. Mas não era isso. Mesmo o mais antigo e sábio ser do mundo sabe que as palavras podem ferir mais do que a lamina mais afiada.
O homem de peles de lobo negro segurava o outro pelas mãos e dizia sorrindo:
-Que coisa, parece que perdeu parte de sua força divina Homem Santo.
O homem tomado pela raiva gritou a plenos pulmões:
-Desgraçado! Maldito seja homem! Meu nome não é Homem Santo! Nunca pense em pronunciar meu nome novamente Kalidor Hein Hagen! Saia de minha casa! Saia de meu lar! E nunca mais volte miserável! Por Kanglor e tudo que ainda tenho de força em meu coração, juro que nunca mais sairei daqui!

-Bem devo começar a explicar, minhas funções nesse grupo. Ou melhor, meus verdadeiros motivos para estar aqui. Bem como imaginam, estava aqui para vigiar os passos de todos que estão aqui. Isto se devia a importância que cada um possui.
-Isso parece claro para alguns... Mas fica difícil evidenciar em outros membros – falou Arctus com seu tom de desprezo pelo que era arcano – Se é que me compreende.
-Sim, entendo seu receio quando ao que provem da magia, mas lhe garanto que sou um ser de puros intentos. Muitos de vocês têm importância vital, tanto para deter o inimigo, como para auxiliá-lo.
-Interessante... - disse Lacktum – Então alguns, podem ajudar nossos inimigos?
-Sim – respondeu prontamente Nico, ou melhor, Ikkanon.
-Quais de nós? Halphy é uma delas, isso se mostrou claro.
-Bem o outro é você Lacktum Van Kristen.
-Eu? – soltou um espantado mago. Tudo bem que seus hábitos nunca foram os melhores perante os outros por muito tempo, mas ele estava mudando. Tão lentamente como uma tartaruga, só que estava.
-Sim... Veja, seu nascimento estava previsto em antigas escrituras que um de meus irmãos disse ter visto com um antigo ser iluminado. Que sua existência trazia um grande perigo para todo mal existente nessa terra. Ela dizia algo como, o nascimento de um filho da casa de Van Kristen, com cabelos vermelhos como o fogo, traria o fim a todo o mal que surgiu no começo da era dos cristãos. Seu apogeu viria em 1147, quando um evento cataclísmico, o faria ascender com o poder de abrir o Portal da Verdade.
-Caramba! Sempre me achei importante, só que assim é muito exagero!
-Isso me traz mais temor que admiração meu caro Lacktum – falou Arctus.
-Acho que sei o motivo disso padre – interrompeu Ikkanon – Sendo a profecia verdadeira, isso significa que há dois seres capazes de impedir o mal que esta para surgir. Um deles esta aqui, junto a nós e o conhecemos como Lacktum. Mas o outro se autodenomina Kalic Benton II e sabemos que se chama Lucian Van Kristen. Que atualmente serve Sinestro, um ser de índole maligna e poderes incríveis.
-Muito bem colocado... Ser – falou com certo ar de repugnância ao dragão.
-Se Lucian for o Van Kristen que pode impedir o mal, isso significa que poderá até ser pior para nós que ele esteja do lado de Sinestro – refletiu Lacktum.
-Isso é obvio, mas as profecias não corretas. Há sempre pequenos trechos que não compreendemos ou ignoramos. Seja lá de onde elas surgiram. Mas há também o fato que não me lembro de toda a profecia.
-Ah que ótimo, entre todos os dragões que poderíamos ter de nosso lado – falou isso o mago inglês colocando a mão sobre o rosto em forma de decepção – temos o único que não tem memória!
-Acredita ser fácil lembrar-se de algo que leu de relance a milênios? – soltou o dragão dourado um pouco irritado.
-Bem, ao menos sabe onde esta essa escritura?
-Não. A tabua foi escrita pelos antigos deuses dos egípcios, e estes sumiram sem deixar qualquer pista sobre a profecia ou de como ela funciona. De qualquer forma... Seria difícil encontrar.
-Ótimo, só temos todo o reino egípcio e mais além. E quando aos outros? E suas importâncias nessa jornada?
-O jovem sacerdote Arctus terá como função relatar muita coisa a Santa Sé, já que boa parte do que vocês estão passando se deve a ações dela.
-O que insinua demônio?  – disse um exaltado Arctus, diante as patas dianteiras de Ikkanon – Que como tantos outros, o Santo Padre esconde algo? Ou aqueles que o servem.
Ikkanon esticou a cabeça, de modo que sua bocarra ficasse de frente ao pequeno homem. Qualquer um se apavoraria, com exceção daqueles homens jovens e tolos. Apesar, de que alguns soltavam frases de alerta ao padre.
-Meu caro homenzinho dos costumes novos, qualquer homem, seja santo ou não, esconde algo. Sua função nesse grupo era encontrar os artefatos malditos certo? Se os pegasse e entregasse aos seus mestres, o que pensa que eles fariam com eles? Os colocaria a vista de todos, ou ocultariam o mais rápido e prudentemente possível? Eles devem ter muita fé em suas ações.
O homem de batina se calou rapidamente. Mesmo sabendo da importância de seus mestres em sua vida, sabia que a igreja continha seus problemas ocultos. Alguns que nunca poderiam vir a publico, pois se viessem, trariam o caos. Não somente a hierarquia daquele grupo religioso, como toda fé que conseguiram nos séculos anteriores.
-De qualquer forma, não existe nada que eles tenham como certo. Só que, a Igreja esteja de pose de um artefato que pode abrir o Portal Infernal.
-Esta brincando?
-Nunca brincaria com isso sacerdote – já respondeu zangado o imenso ser.
-Por todas as forças da natureza! – soltou Seton.
-Como isso é possível? – gritou Arctus.
-Mas que força criou tal artefato Nico? – perguntou o mago e líder do grupo.
-Foram pessoas que serviram a Hades nos tempos antigos – ele respondeu prontamente.
-Hades? – gritou perplexo Thror e com um tom de fúria – O Senhor do Mundo dos Mortos? O senhor de tudo que não vive? Mestre do Submundo grego? Que controla o Tartaro, o rio Estige e os Campos Elísios?
-Sim meu caro. O que há demais nisso? – perguntou curioso o imenso ser.
-Não sei o motivo – disse o guerreiro com marca em forma de X na cabeça – mas parece que meu sangue ferve quando ouço tal nome. Era como... Como...
-E ai meus caros Dragões da Justiça, esta nosso terceiro membro de importância tremendo nesse grupo. O jovem e poderoso guerreiro, Tzorv. A verdade é que parece saber mais do que realmente sabe. Ou melhor, ele não se lembra de certos fatos, mas isto esta prestes a ser desvendado. O lugar para onde pretendem ir, traz consigo uma mulher com poderes acima de qualquer um nessas terras e em varias outras. Talvez, só talvez, ela desvende os enigmas por trás de tudo que ocorreu com você guerreiro. E vão ver que ela os irá treinar para serem mais do que apenas meros guerreiros, sacerdotes e arcanos. Vocês estarão prontos para enfrentar qualquer problema futuro.
-Mas Arda nos disse...
-Exatamente – disse Alexander, o cão que se calara até então – Arda, o regente de Avalon. Não nosso rei e líder. Não foi nem Altair, meu mestre, nem Arthur Pendragon, rei por direito. Ele não é nada a não ser um mero usurpador do trono até que estejamos prontos para receber o que realmente merecemos.
-Tenho medo de você cão – falou o arcano com um rosto de sarcasmo – Tem certeza que não é um homem assumindo a forma de animal?
-Ora só digo a verdade. Afinal, você deveria saber disso, visto que estão vivos não por conta dele, mas sim por Aluniel.
O semblante de Lacktum mudou para algo mais sério.
-Não me esqueço disso Alexander. Se não fosse por conta do sacrifício dela talvez não estivéssemos vivos nesse momento. Se casar com alguém que não se ama deveria ser algo impensável para os elfos.
-Mas foi necessário para que os Dragões estivessem preparados para o que estava por vir.
-Do que adiantou Alexander? Dois membros saíram do grupo em Avalon, um dos mais inteligentes entre nós traiu o grupo. Não querendo desdenhar dos Dragões, mas só possuímos algumas poucas curas, mas quase nenhuma força bruta e arcana. Nenhum ladino para parear com Halphy ou seu intelecto e poder de combate.
-Tudo que você falou faz sentido mago, - falou um irritado Thror – mas quando a força bruta... Eu tenho mais que suficiente para matar qualquer um.
-Você me entendeu Thror! Mesmo que fossemos enfrentar criaturas como kobolds ou duendes verdes, nada disso seria o suficiente para enfrentar um exército. Precisamos de um grupo coeso e forte para estar à frente de situações perigosas. Agora me entendeu?
-Mais ou menos... Mas eu mato.
-Eu sei Thror.
Ikkanon levantou sua cabeça quase atingindo o topo do lugar novamente. Ele estava com uma face de calma.
-Meus amigos, meus pequenos amigos, se acalmem e reflitam. Não há porque se desesperar. Já que vocês estarão viajando para um lugar seguro. E lá treinaram para se fortalecerem e se tornarem poderosos. E com isso trazerem mais aliados para o seu lado. E quem sabe, nem tudo isso seja preciso para trazer, não aliados, mas amigos de verdade.
-Devo confessar – falou Seton um pouco receoso – que fiquei um pouco decepcionado por Halphy ter nos traído. Ela era um dos três membros fundadores desse grupo e um dos mais fortes. Mas mesmo assim, com as palavras de ser tão majestoso sinto uma grande esperança crescendo em meu coração. E uma grande fome.
Todos riram. Somente Lacktum se manteve quieto, como se tivesse descoberto algo.
-Sua voz! Era sua voz – refletiu e gritou como se houvesse descoberto uma nova magia – Foi ela que havia escutado no templo dedicado a Ixxanon! Só pensei nesse fato agora, após tudo que ocorreu e meu coração se aquietou!
-Isso meu pequeno senhor das magias do espaço e tempo. Agora caminha na trilha para superar o paradoxo e controlar seu destino. Lembra do que falei: E este é o momento em que deve decidir, se sua vingança importa mais do que o controle sobre o seu destino. E você o fez. Agora deverá decidir mais uma vez, mas com outro ideal.
-Na verdade, - disse se lembrando daquele dia fatídico o inglês – foram outras palavras suas que me salvaram.
-Quais foram?
-Você tem que perguntar a si mesmo, se ainda quer um lugar ao céu, ou não. Você quer?
Nesse momento o imenso dragão esboçou um sorriso. Enquanto Lacktum, que parecia triste e desconsolado, de repente se lembrando de algo bom sorriu.

Grécia. Terra de heróis. Nessas linhas escrevo sobre uma nova personagem que irá se encontrar com dos Dragões da Justiça, já que ele concederá sua vida para protegê-los. Mas o que o destino reserva para nós quando embarcamos em uma viagem pode não ser tão bom quando imaginamos.
Seu nome era Tom Drake Harem. Ele havia recebido esse nome de um clérigo que protegia os costumes dos tempos helênicos. Cultuava a Zeus e prestava homenagem a ele. Seu surgimento diante seu pai adotivo foi algo raro: certa vez, Markus, um sacerdote de Zeus, já com grandes poderes, teria encontrado uma criança recém nascida e m uma tempestade tão perigosa e poderosa que mal sabia como o bebê não foi varrido daquele lugar. Acreditando que a mãe morreu – o menos cruel a se pensar naquele momento – ele o criou como seu filho. Em certo dia, quando os ventos do mar se tornavam poderosos demais, e a colheita da aldeia em que viviam iria ser destruída, nem Markus e seus poderes não conseguiriam deter as forças daquele tempo sinistro. E nesse pandemônio que estava à vida do clérigo de Zeus, o jovem Tom havia sumido. Para onde o pequeno rapaz, que nunca causou problemas teria ido? Será que os ventos que o trouxeram agora o tomaram de seu pai? Se for assim isso seria um choque duro demais para o sacerdote do Imperador dos Trovões. Que fosse a vida dele e não a de seu filho a ser tomado por essa tormenta! Só que ao procurar por todos os lugares, um aldeão encontrou o garoto próximo a um precipício com os braços estendidos. Seu pai foi ao seu encontro e pediu para que ele não saltasse dali, que a colheita seria reposta depois de algum modo. Mas o garoto respondeu que não estava tentando se matar e sim falar com os espíritos do ar que brincavam ali. E então ele pronunciou:
-O Pai de Tudo que Viaja em Tuas Nuvens, Senhor das Estrelas e do que Paira no Céu, Dono dos Raios e Trovões, tem piedade de mim e de teus filhos que mantém as tradições antigas com respeito e dignidade. Nossa colheita deve sobreviver assim como o povo de sua aldeia, agora manda teus filhos mais travessos pararem com isso, para que sacrifiquemos nossa primeira parte da colheita em teu nome. Quem fala é um de seus filhos mais ardorosos.
Nesse mesmo momento, as nuvens se dissiparam, as águas retrocederam e qualquer vestígio de tempestade sumiu daquele lugar. Tom olhou para Markus simplesmente falando ao pai como se fosse à coisa mais comum:
-Nosso Pai nos escutou. Zeus nos escutou!

Bons tempos haviam se passado, e o garoto Tom deu lugar a um poderoso clérigo. Ele era tão bom com a espada, quando com a lança. Seus poderes cresciam, mas nem tanto quando naquele impressionante dia da tempestade. Mesmo assim, ele era hábil em aprender os caminhos da magia divina. Fácil seria a palavra mais apropriada. Seguiu seu pai, trilhando o caminho da adoração a Zeus.
E no dia se sua partida todos os aldeões estavam o olhando com certo ar de saudade. Ele era muito querido por todos. Mesmo sendo tempestuoso demais.
-Bem amigos o norte do mundo me chama. Afinal é para lá que meu coração esta mandando ir e propagar a fé no maior dos Imperadores.
-Não vá Tom – disse um dos aldeões com ar de saudades.
-Mas eu devo ir meu amigo. Para auxiliar aqueles mais desafortunados.
-Na verdade estava só querendo meu dinheiro de volta!
-Praga de trovões – falou o clérigo.
Após isso, seu pai adotivo bateu com um cajado em sua cabeça. Nunca gostava de ver Tom praguejar; E sempre o punia rapidamente.
-Para onde pretende ir meu filho?
Ele então sorriu para Markus.
-Vou para terra onde antes havia homens que pilhavam e destruíam sem distinção, usando os mares como suas estradas e rotas de fugas. Para o extremo norte desse muno.
Alguns se espantaram, mas outros diziam que isso só poderia ser coisa de um bom e velho Tom.
-E a pedra meu filho? Esta contigo.
-Sempre meu pai. Mesmo porque eu também não consigo me livrar dela.
Aqui será necessária uma explicação: quando o jovem Markus encontrou seu filho, junto a ele estava uma pedra com propriedades arcanas. Era simples como parte de uma pequena rocha, mas ainda possuía um formato quase oval. O sacerdote de Zeus a levou junto ao recém nascido. Certa vez, ele tentou separar a pedra do garoto. Qual não foi sua surpresa ao perceber que o item sumira num piscar de olhos e voltará para as mãos da criança. Anos se passaram e nada de concreto foi obtido sobre o item a não ser que era um artefato interessante. Mesmo Tom tentou se livrar dele, uma vez ou outra, o que terminou com cenas hilárias, como uma pedra voadora que acertou sua cabeça criando uma imensa concussão.
-Talvez, não sei o motivo, mas talvez em algum lugar distante exista a resposta sobre minha origem. E dessa pedra maldita.
-Sei por experiência que você pode ser um pouco afoito, mas é sábio em suas decisões. Vá, parta meu filho. Que o céu de Zeus esteja sempre limpo em seu caminho.
-Ele estará. Pelo trovão ele estará. Adeus meu pai.
-Adeus meu filho.
E tom começou a caminhar pela estrada que ficava próxima a uma pequena e singela plantação. Só que antes de partir, ele tentou jogar a pedra mais uma vez no ar. A pedra voltou diretamente para sua mão.
-Por mil almas do Tártaro! Quando vou me livrar de você coisinha incomoda?
Foi assim que Tom Drake Harem caminhou em direção a uma aventura a qual, outros heróis já haviam se entrelaçado.

Um dia havia se passado desde que houve o combate contra Lucian e os membros do Pacto de Guerra. Todos estavam bem. E estranhamente, Lacktum esboçava um belo sorriso. Não parecia incomodado com a traição da meio elfa, nem com o fato do mago que tanto caçou ser seu irmão bastardo. Sua mente estava concentrada em partir para onde Alexander exigisse que fossem.
Para conseguir abrir o portal do templo seria necessário um grande gasto de mana. Com Nico ali, isso foi mais rápido do que muitos esperavam. È notório que dragões são grandes arcanos por natureza. O que contribui para que muitos os venerem e os temam.
Thror e Gustavo arrumavam as armaduras e tentavam manter elas o mais limpo e utilizável possível. O que era difícil visto que já estavam altamente danificadas pelos repetidos golpes que sofriam em combate. O punho do estranho monge oriental ainda machucava sua barriga, pensou o guerreiro grego.
Arctus orava. Sua fé não parecia abalada, mas duvidas surgiam em sua cabeça. Em alguns momentos, ele culpava o dragão por pensamentos tão pouco confiáveis sobre seus mestres da Santa Sé. Dizia a si mesmo que eles se deviam a alguma bruxaria dele. Só quando se concentrava demais, pensava no mais lógico: aqueles pensamentos já estavam lá mesmo antes da criatura surgir em suas vidas. Pensamentos que refletiam no que o teria feito partir nessa cruzada pelos artefatos. Sua mente estava confusa.
Só Seton parecia muito calmo. Na verdade não calmo, mas sim sonolento. Estava tirando uma pequena soneca.
O mago inglês que conseguiu energizar a esfera central do templo gritou tirando todos de seus afazeres.
-O que? Hã? – fez Seton que pareceu perdido pela atitude do colega mago – Qual o motivo desse grito?
Lacktum que tinha Valente no seu ombro respondeu prontamente debaixo da estrutura:
-Terminei de energizar a orbe do templo. Partiremos daqui a pouco. Pegue seus equipamentos mais essenciais.

Após todos estarem prontos, foi novamente um momento de despedidas. Alexander e Fiel iriam deixar o grupo.
-Bem meus caros humanos – disse o cão guia Alexander – aqui que nos despedimos de vocês.
-Muito grato cão. Nunca me esquecerei de vocês. Vão para onde? Avalon?
Alexander olhou para Nico, agora já na forma humana novamente, e disse que não. Altair havia os instruído a ir para Arcadia, o reino élfico que se localizava perto da Grécia já que havia coisas sinistras ocorrendo em Avalon. Ele não poderia explicar o que era, pois ainda não havia provas suficientes. Isso deixou a cabeça de Lacktum e Arctus confusa. Mas compreendeu que tudo se revelaria com o tempo. Nada de tentar descobrir coisas com a qual não possa lidar.
-Bem todos contados e presentes? – disse Nico falando em tom de brincadeira.
-Só mesmo Caça-Trufas que sumiu... – falou o pequeno e triste, suricate. Ele ainda acreditava que o colega medroso estava vivo, fosse lá onde estivesse.
-Bem então vamos – falou o líder dos Dragões da Justiça. Agora parecia que esse título tinha mais sentido. Ele se sentia forte para levá-los a qualquer lugar. Talvez fosse a presença de Nico, mas ele queria acreditar que não. Era que o fato que agora ele se sentia parte deles. Mesmo após a traição e as reviravoltas – não somente em sua vida, mas de todos os membros do grupo – eles eram um símbolo que deveria perseverar custasse o que custasse.
-Adeus meus jovens amigos, que Ixxanon os proteja – disse o dragão dourado.
-O mesmo me digo dragão Ikkanon – falou o mago, antes de acionar o portal – Axis mundi!
E com isso, um grande vórtice de energia de tom azul, mas que parecia ser formado por eletricidade, tocou cada um deles. Isso foi pouco a pouco fazendo que cada membro da comitiva sumisse, até que o arcano que evocou tal efeito fosse o único sobrando. Então, até ele desapareceu.
-Me diga, nobre Ikkanon vai para onde? – perguntou Alexander.
-Eu vou atrás de Halphy, mas acho que vai ser complicado, pois para isso preciso enfrentar Zacharias eu acredito.

Os jovens se sentiam como se tivessem passado por um sonho. Isso se devia ao fato que quando abriram os olhos não estavam mais na frente do lugar conhecido como Portal de Ixxanon, e sim de uma vila horrível e com um céu nublado, pouco convidativo. As casas estavam todas fechadas e pareciam ter olhos em cada fresta de porta ou janela. Eram olhos temerosos e com certo ar de pavor recente. Os jovens sentiram algo assim, mas não com tamanha intensidade. Não era mais uma sensação de sonho e sim de pesadelo.
-Onde diabo está todo mundo dessa cidade? E onde nós estamos – falou Gustavo irritado.
-Não use palavras tão feias Gustavo – disse Lacktum sarcástico – Mas verdade seja dita, não reconheço esse lugar. Não se parece com a Inglaterra. Nem com nenhum outro lugar que conheço... E estamos no inverno lembram e vejam seus pés... Terra fresquinha... Meio queimada, mas sem nada de neve.
-Verdade seja dita: parece que o lugar foi carbonizado pelo sopro de um dragão – falou um espantado Arctus.
-O que acha Thror? – perguntou Lacktum sabendo que o guerreiro era perito em certos assuntos.
-Não sei tanto de criaturas quanto você mago. Mas se pudesse dizer, afirmaria que aqui houve um combate.
-Combate? Certeza?
-Sim. Vejam – apontando para alguns pontos distintos ali – Há partes que estão cheias de marcas de pés, além de chamuscados e até mesmo terra revirada.
-Muito bem guerreiro – disse Gustavo.
Os aventureiros começaram a ir à direção da vila diminuta que nem sequer possuía um templo ou igreja. Eram estranhos os olhos por entre as casas. Pareciam querer ver as almas daqueles homens por medo. Mas ainda assim possuíam força para combater caso fosse necessário.
Enquanto passavam por ali, Gustavo perguntou a Lacktum:
-Quem é que devemos encontrar aqui? Alias, nem sabemos onde estamos!
-Se acalme paladino, pois Alexander me falou que aqui nessa cidade havia uma pessoa que me informaria onde esta o nosso alvo.
-Teremos que matar alguém?
-Não. Mas usei o termo alvo, pois ficava mais bonito. Olhe ali...
De repente, um único homem, segurando um instrumento de agricultura como se fosse uma arma, surgiu na frente da casa. Ele parecia ser o mais bem protegido por uma armadura. Isso, pois usava uma defesa quebrada e remendada. Seus pés estavam descalços.
-São amigos da bruxa?
-Bruxa? – disse Arctus rapidamente e com certa raiva nas palavras.
-Não finjam que não sabem. Usam poderes e armas estranhas. Com certeza devem ser...
-Meu caro, - falou Arctus com autoridade – juro que somos de boa índole. Deus nos protege mais do que imagina – ao falar isso, Arctus mostrou seu símbolo sagrado - E essa tal bruxa, saiba que se for realmente guiada pelo mal talvez possamos fazer algo contra ela. Eu sou um servo de Deus.
-Padre? Certeza? Parece mais com um guerreiro mercenário!
-Ora... – e quando ele iria golpear o camponês com sua maça, eis que foi detido por Thror.
-É verdade – disse Gustavo – Que os céus caiam se Arctus mente meu senhor. Diga-nos onde esta a tal mulher a quem chamam de bruxa?
Aquele homem então com o objeto de agricultura apontou na direção de uma estrada mal cuidada, e em que a grama parecia um pouco maior que o normal. Lacktum reclamava que teria que andar por aquele caminho inóspito, mas muitos já tinham certeza que era por conta da preguiça de querer passar por um caminho tão cheio de plantas.

Eles haviam chegado a uma casa depois de um longo caminho pela estrada. Era escura e parecia que possuiu vida naquela floresta há muito tempo. Mas muito tempo mesmo. Como se as forças que controlavam o bem ao redor da estrada fosse mais que qualquer coisa, banido dali para sempre. Como um sonho que nunca mais retorna a nossa mente, como uma sensação que se perde do coração quando perdemos a quem amamos. Seja para o bem, ou para o mal.
Muitos ali sabiam como era e não gostaram do que sentiam.
Longe, viram uma cabana, pequena e feia. Pelo menos parecia confortável. De sua pequena e singela chaminé saia uma fumaça pequena e convidativa. E a frente, notavam que havia uma mulher, ao que parece.
-Será ela a bruxa? – falou Seton.
-Talvez, mas não vá perguntar isso – falou seriamente o mago inglês.
-Por que não? – perguntou um curioso Thror.
-Senhorita, por acaso é a bruxa que estamos buscando desde que saímos da ilha mística de Avalon e passamos por toda a Inglaterra, perseguidos por criaturas do mal? Pergunta muito sensata – Lacktum proferiu isso sarcasticamente, mas com certa acidez na voz ao guerreiro grego.
-Hum! – o soltou em resposta Thror.
Então se aproximaram dela o suficiente para uma conversa simples. Viram que usava uma saia branca, um tanto surrada pela sujeira de um campo, com certeza. Mesmo assim parecia extremamente bela. Não havia sequer um sinal de velhice.
-Senhorita, nós...
E antes que pudesse terminar a frase Lacktum foi atacado e ferido em um ponto fatal de seu corpo. Não o matou, mas rapidamente fez jorrar sangue da ferida como um enorme jato de água. Isso ocorreu, pois escondia uma espada curta debaixo da saia com tiras de couro presas a perna.
Em seguida, em retaliação, Thror foi direto ao combate. Sacou sua espada e escudo assim partiu com tudo para contra ela. Qual não foi seu espanto, quando notou que a jovem desviou de seu golpe quase que dançando e ainda por cima, com um leve toque no punho dele, fez com que a espada longa do grego caísse. Ele ficou furioso com o acontecido.
Arctus lançou uma magia de forças divinas contra a desconhecida. Mas, novamente, ela surpreendeu a todos refletindo a magia em Arctus que ficou desacordado no chão. Quando viu que seu mais querido amigo teria tombado diante daquela mulher Gustavo gritou de raiva:
-É você a bruxa que buscávamos! – esbravejando isso, o paladino soltou sua espada com a máxima força de sua lamina. E novamente só com um toque suave de sua mão livre ela segurou a espada de Gustavo e disse:
-É até desperdício usar magia contra vocês, mas o farei mesmo assim. Troveje!
Nesse instante, ela parecia uma tempestade já que sua mão era um ninho de relâmpagos que se conduziam a arma de Gustavo. Este por sua vez, gemia com a dor provocada pela poderosa magia de outrora. Não parecia ser tão forte assim aquela magia pensou Lacktum, mas ela a tornava. Foi o que pensou o arcano.
Lacktum, sangrando muito, tentou soltar uma magia em direção a ela. Só que a surpresa foi que ela o golpeou com uma boa seqüencia de chutes – dois no peito e um no rosto – enquanto tomava impulso para pular contra Thror que mal conseguia se preparar para o próximo ataque.
-Mas que?! – nesse momento, o guerreiro grego que havia acabado de pegar sua arma, a soltou. Porém, não foi por um golpe de desarmar, mas sim por um poderoso ataque que fez jorrar sangue contra ela. A tal mulher não se importou com isso. Na verdade estava acostumada ao que parecia.
Ele até mesmo pensou em ir para cima dela novamente, mas foi detido pelo grito do líder dos Dragões da Justiça:
-Pare Thror!
-Ora qual o motivo disso Lacktum?
-Olhe para a mão vazia dela!
E quando Thror fitou a mão vazia dela, notou que lá havia uma grande e poderosa esfera de puro poder. Maior que o mago do grupo conseguiria conjurar, talvez até mesmo o dobro. Aquilo era a maior bola de fogo que um ser humano poderia fabricar até então pensaram aqueles que tinham conhecimentos arcanos. Ela dissipou a magia, com a mesma facilidade que a conjurou.
Lacktum caiu ao chão. Seus cortes e machucados eram tantos que não conseguia manter-se de pé. Ele estava cansado e deitou no chão sujo. Foi quando a mulher pisou em sua mão.
-Argh!
-Ah coitado do Van Kristen! Pensei que ele estivesse acostumado com dor!
-Praga! Alexander não nos mandou para uma bruxa, mas para um diabo! Qual o motivo de nos fazer sofrer?
Ela riu e ficaram evidentes as orelhas pontudas de um elfo embaixo dos cabelos castanhos. Com olhos sádicos, mas ainda assim muito convidativos ela disse:
-Serei eu que os treinará contra Sinestro e seus asseclas, pois já tive o sangue dele correndo em mim. Muito prazer sou Iliana Brown, a avó de sua amiga Halphy Brown. Muito prazer novamente!
-Halphy... Juro que se isso foi uma armação sua eu te pego onde estiver! – praguejou o arcano de cabelos de fogo.
-Pare com isso garoto. Não deve competência de se proteger de Halphy e acha que vai sobreviver a mim? Não me faça rir...

Ela estava em outro lugar. Cercada de ruínas de um velho, mas outrora, majestoso castelo. Era poderoso em sua época de glória alguns pensariam. Mas era hoje em dia um lugar que atraia espíritos maus. Metafórica e literalmente falando. Parecia que cada sombra dos escombros daquela estrutura pularia contra ela com garras afiadas. E houve um momento em que ela jurava que uma delas parecia passar por sua perna, como a mão de um morto faminto...
-Esse é o lugar mesmo? – falou um pouco apreensiva a jovem meio elfa
-Sim tenho certeza – respondeu friamente o mago mascarado – Algum motivo para se sentir apreensiva?
-Ah nada, é maravilhoso o lugar. Sinto-me tão bem, como se qualquer nesse lugar quisesse me matar...
-Não se desespere minha cara flor de espinhos... Logo será um lar para você...
-E um caixão também não é?
-Isso só você poderá responder. Mas devo confessar que sua frieza ao encarar os Dragões foi formidável. Pena eles terem fugido graças a Nico.
-Aquela coisa do tamanho de um castelo que brilhava era Nico? Huuuuuum que coisa interessante...
-Sim, eu mesmo constatei com as magias que ele usou para chegar até ali. Pareciam carregar uma grande aura arcana, mas raros são feiticeiros que possuem esse tipo de poder. Só poderia ser um dragão.
-Olha, pensei muita coisa, mas um dragão confesso que me surpreendeu.
-Realmente, até mesmo para mim isto foi um choque.
-Deve ter sido... Mas me diga quem tanto esta nesse castelo dos infernos?
-Não trate essa construção como algo profano minha cara – e disse isso enquanto andava em direção ao portão – Essa será a sede de um novo mundo. Um mundo controlado por nós do Pacto de Guerra. E com isso traremos a paz que esse mundo precisa.
-Acredito muito nisso.
-Por qual motivo desdenha de nossas metas?
-Pelo mesmo motivo que odeio a maioria dos homens. Pois mentem! Olhe você busca vingança. Yue Khan e Augustus são contratados pelo nosso mestre. Nem sei o motivo de Mallmor, mas conheço um mentiroso quando o ouço com dez ou mais palavras. E por ai vai. Vocês não me enganarão. Diga-me, qual a idéia de nosso mestre? O vovô esta fazendo o que?
-Pergunte para ele. Afinal, ele possui um laço de sangue com você. Não comigo.
Antes de subirem as escadas Halphy se deu conta de um fato.
-Ah sim, acabei de me lembrar... Quem me vigiava? – disse ela com uma face perversa.
-Como? – soltou um falso e sarcástico o homem a sua frente.
-Não minta para mim mago morto. Acha que nunca desconfiei de alguém me vigiando para me delatar ao grande Sinestro? Ele sempre sabia para onde iríamos, caso contrario seriamos atacados com mais rigor enquanto atravessávamos a ilha! Pensa que me engana? Seu mestre sim, você nunca!
Kalic olhou com reprovação, mas ainda assim, um tanto admirado com as atitudes daquela fealith. E então ambos viram Mallmor, que parecia trazer consigo uma mochila que se movia em suas costas. Bem estranha e bizarra era o seu movimento. Sem aviso, o anão soltou o conteúdo no chão: Furta-Trufas!
-Furta!? – falou a jovem espantada mostrando até mesmo certo sinal de receio pelo animal estar ali e fitou o mago – O que ele faz aqui? Sei que podemos ter que eliminar os Dragões da Justiça, mas me nego a matar um ser como ele. Sem culpa nenhuma!
Os três – Kalic Benton, Mallmor e o próprio Furta-Trufas – começaram a rir freneticamente. Então, o pequeno animal começou a se decompor diante de todos. Parecia que seu focinho havia se tornado um nariz cheio de verrugas, seus olhos tomaram mais expressão de algo quase humano, suas patas pareciam agora cobertas por diminutas botas, sua cabeça cheia de pelo antes, agora estava careca e seus dentes pareciam um amontoado de presas mal colocadas na boca, mas afiadas.
Quando a transformação foi completada, o ser tomou a forma de um duende. Isso era obvio pelo pouco que a jovem Halphy conhecia. Ela suspirou de alivio, mas começou a temer por si. Ele era o espião de Sinestro.
-Vejo que ainda possui muito do que chamo de fraqueza dos homens. Seus sentimentos não podem ficar a vista garota. Caso contrário, não será digna de encarar lorde Sinestro. Ele é perigoso e extremamente poderoso minha cara e sabe o que se passa nas almas dos humanos.
-Mas eu não sou humana! Sou uma meio elfa...
-Parte humana – quis insistir o mago mascarado.
-A maior parte élfica – ela soltou já um pouco nervosa.
-Tudo bem, tudo bem – disse Mallmor, apaziguando os ânimos – De qualquer modo, estamos todos juntos agora. Para deter os Imortais Esquecidos.
Halphy ergueu uma sobrancelha de espanto.
-Vamos enfrentar os Imortais e não os Dragões?
Kalic olhou serio para a jovem.
-Os Dragões são só mera distração se formos pensar, com exceção de Lacktum, mas isso é pessoal. Os Imortais podem se tornar um estorvo pelo que me passaram um homem de extrema importância no nosso circulo interno. Seu nome é Zacharias. Você o conhecerá bem...
Ele então começou a entrar, assim como o duende que não conhecia o nome. Mallmor caminhava quase que entrando ao mesmo tempo em que a jovem Brown pelo portão principal da ruína em forma de castelo. O portão era negro e cheio de detalhes em forma de dragões e cavaleiros, como se ali antes fosse um lugar em que se caçava esse tipo de criatura. Visto que todos os desenhos pareciam com bravos guerreiros com armas típicas para isso. Era um lugar sinistro agora, cheio de maus fluidos e impressões. Mallmor fez um gesto no portão para Halphy de modo cavalheiro, mas antes disse:
-Um ninho de cobras venenosas.
-Como? – soltou Halphy espantada com as palavras surgidas dele.
-Minha cara senhorita, onde vai entrar é um ninho de cobras. Se prepare, pois caso contrário o veneno que irá lhe tomar será demais para sua vida. Acredite, eu sei.

Nesse instante, Halphy viu Mallmor fechar o portão, e com isso escurecendo – talvez – todas as chances de fugir daquele lugar de sombras. Seria mesmo aquilo que ela queria? Ela teria que descobrir sozinha.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

(EXTRA) Pensamentos em uma Caixa Cinza 10


Pisando na lua

Eu fico até meio bobo de me lembrar quando lhe vi daquela vez que saímos.

Aquela camisa branca e o jeans azul da cor do mar, já eu com a camisa manchada.

Que você nem comentou, mas eu falei para parecer mais bobo e descontrair.

Mas você meu antigo anjo sem asas me fez rir depois de anos que não sentia a vontade fazer isso.

E quando subia os morros sem tocar o chão seu nome era a única coisa na minha mente.

Eu me lembro até hoje a sua voz na minha mente, os trejeitos do anjo caído que você é.

Quando eu quis caçar estrelas para ti, enquanto caminhava pela lua utópica que você me fez acreditar.

Peço a estrela cadente que você me volte como uma luz, segurar minha mão.

Eu acredito que exista amor por mim nesse mundo.

Mesmo que seja difícil você crer.

Eu te mostrarei que sim.

Mostrando as coisas frágeis dessa vida


Dedicado a Belisa Débora Machado

Chovendo

Você não acredita, mas eu vejo azul para ti
Mesmo que me chame de falso ou dissimulado
Eu quero que essa verdade entre no seu coração
Mas você aceita tudo como mentiras
O meu coração é seu, só procure direito como eu lhe amo
Não quero lhe ferir minha doce criança pálida
Que mais parece um espírito da minha juventude
Aceito que você pisoteie as flores
Pois o ódio é só uma face amarga e tola do amor
Existe algo em mim que nunca perderá você
Dedicado a Camille de Souza Caruso

O que Delírio vê com seus olhos desiguais?

O dia nublado, cheio de pequenos pedaços de sol tocando o chão como pedaços de marshmallow.
Eu levanto com tanta dor maravilhosa que começa a machucar meus olhos que se encontram no estômago.
Ando pela avenida, com pernas em minha cabeça cheias de problemas de matemática que podem ser resolvidos por Freud.
Ando com um monte de zumbis e anjos na cidade que me deixam enjoado pela carnificina e o cheiro de galinhas.
Quero só viver sem ninguém me enchendo a paciência só por pentear meus cabelos com meu cutelo de cortar carne.
E ver os peixes dançando no ar junto com as borboletas em pleno ar de inverno.
Ah, como é lindo procurar as trevas na luz forte.
Dedicado a Camilla Campoi Sobral


Cabelos negros de cerejeira

Eu sinto teus cabelos entre os nossos cheiros


Eu sinto teus dedos pela minha espinha

E como ela se ouriça quando toca minha nuca



Os banhos não são mais os mesmos


Os toques ásperos e marcantes de tua pele

E aquela febre que precede o prazer

O temor de ficar nu em pelo


Que se dissipa ao ver seu rosto entre os cabelos

Sentindo minha cabeça entre seus seios

E nada mais, nem pensar mais


Dedicado a Crislene de Oliveira Lima

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

(EXTRA) Os motivos dos nomes dos capítulos

Cada capítulo de Contos tem sua razão de ser. Quase sempre inspirados em nomes de músicas, ou de banda, passando por animes ou até frases ao vento. Essa é a explicação para cada parte dessa saga. Cuidado: SPOILERS!


Volume I
Livro I
Através das Colinas e Muito Mais Além (Nightwish – Over the hills and faraway) - Entre os trechos da música que me fez conceder esse título ao livro temos esse em especial, se dedicando a Lacktum em especial:“Através das colinas e além / Ele jura voltar um dia / Longe das montanhas e dos mares, / de volta aos braços dela ele jura que estará. / Através das colinas e além.”
O Céu é uma mentira (Lacuna Coil – Heaven’s a lie) – Essa parte se refere ao jovem Van Kristen. Mostra o pouco caso que ele possui com a fé cristã:
“Me liberte, seu paraíso é uma mentira / Me liberte com seu amor, me liberte yeah.”
Despertar (Judas Priest – Awakening) – Eu sinceramente peguei mais essa música por conta que imaginei o despertar de Sinestro com essa música. Só essa parte tão curta, mas boa.
Uma nova saga começa (Rhapsody of fire – A new saga begins) – Quando se começa uma partida de RPG, essa letra de música, para o que um jogador e mestre sentem no instante em que começam uma partida. Apesar de que a letra deve ter um sentido de alguma história diferente que a banda  Rhapsody of Fire quis falar.
“Eles são a última esperança. / Para homens, dragões e anões. / Espíritos da floresta. /(...)/ Na escuridão deixando luz. / Para encontra a ordem negra. / Rimas escuras imortais. / Para encontrar as palavras escritas.”
“Eu sou um passageiro...” (Siouxsie and the Banshees – I’m the passenger) – Eu prefiro essa versão, pois sempre me vem na cabeça a voz da vocal em uma viagem sério.
Pesadelo (Nightmare) – O nome dessa banda já me inspirou. É uma banda de j-rock que já fez músicas temas para animes como Claymore e Death Note.
Escuridão do desconhecido (Kingdom Hearts II – Darkness of the unknow) – A música é uma das poucas instrumentais dessa leva que foram à base dos nomes dos capítulos. E achei boa para os personagens, devido às visões que tiveram aqui.


Livro II
Preto e Branco (Static-X – Black and White) – Essa parte do livro estava realmente confusa na minha cabeça. Eu uni a letra forte, o ritmo pesado pra caramba e as cenas de combate que foram mais pesadas nesse ponto para imaginar o que seria escrito no Livro II.
Perdendo sua mente. / Perdendo sua mente. / Esta embaçado. / Esta derretendo. / Sua alma em chamas. / Está preto e branco.”
O Rei dos cães (Iggy Pop – Rei dos cães) – Essa música é muito boa, mas o que importa é mais a letra. Às vezes eu lia literalmente o conteúdo das músicas ou algum trecho em especial. Mas quando ele fala, Eu sou mortal significa que ele é perigoso.
“Eu sou mortal. / Porque eu sou o rei dos cachorros. / Eu estou pendurado para fora, onde os espíritos habitam. / Eu posso sentir o cheiro das coisas que você não pode.”
A pequena mostra de paz (Final Fantasy 7: Crisis Core) – Eu sempre curti jogos de RPG em videogames (aqueles que tem um fim!). Por isso sempre adorei Final Fantasy. O primeiro ao qual fui apresentado foi o 7. E como muitos fãs até hoje adoro essa versão. E quando vi as músicas de Final Fantasy 7: Crisis Core para PSP duas delas me agradaram. Essa pela paz que transmite e uma felicidade que parece que vai acabar algum dia.
Sem medo (Lacuna Coil – Without fear) – Eu sou um grande fã de Neil Gaiman. Em especial, como a maioria começou lendo ele através de histórias em quadrinhos de Sandman... Eu também o fiz. Hoje em dia tenho livros dele como Coisas Frágeis (1 e 2), O Oceano no Fim do Caminho e A Comédia Trágica OU a Tragédia Cômica de Mr. Punch. Mas me sinto conectado especialmente com a personagem mais cheia de vida dele: Morte. Quem lê a história notará isso. Por isso peguei exatamente essa parte da letra. Lembra-me um adeus. Bem fúnebre. E poderão notar que adoro Lacuna Coil.
“Aqui estou eu. / Me entrego a você sem medo. / Distâncias invisíveis. / É inevitável, elas sempre serão um adeus.”
Vivendo em uma prece (Bon Jovi – Living in a prayer) – Bon Jovi, acredito que hoje em dia deva ser um cara bem religioso. O sentido dessa letra tem para mim, um pouco dessa religiosidade. Que veio antes dele se encontrar verdadeiramente. O que combinou com o surgimento de Gustavo e Arctus na trama. Cheios de espiritualidade e vontade de mudar, porém, ainda um tanto quanto intolerantes a qualquer outra fé, religião ou credo.
“Oh, estamos no meio do caminho. / Whoah, vivendo em uma oração. / Pegue minha mão, nós vamos conseguir, eu juro. / Whoah, vivendo em uma oração.”
O falso (Sepultura – The false) – A letra não tem nada a ver com o que escrevi. Porém, é uma espécie de homenagem a banda de metal – que na minha sincera opinião – é a melhor do Brasil e que realmente divulgou esse cenário para fora do país. E adoro Andreas Kisser! Nesse caso notem que a letra também pega um pouco dessa idéia medieval, com termos não tão usados como ‘vício do demônio’ e ‘grito de Judas’, lembrando falsidade, traição e tantas outras coisas que surgem nas histórias bíblicas, entende?
“Falso, um vício do Demônio. / Vida falsa, o círculo se abaixa. / Falso, sem o grito de Judas. / Vida falsa, esmagamento minha mente. / Não existe nenhum lamento - Não existe arrependimento.”
Morto ou vivo (Deep Purple – Dead or alive) - Um clássico camarada! Só me que sempre fiquei com raiva do pessoal que só conhece um som deles. Se não é Smoke in the water é Burn. Essa música para mim tem haver com encarar o que esta a sua frente. É muitas vezes uma aposta perigosa. Necessária, porém se você quer viver de verdade, não acham?
Não vire a luz. / Você poderia desenhar uma rainha de espadas. / Não feche a porta. / Você não precisa ser sozinho. / Eu não vou trazer comida. / Pode haver algum veneno em sua carne. / Eu tenho que saber, você está morto ou vivo? / Não feche a porta, você está morto ou vivo? / Morto ou vivo.”
 “Matarei em nome de Mallmor” (Rage Against the Machine – Killing in the name of) – A letra mostra muito da fé cega em alguma coisa. Acredito que ela trate do fanatismo que sinceramente, acho prejudicial em várias religiões. Quis transportar isso para o episódio em que Mallmor surge. Isso se mostrará mais claro em outros capítulos.
“Matando em nome de! / Alguns dos que estão no poder são os mesmos que queimam cruzes. (4x) / Huh! / Matando em nome de!(2x).”


Volume II
Livro III
Cores do coração (Uverworld – Colors of the heart) – Os personagens acabam de sair de uma terrível crise. Agora, porém, se sentem um pouco reconfortados com o curto período em Avalon. E com essa música da banda japonesa, eu quis transmitir, ao mesmo tempo essa angústia e felicidade. Tudo devido às perdas recentes dos jovens.
“Naquele dia, meu coração despedaçou-se em silêncio. / Mesmo que eu grite, as memórias que não podem ser apagadas. / A escuridão passava em meus olhos. / E eu afundo em uma manhã que não terá cores. / Eu procurei sem fim, o dia de reconciliação. / Só por causa dessa perda, eu viverei para o presente. / Até mesmo quando é inútil e eu abraçarei a solidão sozinho. / Se você acendesse as luzes? / Eu brilharei para eles.”
Negro como a escuridão (Darker than Black) – Eu aproveitei o nome do anime, já que ele literalmente é muito bom. Foge das convencionais obras do gênero. É por isso que o adoro. E mais ainda, combina bastante com a mente de alguns personagens ali.
Homem solitário (The Incredible Hulk [série] - Lonely man) – Bem, essa quem já assistiu o clássico seriado que tinha Lou Ferrigno, se lembra da música tocada em todo final de episódio. Realmente, uma trilha bem triste. Eu só precisava saber quem se sentia o homem solitário do capítulo: Lacktum ou Augustus? No final, o episódio mostra que com certeza era o jovem Van Kristen. Pois mesmo estando entre pessoas que gostavam dele, sua vingança falava mais alto.
Inverno novamente (Glay – Winter again) – Essa música, em partes, deve ter sido a sensação do mago jovem ruivo. Se lembrando de tudo que ocorreu por aquelas terras.
“Conduzido pela história, povo calado respira o ar branco. / Quando pequeno, no caminho de volta todo branco e silencioso. / Flocos de neve caindo no meu rosto debaixo das iluminações nas ruas. / Fechados os olhos. / Vejo esse povo superando a vida difícil igualmente aquela época.”
Necrópole (Mongolords [atualmente Skyzoids] – Necrópole) – Eu conheço a galera dessa banda. Afinal, acho que toda a formação deles mora aqui em Santa Isabel. Conheci o Alemão “Tequila” (baixista) através do meu amigo Mário Neto. Depois ele fez faculdade comigo na UnG. Por isso, e o talento deles, peguei amor pela banda. E coloquei o nome antigo da banda nessas músicas temas de capítulos. A letra fala por si só. Os personagens aqui temem os ‘mortos famintos’. O problema que só isso pode ser uma pequena fração do verdadeiro perigo do baronato de Van Sirian, uma terra fantasma agora. Prova disso é o encontro de Lacktum com o fantasma de seu pai.
Obs.: Essa música, se estiver certo, se refere a cidade de Santa Isabel. Maneira bacana de crítica para mim. E você caro leitor? O que acha disso, hein?
“Defuntos canibais. / Zumbis decompostos. / Com presas afiadas. / Irão roer seus ossos. / Com a radioatividade. / Até o ar é Nocivo. / Se estiver com sorte. / Morte rápida é um alívio. / Nas ruas sujas de Necrópole. / Cidade dos mortos vivos (...). / Mortos vivos, Mortos vivos.”


Livro IV
Mestre das marionetes (Metallica – Master of Puppets) - Essa parte do livro merecia um texto pesado, sem dó nem piedade. Então aqui esta essa música épica do Metallica: “Mestre das Marionetes, eu controlo suas cordas. / Retorcendo sua mente e esmagando seus sonhos. / Cego por mim, você não vê nada. / Apenas chame meu nome, pois ouvirei seu grito.”
Coração sangrando (Angra – Bleeding heart) – Um dos momentos de conflito entre os personagens. E para isso, a letra caiu bem para isso. Haverá outros. E espero que gostem de cada um. Apesar de que nem toda a letra cabe nessa parte do livro, não acham? “Sem arrependimentos, a guerra acabou. / O retorno de um soldado. / Ponha minhas mãos no meu coração sangrando. / Eu estou deixando tudo pra trás. / Sem mais esperas.”
Prece dos refugiados (Rise Against – Prayer of the refugee) – Bem, apesar dessa banda não ter tanto haver com o capítulo, essa citação me lembrou a condição dos refugiados naquele lugar. “Nós somos os irritados e desesperados. / Famintos, e frios. / Somos aqueles que ficam calados. / E sempre fazemos o que nos é mandado. / Mas nós ficamos suando enquanto você dormia calmamente. / Na segurança de seu lar. / Nós estávamos puxando os pregos que seguravam. / Tudo o que você sabia.”
Última aliança (Last Alliance) - Eu peguei para escutar essa banda como referência do capítulo, pois imaginei o grupo invadindo o covil da prole de Argos ao som das músicas deles. Parece estranho em alguns pontos, mas em outros, o som é bom demais como A burning bullet, Hekireki e por ai vai. O melhor é uma das aberturas de Hajime no Ippo.
Matando o dragão (Dio – Killing the dragon) – O melhor CD (em minha opinião) do poderoso e já falecido Dio. Uma verdadeira tragédia para o mundo do metal. Então, como homenagem, (que se me lembro morreu quase na época do meu aniversário) dediquei essa parte a essa obra do ex-Black Sabbath, mas eterno “Dio” do metal.
A ilusionista (Scar Simmetry – The illusionist & Scalene – Ilusionista) – Leiam os dois:
Scalene: “Acordei, senti-me. / Como quem há dias não. / Sorria, não via redenção. / Me virei e descobri. / Que não estava lá. / O que eu prometi. / Nada que me trará / Mais do que eu já vi. / Sem ação procuro / Como sem sentir gosto. / Sonhos, nulos / Preso em vão.”
Scar Symmetry: “Premonições chamam meu nome. / E uma vez duvidando quando todos eles vieram. / Agora que eu estou nos braços disso eu nunca mais serei o mesmo.”
O que acham?
“Me diga o porque” (Penpals – Tell me why) – O legal dessa música é o sentido do inconformismo do refrão. Isso deixa claro que os Dragões da Justiça estão bem confusos na mente sobre o que ocorre nas suas vidas. Afinal, uma traição não é algo fácil de superar. Lembrando que essa música é de Berserk, e parte da história se inspira em animes como esse. Nada mais justo que colocar uma música de obra tão boa! “Não ter vergonha da aparência. / Não importando o que eles dizem. / Até mesmo lhe mostraria alternativa. / Então ponha seus óculos. / Nada será errado. / Não há culpa, não há fama. / Depende de você. / As primeiras palavras deverão ser achadas. / O que quer que lhe impeça. / Eu posso, eu posso tirar”


Volume III
Livro V
Eu desejo um anjo (Nightwish – Wish I had a angel) – Esse livro e volume tratam em especial de Lacktum e suas vontades que podem lhe levar a loucura! Quem não deseja um anjo para si. Eu mesmo sempre coloquei C., K., e B. como meus anjos. Que coisa... Como sou triste não é? Eu em certos pontos me reflito nos personagens desse livro. “Eu desejo ter um anjo. / Por um momento de amor. / Eu queria ter o seu anjo esta noite. / Fundo dentro de um dia que morre. / Eu dou um passo para fora de um coração inocente. / Prepare-se para me odiar, caia quando eu puder. / Esta noite vai te machucar como nunca aconteceu antes.”
Depois da escuridão (Asian Kung-fu Generation – After dark) – Esse trecho me lembrou claramente a sensação deles. Os personagens deveriam estar assim: abalados com um mundo podre que lhes surgiu. Mesmo assim, prontos a lutar com que esta por vir. “As esperanças efêmeras que o vento noturno transporta. / Conseguem chegar até onde? / Para poder rejeitar isso, / o mundo sacode e, assim, tira tudo que nele está. / Se não passa de um sonho, eu já estou acordado. / No entanto, nós ainda estamos progredindo. / Sem precisar realizar nada. / Comecei a flutuar enquanto me balançava para tentar acabar com a preguiça do meio do dia. / Vou voar até observar o mundo de cima de uma nuvem recém formada. / Um odor de sangue transborda na esquina mais distante da rua / Como se eu ouvisse alguém chorando em toda a parte.”
Para o outro lado das paredes da Morte (Lluvia Funebre – To other side the walls of death) – Eu não consegui achar a tradução dessa música (que eu não sei se é Argentina ou Mexicana), mas que é de metal. E como gostei desse titulo rapaz! Acertei em cheio. Como uma luva.
Sinta o vento (Janne da Arc – Feel the Wind)Sempre gostei muito dessa banda. E nem coloquei tantas músicas de j-rock. Em compensação, essa música me fez me sentir bem. Queria pegar mais dessas músicas como inspiração... Mas nem sempre é assim. Uma coisa eu digo: ainda tem bastante metal nessas páginas de Contos do Tempo Perdido. “Eu estou sentindo o vento no céu. / Sem seu amor.”
Heróis de areia (Angra – Heroes of sand) – Já ouviram falar muito mal do Kiko Loureiro e do Edu Falaschi. As pessoas dizem que são metidos. Duvido muito disso. Conversei com gente que teria os conhecido pessoalmente e falaram que são maravilhosos. Tratam super bem quem não enlouquece como uma macaca de auditório. E convenhamos, são tão talentosos que já tocaram com Bruce Dickson (vocal do Iron Maiden) e Tarja Turunen (ex-vocal do Nightwish, e até hoje considerada a única voz feminina da banda). E esse pequeno trecho de Heroes of sand tem tudo haver com as cenas que acontecem aqui.
A besta (Neon Genesis Evagelion – The beast) – Quando essa música toca no anime, pode saber… Algo muito ruim poderá acontecer! Sempre gostei dessa série pois ela revolucionou a era das animações japonesas.
“Não toque a chama!” (Lullacry – Don’t touch the flame) – O sentido na história deve outro caminho. Porém essa letra é tão boa que no final, quase nem percebi. “Mas, por favor, não toque na paixão que queima por dentro. / Isto te manterá a salvo e vivo. / Este memorável beco vazio. / Está repleto do toque de uma paixão. / Abra bem sua alma e deixe o amor entrar. /  Mas por favor, não toque na paixão.”


Livro VI
Desfrute o silêncio (Depeche Mode & Lacuna Coil – Enjoy the silence) – A parte que me fez colocar essa música, tem algo haver com a Halphy mesmo: traição, com quebra promessas, o isolamento dela assim trazendo para sim todas as suas conquistas. Além disso, devemos nos lembrar que agora esse trecho do livro trata do Silencioso.
“Promessas são ditas para serem quebradas / Sentimentos são intensos, palavras são triviais / Prazeres ficam, assim como a dor / Palavras são insignificantes e esquecíveis / Tudo que sempre quis, tudo que sempre precisei, / esta aqui em meus braços. / Palavras são muito desnecessárias. / Elas nos causam desgostos.”
Ambição profunda (Resident Evil 5 – Deep ambition) – Essa música é o tema da batalha contra Wesker. Toda vez que a escuto – o que foram poucas vezes – parece que me lembra alguma cena clássica do Batman feito por Michael Keaton. Que por sinal não é tão ruim assim. Mas o legal mesmo é a cena de combate contra esse personagem clássico da série de jogos de tiro. Hoje em dia nem conseguimos ter medo de uma história como essa, só que ainda é um clássico dos games. E uma série tão famosa merece o devido respeito. Assim como essa parte da história.
Chama gélida (Chrono Cross – Frozen flame) – Com uma música instrumental, baseada em um artefato. E com um estilo que traz bastante emoção no decorrer dela, fez com que surgisse em mim uma vontade tremenda de criar cenas legais.
Cavaleiros na tempestade (The Doors – Riders on the storm) – O clima após os acontecimentos de Chama Gélida deixaram o clima, já tenso entre os membros do grupo pior. Eles estão em conflito entre si. E uma reviravolta na história e um segredo são o estopim de uma nova situação. “Nessa casa nascemos. / Nesse mundo fomos jogados / Como um cachorro sem osso / Um ator vivendo de aluguel. (...) O mundo depende de você. / Nossas vidas nunca vão acabar...”
“Meu coração é seu coração” – Talvez o único episódio baseado em uma frase que soltei certa vez. Eu me lembro que queria muito voltar a um relacionamento (coisa bem comum pra mim) e pensei enquanto deitado na minha cama “meu coração é seu coração”. Querendo representar que queria sentir tudo o que ela sentia. A raiva, a tristeza, a calma, os medos, a alegria, entre outros.
Caçador e presa (Angra – Hunters and prey) – Bem, uma banda nacional seria uma boa pedida. E quem melhor que os caras do Angra para fechar essa parte do livro? Eu me lembro de ver um show deles via Youtube. Nessa parte, Halphy descobre que será usada nos planos de Sinestro. Além de ter a confirmação de que Jean morreu. “Morra ou mate. / Esconda-se no campo. / Olhos percebendo. / Caçando a presa, / no Paraíso. / Ninguém saberá / Segredos da sua alma.”


Livro VII
Herança gélida (Lacuna Coil – Cold heritage) – Nesse trecho não sei se Halphy realmente estava se arrependendo de tudo que fez, mas é uma boa música para se imaginar isso. Além do nome que lembra a herança que ela ganhou. “Perdoe-me (3x). / (...) Eu sinto que só preciso de sua voz. / E estou sozinha aqui dentro de mim, bem dentro de mim. / Acredite na luz em mim. / E estou sozinha aqui dentro de mim. Revele a luz em mim.”
O herói sem um nome (An Cafe – The hero without a name) – Em Darker Than Black, temos um personagem que com certeza não é nenhum estereotipo de herói. Americano ou japonês. O que me fez querer que a personalidade de James se parecesse com ele. Mas de um modo único. E de certa maneira me lembrou a mim em certas ocasiões. Só quem me conheceu na intimidade sabe que sou assim em certos momentos. Esqueçam o visual do Na Cafe e notem só a letra. “Partindo o último vidro em pedaços, desfaço o cenário que estou acostumado. / Ao contrário, o mundo gira em torno de coisas diárias. / Onde encontro o sentimento da sombra que está escondido em cada um? / Perseguindo o ponto mais alto não consigo chegar a perfeição. / Os complexos da esperança e inferioridade estão girando ao redor de mim. / O desejo um dia transformar-se-á em desânimo. / Colocar de lado as coisas sem uso continua a gerar dor. / Não fuja! Não significa que você está sozinho em momentos difíceis. / O vento suave que passa em torno de mim. / Torna a fantasia, com uma mistura de coragem de lutar, em uma realidade. (...) Como um herói que não pode voar no céu e não tem nome, tentarei maravilhar o mundo.”
Ruínas assombradas (Nox Arcana – Hallowed ruins) – Cena de terror. Pleno. Pois graças ao que acontece aqui, influencia todo o encerramento de Halphy. Tudo se une de forma para criar uma situação sem saída para o alquimista Nikolai Laskov e a traidora Halphy Brown. Conseqüências que afetam até o epílogo. Para você ver como essa música tem tudo haver. Pela profundidade da música, o nome encaixou.
Hino da fé (Final Fantasy X – Hymn of the faith) – Essa música toca em Final Fantasy X, um jogo que tem um final magnífico, mas sem muita emoção no fim do jogo... Gosto muito de me lembrar dos combates com os Aeons. Espíritos sagrados usados para enfrentar o inimigo principal. Com toda uma trama por trás disso. A última safra boa de jogos Final Fantasy, na minha sincera opinião. O que veio depois foram jogos com relação a esse mundo como Dissidia ou Kingdom Hearts.
Insanidade – Talvez um dos momentos mais tristes de toda a saga. Pois nele Halphy se vê encurralada: ou Yo-Long, ou Sinestro. Quem ela seguiria? O dragão deus demônio, que foi detido pelo pai de Wolfgard? Talvez o dragão de esmeralda perigoso e poderoso, cheio de força e poder que esta planejando algo sinistro para ela. E no fim ela segue o terrível ser oriental. O que ela pagará com a alma. Literalmente. Esse é um dos poucos momentos que me veio com a idéia de que talvez a personagem esteja próxima de um caos mental.


Volume IV
Livro VIII
Ilumine o universe (Helloween – Light of the universe) – Eu sempre gostei de Helloween, uma banda de metal que realmente é boa demais. E agora eles recebem uma grande “luz no fim do túnel”. Ainda assim, essa parte da história esta cheia de mistérios. E essa letra tem todo um misticismo que se relaciona com o Portal da Verdade. “Abaixo da areia do mar. / Coberto pela eternidade. / Bate um coração sem fama. / Quietamente, sussurrando meu nome. / Quando meu tempo acabar, / eu escutarei isso bem alto. / Me dizendo contos que eu já ouvi. / Mas esqueci perdendo-o em você. / E a estória vai e continua, / e continua, e continua... / Como o velho morreu, o novo virá a luz. / E uma criança irá; /  Iluminar o universo (2x). / Nós estamos cegos, não podemos ler os sinais. / Iluminar o universo (2x). / Nós não encontramos o que está escondido em nossas mentes”
Diamantes virgens (Janne da Arc – Diamond virgin) – O que realmente me chamou a atenção nessa música para colocar como titulo do capítulo, não foi sua letra. Mas sim a força da canção. O que encaixou com essa parte que foi mais um treinamento para alguns. E uma revelação para outros. O nome da canção em si, me traz boas idéias.
Coração de aço (Full Metal Alchemist [série clássica] – Hagane no kokoro) – Nessa parte, além da libertação de Syrus, vemos que Lacktum caminha na direção de um verdadeiro líder. Tentando manter unidos esses personagens desanimados com os últimos acontecimentos. “Entendo seus sentimentos, / mesmo assim sigo preocupado, mas sigo sorrindo. / Ao saber que sempre vamos estar juntos. / (...) Um coração de aço, que apesar de que / nossos pensamentos são diferentes (...) / Sempre vamos crer neles!”
Minha doce sombra (In Flames – My sweet shadow) – “Estou vendendo esboços celestes. / Um mundo fora de minha mente. / Pronto para explodir na pureza. / e preencher os buracos no meu interior. / Uma corrente sempre se movendo com / incandescentes raios de luz. / Emoções atadas para passar mentiras. / E eu sei que. / Eu devo ir. / Amansado com confiança / de um futuro brilhante. / Encontrei uma chama. / Nas cinzas queimadas / queime fora, queime fora! / Abastecido / (...) O escuro passado jaz frio / Sombra, minha doce sombra / para você não olho mais!”
Céu perdido (L’arc~en~Ciel – Lost heaven) – Nesse trecho, a assassina Halphy tem noção o que fez de errado. Chegando a Avalon e encarando Aluniel. “Com nossos sonhos unidos em um só / havia um paraíso infinito. / Um caminho distante pelo qual corremos / incapazes até de encontrar algo que perdemos. / Lhe diremos adeus, Paraíso Perdido / Como temos desejado o Paraíso.”
Redenção tardia (Angra – Late redemption) – Esse capítulo termina com a morte de Mallmor. Ele é o típico personagem que faz as coisas erradas pelo bem maior. Para proteger quem ama. Como exemplo, me surge na mente Itachi Uchiha em Naruto ou Severo Snape. O que mostra que esse tipo valoroso de heróis esta mais comum que se imagina. Sim, herói. Visto que ele atura dentro de si o estigma de um traidor. Seriam essas as últimas palavras de Mallmor. Alteradas, logicamente.“Você desperdiçou todas as suas chances. / Para se encontrar perdido e solitário. / Foi tão tolo. / Foi egoísta. / Muito cego para perceber. / Você bagunçou sua própria vida. / Eu vou contando os dias. / E já, já não tenho medo. / Eu lhe peço, eu lhe imploro. / Quando a minha hora chegar. / Meu descanso, minha paz.”


Livro IX
A última canção (Gackt – Last song) – Nesse capítulo eu decidi que nunca mais Lacktum iria se angustiar por ter perdido Lirah. E assim foi feito. De modo que aqui, ele se torna um homem de valor. E assim, os Dragões e os Imortais, caminham em direção do fim. Ou o que pensam ser o fim “Estava sozinho e perdido andando sem ter para onde ir. / Tingindo de branco um pequeno suspiro, / e na mudança desta estação passageira, / sem motivos derrubei uma lágrima. / Eu ainda te amo... / A tristeza que se transforma em uma neve branca. / Não parava de observar o céu / se for possível que meu desejo se realize agora / antes que este corpo desapareça. / Quero que me abrace forte novamente.”
Reflita a tempestade (In Flames – Reflect the storm) – Essa seria a reta final. Logo os personagens vão ter ciência disso. E os heróis se vêem na frente de um dilema relativo aos combates. Prova disso é que Gustavo e Lacktum se separam do grupo para cumprir seus destinos. “Exponha o lado obscuro. / Dolorido e emocional. / Exponha o lado obscuro. / Impossível de domar.”
Amigo ou demônio (In Flames – F(r)iend) – Esse capítulo pega um personagem um tanto esquecido nos capitulos anteriores, que é Gustavo de Salles, e retoma sua história predestinada. Ao qual ele tem que confrontar a verdade de seu caminho. “Eu dou uma olhada em volta. / Digo que este momento é meu. / Fujo de todas as mentes fracas. / Sinto minha raiva perdida, escondida.”
Irmãos de sangue (Papa Roach & Bruce Dickinson – Blood brothers) – Cada música tem uma referência aos irmãos Van Kristen.
A do Papa Roach é boa para Lucian:
“Vigie suas costas, pois o próximo homem esta vindo. / E você não sabe se o próximo homem fez isto. / Sobrevivência é o que há. / Eu te protejo, você me proteje e esse é o jogo. / Sangue... / Esta fluindo rápido por minhas veias. Eu tenho o poder.”
Essa parte é mais algo para Lacktum mesmo:
“Apenas por um segundo um relance de meu pai eu vejo. / E com um movimento ele acena para mim. / E por um momento, as memórias são tudo o que restam. / E todas as feridas são reabertas novamente. / Nós somos irmãos de sangue (4x)”
“Amarei você até a Morte! (Kamelot – Love you to death) – É uma parte que eu sempre quis colocar. Aqui se revela que Sinestro fez tudo por amor. Um amor bizarro? Talvez. Só que verdadeiro. E ao qual ele pagou muito caro. Duvido, porém, que ele se arrependa. “Como uma rosa negra Silvestre desabrochando. (...) / Como será o amanhã sem você? / Esse é o nosso último adeus? (...) / Não há fim para o que eu irei fazer. / Porque eu te amo, te amo até a morte.”
O lugar silencioso (In Flames – The quiet place) – Aqui você pensa “agora tudo acabou”. Mas ai me surgiu na minha cabeça a velha frase “a calma antes da tempestade”. “Afogue o monstro. / Faça todos os maus sonhos desaparecer. / O que for preciso para manter as mãos livres / cicatrizes abertas. / O lugar tranqüilo. / Todas as portas caem no chão. / E você diz que sacrificaram. / E então eu fecho em meus olhos (2x)”


Volume V
Livro Final
Eu não vou te disser (Lacuna Coil – I wont tell you) – Já disse uma vez... Já disse milhares de vezes... Mas adoro interpretar músicas do meu jeito! Essa é uma delas.
“Eu não posso sair disso, eu estou bem assim. / Eu não sinto emoção e eu apenas continuo a esconder. / Eu me queimei muito, mas ainda brinco com fogo. / As vezes a pura verdade é a qual eu não acredito.”
“Não lhe direi adeus” (Skillet – Don’t say goodbye) – Essa banda é ótima e a situação em que o grupo se encontrava ai é realmente essa. Eles nunca iriam querer falar adeus. “Não diga adeus. / Pois não quero ouvir estas palavras esta noite. (...) / Que este momento chegaria para eu e para você. Não diga nada esta noite, / se vai dizer ‘adeus’.”
Porta dos Espíritos Sagrados (Castlevania – Door of the Holy Spirits) – A música é tensa. Especialmente quando se pensa em enfrentar um titã. Um segredo: nunca eles teriam como vencer o titã. Pior seria se ele tombasse. Muitas coisas poderiam ocorrer. Achei que essa música coube direito nesse dilema terrível. Uma das grandes batalhas que nunca terminaram de Contos do Tempo Perdido.
Reino de gelo (World of Warcraft – Wraith of the Lich King – Arthas Theme) – O tema caiu como uma luva, pois imaginei os Dragões chegando ao semi-plano do gelo. E encarando a enorme lua de metal, perguntando “O que é aquela coisa no céu?” e a respostas de Kobe “Aquilo é uma prisão a muito deixada nessas terras. Pois nela contem os maiores criminosos dos planos. A Prisão das Almas!”
Através do fogo e das chamas (Dragonforce – Through of fire and flame) – Essa letra, desde que ouvi da primeira vez me conquistou. Eu a colocarei em uma história prometi a mim mesmo. “Em uma manhã fria de inverno, / no tempo antes da luz. / Nas chamas de reino eterno da morte nós cavalgamos para a luta. / E a escuridão esta caindo. / E é hora de resistir. / O som da gargalhada do mal cai em torno do mundo hoje à noite. / Lutando bravamente, lutando como aço. / Através das terras mais inabitadas. / As almas sentirão o inferno que é detonado às margens. / Nas ondas mais negras do território do inferno. / Nós prestamos atenção enquanto eles vão. / Através do fogo, nós sabemos que a dor virá novamente. / Agora voamos para sempre livres. / Nós estamos livres antes da tempestade de raios. / Na direção do vazio, nossa missão continua. / Muito além do pôr-do-sol. / Muito além da luz da lua. / Bem dentro de nossos corações e de todas nossas almas. / Tão distantes, esperamos pelo dia / em que as luzes que estão tão destruídas e mortas. / Sentimos a dor de uma vida perdida em mil dias. / Através do fogo e das chamas nos continuamos.”
Duelo de destinos (Star Wars I: The Phantom Menace – Duel of fates) – Uma das poucas coisas que se salva em Ameaça Fantasma é trilha sonora, diriam alguns. E com batalha tão grandiosa. Além de ser literalmente perigosa. O que me lembrou o combate entre Qui-Gon e Obi-Wan contra Darth Maul. O que traz graves conseqüências futuras... Segredo.
A ira divina de Zeus (God of War II – The wrath divine of Zeus) – Bem, digamos que quando você acha tudo certo Zeus joga uma bomba. Thror e Tom devem obter as memórias sobre suas vidas e decidir entre a divindade ou a mortalidade. O que é pior: descobre-se que Tinque, influenciou os eventos. Por qual motivo? Ninguém sabe...
Estrelas de lágrimas (Xenogears – Star of tears) - Estão nos capítulos finais e muitas coisas estão para ocorrer mudando para sempre a vida dos Dragões da Justiça e dos Imortais Esquecidos. E uma perda enorme para os dois grupos e (por que não) para o próprio autor. Sim, pois quem morre aqui é um dos meus personagens favoritos. James Gawain.
A lenda (Eu sou a lenda) – Aqui vemos uma trilha baseada em Eu sou a lenda. Criada e composta por James Newton Howard e com a atuação de Will Smith (até hoje me lembro da cena em que ele é forçado a estrangular a cachorrinha), me fez pensar que uma pessoa se torna mais uma lenda pelo que faz... Do que qualquer destino pré-estabelecido para ela. Assim que eu vejo Lacktum, Thror e Halphy. E ela vai crescendo até alcançar um clímax único. Um dos melhores trabalhos que já vi em Hollywood.
Através do portão (Yellow Generation – Tobira no mukou e) – Essa parte sintetizou bem a relação entre Lacktum e Lucian. E sempre quis colocar um final digno como esse para uma história. Escrita ou de RPG. “Nós dois estamos gritando o tempo todo. / Apenas continuar a acreditar não é a resposta. / Exponha suas fraquezas e seus ferimentos. / Se nós não continuarmos a lutar nada irá acontecer. Então abra caminho, atravesse a porta.”
Para as estrelas (Dragonheart – For the stars) – “Olhe para as estrelas Bowen. Olhe para as estrelas”. Quem conhece Coração de Dragão, um dos clássicos entre os filmes sobre dragões, tem consciência do que eu falo aqui. Saibam que aquilo sempre me fez pensar em um final com aquela música como tema. Um final magnífico em que amigos realmente se despedem. Com o toque necessário de emoção. Para enfim, tudo se acabar com uma explosão... Não com uma estrela cadente.


Epílogo
Redenção (Gackt – Redemption) & Memórias (Pitty – Memórias) – Bem essas duas músicas são legais e possuem uma boa sintonia com o final das personagens.
A primeira tem muito haver com Halphy, já que é ela precisa de uma redenção:

“Eu vou bater minhas asas quebradas. / E apagar todos os dias, você vai ver. / Até que se complete o último sino / da mais triste poesia. (...) Seu último sorriso veio, e então se foi / deixando para trás apensa uma brisa quente. / Suas palavras gentis não podem me curar agora. / Este corpo inteiro é dedicado / a esta interminável batalha. / Redenção.”

Já a segunda lembra o Lucian, visto que ele ainda deve se lembrar das atrocidades que cometeu como Kalic Benton II:

“Eu fui matando os meus heróis. / Aos poucos como se já não tivesse / nenhuma lição pra aprender / Eu sou uma contradição / E foge da minha mão / fazer com que tudo que eu digo faça algum sentido. (...) Memórias, não são só memórias / São fantasmas que me sopram aos ouvidos coisas que eu...”