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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Como criar personagens de RPG: World of Darkness


Depois te tratar sobre a criação em jogos de D&D, que podem ser utilizados para muitas fantasias medievais, agora vamos para o cenário de terror. No universo criado pela White Wolf podemos ser - não heróis - os monstros. Vampiros, lobisomens, magos, fantasmas, demônios e até mesmo fadas. Apesar de ter um grande número coisas mais atuais nesse cenário, também podemos ver a história em períodos mais antigos em suplementos (Idade das Trevas, O Oeste Selvagem e A Cruzada dos Feiticeiros). Posso tratar isso separadamente.
E esse processo de criação serve tanto para Storyteller quanto para Storytelling.

Background:
*O que você era? - Mesmo quando o personagem não foi transformado - ou se alterou naturalmente - ele FOI algo ou alguém. Um exemplo são os mortais caçadores (mortais mesmo ou os de Hunter The Reckoning), que se transformaram nisso pois algo afetou seu passado. 
De qualquer forma, o jogador deve se perguntar, "o que meu personagem era antes." Um vampiro era um humano, um mago também. Mas cada um despertou seus poderes, habilidades e maldições de forma diferente. Enquanto os cainitas são transformados e tem sua vida alterada por alguém, os magos despertam um poder arcano, algo natural e mágico. Um é forçado, enquanto outro, podemos imaginar como o despertar puberdade para um homem ou mulher.
Já no caso de lobisomens é diferente. Existem mais de uma fonte de inspiração se pensarmos que temos: lupinos, impuros e humanos. O cara pode fazer algo novo e irreverente. Um lupino que descobriu poder se transformar em homem no Canadá, em meio a uma nevasca. 
Não conheço tanto de Caçador, Demônio, Aparição e Changelling. Mas esses jogos usam a mesma inspiração quase para criação de personagens: o protagonista foi alguém no passado, e algo mudou a vida dele. Pode ter acontecido naturalmente ou não, mas ocorreu. E agora é a hora de lidar com isso.
*O que você é? - Passando a primeira pergunta, pense agora. Independente de quem você foi, algo mudou. Talvez drasticamente!
Você é um ser sombrio, que só quer saciar sua fome e esta para perder tudo que tem, ou quem sabe encontre alívio junto daqueles admiradores do status quo. Talvez seu personagem seja como qualquer um, mas os tambores de uma vida passada, ou algo dentro de ti, se agita mais que seu próprio coração, podendo o tornar um guerreiro ancestral. As vezes a realidade esta sombria demais na sua vida. De qualquer forma como lida com tudo isso?
Quebra tudo como um brujah ou cria de fenris, além de um garra vermelha? É sinistro como um seguidor de set, giovanni ou - o símbolo máximo dos FDPs em vampiros -um ravnos? E mesmo entre outros seres como os senhores das sombras e eutanatos, existem os seres sombrios. Isso quando não podemos pensar em algo bem diferente de cada sistema como os malkavians ou fúrias negras. Cada qual com sua excentricidade. Que nos mostra um personagem único. Devido as vezes, por parte do grupo a que pertence (clã, tribo, augúrio, ordem, entre outros) alterando sua vida.
Ou seja, esse que você é hoje deve ser uma fusão do que foi, com uma alteração na sua vida. De forma que não deve controle.
*O que lhe motiva? - Da mesma forma que na criação de personagens em D&D, algo que lhe motiva seria seu sentido de vida. O que lhe motiva, as suas vontades. Com uma diferença: tecnicamente, essa nova vida é um tormento, ou então, esse sentimento surgiu de um conflito.
Só lembre-se: você não é um herói. Nem vilão. Você é só um cara tentando sobreviver em um mundo de trevas (literalmente), que pode lhe engolir (mais uma vez, literalmente). O mundo não é preto e branco, mas acredite, se alguém puder usar uma arma para te matar, mesmo que seja um taco de baseball, ELE VAI FAZER COM UM GRANDE SORRISO.
Você pode usar as motivações por exemplo de personagens de livros, histórias em quadrinhos ou filmes de criaturas.
De livros podemos aproveitar personagens como o de Drácula, O Retrato de Dorian Gray, Frankenstein, contos de Edgar Allan Poe ou H.P. Lovercraft. De histórias em quadrinhos, use os sobreviventes de The Walking Dead, os seres cósmicos criados por Neil Gaiman (ai saberá como muitas vezes um ser antigo vê "formigas"), até mesmo anti-heróis como Justiceiro ou Lobo. Não por ser algo pesado, mas por eles serem muitas vezes confusos. Como na realidade.
E filmes tem MUITAS referências. Mas um bom exemplo de terror bom nesse naipe estão Penny Dreadful (usando as criaturas das histórias vitorianas) ou Kindred The Embraced (baseado no jogo de Vampiro A Máscara).
*A regra de ouro também serve aos jogadores - Esta é a regra mais importante de todas, e a única que vale a pena seguir: Não existem regras. Este jogo deve ser tudo aquilo que você quer que ele seja (…) Se as regras neste livro interferirem com o seu prazer de jogar, mude-as. Pode parecer bobagem falar sobre isso, mas aqui poderá criar a história a seu bel prazer. Não estou falando em despirocar e fazer o que bem entender. Mas conhecendo o narrador, saber até onde ele lhe permite ir.
Meu primeiro jogo foi com amigos do meu primo, e como eu era mais novo, eles me limitavam e muito. Esse assunto posso tratar em outro post melhor, mas quando joguei em outras mesas, minha liberdade criativa foi liberada. E mesmo possuindo a regra de ouro não faço histórias absurdas. Eu crio histórias verossímeis, aonde a realidade é controlada por mim. Pire em suas histórias, mas se lembre: tente fazer algo bom, não apelativo. O Mundo das Trevas não é um jogo de evoluir de nível, mas sobrevivência.
Ficha:
*Escolha aquilo que quer - Seu personagem será um cara social, mental ou físico? Não pense em quantos pontos tem então. Pense em como ele é! De verdade. Um cara atlético, carismático, manipulador, ou de raciocínio rápido? Essas são as perguntas que deve fazer. Muitas vezes isso será auxiliado pelo grupo que faz parte (Brujahs e Garras Vermelhas são violentos, Uktenas e Tremeres são mais místicos, e por ai vai), mas nem sempre é tão fácil assim. 
Mas acima de tudo, lembre-se: os pontos iniciais não podem ser gastos a torto direito. Então, veja com calma o que quer fazer e se suas habilidades se combinam. Por exemplo, combinações de atributos e perícias. Ou até mesmo de perícias ou atributos com disciplinas. Existem muitas combinações.
*Seu grupo não define você - Só por ser toreador você tem que saber tudo de arte? Só por ser ventrue você tem que gastar em recursos? Por ser um lobisomem ou brujah você tem que gostar de briga? Não! O seu grupo (clã, tribo, ordem, ou qualquer outra coisa) não necessita comandar seu modo de pensar! 
Veja essa descrição e descubra de que clã esta tratando:
Você se comporta de maneira humilde, mas quando o perigo se apresenta assume uma postura audaz e encara o inimigo com ferocidade.
A descrição lhe pareceu com um clã envolvido em combates. Talvez um brujah, assamita ou até gangrel. Mas isso ai, que esta no Livro do Clã: Toreador se refere a esse clã: toreador! Um artista marcial. Sem contar cirurgião plástico, televangelista, guitarrista, entre outros. Não se limite a definição dos livros, pois dentro do seu grupo você pode sim diversificar.
*Lembre de fazer algo que tenha a ver com quem você é agora! - Naquela parte anterior em que falei "o que você é?"você definiu como age hoje em dia. Então, se você procura lidar com a sua besta, ou deixar que ela lhe domine, ou trata os mortais como iguais, ou quer enfrentar o mal que lhe transformou, ou quer voltar a ter sua humanidade, conquistar poder financeiro ou místico, é você que deve mexer na ficha de maneira mais ligada a isso. 
Então, se não souber o que colocar nos atributos e perícias, tente pensar no que colabora com isso. Um cara que quer se vingar de alguém pode ser uma pessoa manipuladora ou forte. Ou, por exemplo, o quanto a pessoa tem a ver com sua besta interior. Exemplo? Sendo uma pessoa mais gentil, tentar colocar mais pontos em sua Humanidade. Caso contrário, menos pontos. O mesmo vale para antecedentes ou virtudes. Em que pode determinar se seu personagem é consciente, controlado ou corajoso.
*Poder dentro desse mundo não é ter mais pontos - Como dito anteriormente, o Mundo das Trevas pode ser considerado um sistema de sobrevivência. Não um RPG em que se sobe nível, para ficar mais poderoso. Na verdade, as regras não favorecem a grande quantidade de pontos em uma ficha. Você pode ter muitos pontos em uma disciplina, ou gastar muito em defeitos... E isso só traz problemas no final. Use os pontos de defeitos e outras coisas com sabedoria, e para criar uma boa história. Não para lotar sua ficha. ISSO NÃO FAZ DIFERENÇA MESMO. 
Melhorar sua disciplina não significa entupir os pontos em fortitude, rapidez ou presença, mas muitas vezes aumentar um atributo ou perícia - como dito antes - para lhe preparar ao uso. E poder, como também foi escrito anteriormente, também pode ser muito além de poder. Mas sim como se usa o poder.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Como criar personagens de RPG: jogadores de Dungeons & Dragons

Talvez um dos maiores problemas para jogadores iniciantes e veteranos seja montar sua ficha. A planilha de personagem para muitos é um dos maiores problemas para todos. Muitos não sabem onde devem preencher, mas o maior problema é o que vai fazer mesmo. Como será seu personagem. No que ele será útil.
Isso sem contar quando o mestre pede que lhe entreguem uma história. Ai existem dois tipos: os que entregavam o trabalho de escola de qualquer jeito, com uma página do seu caderno rapidamente, com umas cinco linhas escritas de uma coisa bem... Porca. E os que lhe entregam algo mais complexo que o TCC de astrofísica para uma faculdade americana. Sério. Já vi gente que digitou três folhas (FRENTE E VERSO) com suas histórias. Tem gente menos dedicada na USP.

O maior problema é que o narrador/mestre, normalmente só ajuda a fazer partes técnicas do personagem. Ou seja, a distribuição dos pontos. Sejam aleatórios ou não. Mas aqui veremos em duas etapas, divididos em semi-etapas. Mas vamos lá!
Lembrando: não necessita seguir essa ordem. Pode ser a ficha e depois o background. E outra, não vou lhe ensinar como distribuir seus pontos 

Background:
*Você será um herói ou vilão? - Mesmo que os sistemas sejam antigos, existia a chance de escolher seu lado (meio ideal maniqueísta mesmo, preto e branco, bem e mal), mas ainda existia problemas em escolher sua personalidade. 
Contudo, nas versões mais atuais, mesmo antes de escolher sua tendência, você pode falar se será um herói. Ou quem sabe um vilão. Mas como assim, você se questiona. E a melhor maneira de mostrar isso é usar como referência é Anakin Skywalker de Star Wars. 
Ele começa como um CB (Caótico e Bom, Rebelde), mas depois de vários conflitos se tornaria um sith. Mesmo sendo maligno, ele é um personagem mais controlado LM (Leal e Mau, Dominador), ainda assim  tem seus momentos de raiva (quando ele vai para um CM, ou seja, Caótico e Mau, Destruidor). E no final, devido a seu filho, cumpre seu papel no mundo, trazendo equilíbrio a Força se tornando um tanto quanto LB (Leal e Bom, Cruzado). 
*Qual seu papel no mundo? - Não que seu personagem não seja importante, afinal, ele será UM dos protagonistas da história. Só que ele não precisa ser um herdeiro de um reino, filho de um deus ou o primeiro humano do universo. Pode ser um cara que pegou suas coisas e falou que iria se aventurar.
Tramas e subtramas podem ser colocadas, mas isso não necessita ser feito por você. Sem precisar colocar tantos cliffhangers (ganchos) que parece uma série de dez temporadas.
*O que quer no mundo? O que lhe motiva - Como dito antes, não precisa ter um passado cheio de sombras e perigos, só que quando um personagem surge é comum que os jogadores escrevam que tem um inimigo. Isso é o seu objetivo? Derrotar o inimigo? Não precisa ser só isso, pois se tiver como fazer, suas intenções podem ser tantas quanto o menu de um restaurante: vingança (V de Vingança), viver em paz (Rambo), morrer em paz (o filme Logan), sobreviver (The Walking Dead e The Last of Us) salvar uma pessoa que ama (Os Aventureiros no Bairro Proibido), ressuscitar alguém (The Shadow of Colossus), entre tantos outros.
Mas vejam isso aqui:
"Taylor Halford hoje um homem conhecido por atuar no teatro, tem um lado obscuro.
Quando criança era de família humilde e como não tinham como sustentar a familia, Taylor aprendeu à aplicar pequenos golpes em outras pessoas para poder ajudar na família, com isso Taylor foi melhorando a arte de manipular as pessoas para o benefício próprio.
Tendo como missão acumular grandes riquezas aprendeu a usar ferramentas pra destrancar portas e trancas em geral, sua arte sutil em desativar armadilhas o fez ficar reconhecido como o poucas trancas no qual ninguém conhece seu rosto, nos últimos anos Taylor saiu em busca de novos desafios e acabou parando em uma equipe de teatro em Tristania."
Esse é um exemplo de história em que eu não preciso ser um grande ser cósmico para ter uma boa história no meu background.
*Como é o mundo? - Existe uma grande diferença entre estar no universo de Forgotten Realms, do que estar no universo de Dark Sun, Ravenloft e Eberron. Cada um tem sua particularidade. Mas sabendo um pouco como ele funciona, você vai poder encaixar seu personagem de modo plausível. Não adianta nada, por exemplo, querer jogar em Ravenloft, sendo que criou uma história para seu meio-dragão. Pois não existem esses seres naquele mundo, naquele semi-plano. Nem dragões.
Cada universo tem suas personalidades. Uma comparação bem parecida com a realidade esta nos cantores de j-pop e j-rock. No Brasil temos muitos fãs disso, mas nada se compara ao país do Sol Nascente. Isso funciona como um universo próprio.
*Você é livre para criar! - Vejam esse exemplo: em uma campanha relativa ao mar e pirataria, eu quis jogar com um paladino. Desde que me lembro por gente sempre gostei dessa classe, antes mesmo de termos o D&D Terceira Edição. Mais pelo seu conceito do que por qualquer coisa. Tempos depois o pessoal me zoava por estar jogando com um paladino entre um bando de piratas. Coisas como: "E ele disse que queria jogar com um paladino em uma campanha de piratas! kkkkkkkkk".
Certo... Não! Errado! Bem errado!
No Dungeons & Dragons tivemos uma revolução, pois um personagem ou raça, não tão associado a uma classe pode pegar ela. Um anão pode ser um mago, um meio-orc pode ser um paladino e até mesmo uma elfa pode ser uma bárbara! Não é o jogador que deve se adequar a campanha, mas a campanha ao personagem. Prova disso que muitas vezes joguei com personagens maus em um grupo de caras bons. E ninguém chegou a me zoar por isso.
Ficha:
*Seus números não são seu personagem! - Tirou dados ruins na rolagem? Ou acha que a pontuação que te deram não é suficiente? Manda tudo para o Inferno! Um personagem não baseado em números. Eles só estruturam o quanto você é bom em certa área ou não. Não que você será um fracasso completo. Por exemplo, me lembro de certa vez, ao chegar na casa de um amigo e um rapaz ter me cumprimentado. Não o reconheci. Ele então se revelou um colega de escola que quando estudávamos era gordinho. Ele ficou bem magro, só com exercícios. A pessoa pode ser de um modo quando começa sua vida, mas isso não significa que sempre será assim! O mesmo ocorre com a ficha, então não pire com números. 
Se quiser um exemplo mais nerd, pode imaginar como um pokémon que aprendeu um movimento de outro tipo. Até o Pikachu consegue soltar surf se você quiser!
*Tente ler o Livro do Jogador, mas não se fixe nele! - É óbvio que devemos seguir alguns padrões do sistema: um mago deve aumentar sua inteligência, um bardo seu carisma e um clérigo sua sabedoria. Entretanto, isso é extremamente exigido das outras classes? Por exemplo, eu não preciso de um guerreiro forte sempre. Ele pode ser bom em aguentar golpes (aumentando constituição) ou ser um arqueiro (aumentando destreza), quem sabe ainda ser um grande detetive (aumentando inteligência). Tudo é possível. Não existe regra que te impeça de gastar pontos de forma diferente. Ao menos que gaste seus três últimos pontos em habilidades em qualquer coisa que personalize ele.
Aliás, por que não vai contra corrente: colocar pontos em partes que NINGUÉM colocaria. Tipo, força demais em uma ficha para um mago. RPG é contar história, não evoluir um personagem em um MMO qualquer.
*Personalize seu personagem! - Gastando pontos (assim como talentos), você pode personalizar seu personagem. Um personagem, mesmo casca grossa, pode gastar pontos extras como Adestrar animais. Pois pode ter sido um camponês que trabalhava com isso para um cavaleiro. Ou um antigo fazendeiro que perdeu tudo que tinha. Ou ele aprendeu determinado talento, pois foi ensinado por seu mestre ou pai. Ser um cara treinado para determinada função não significa que ele sempre trabalhou com isso.
*Lembre do que seu personagem precisa! - Eu falei muitas coisas, mas talvez o que escreva agora pareça contraditório: tente seguir o que ele precisa para sobreviver. Um mago deve pegar magias que possa utilizar em campanha. Um clérigo pode decorar magias, mas sempre envolvendo uma ou outra de cura (quase sempre). Você vai ser um aventureiro! Mesmo que não queira terá que ser versátil. Algumas vezes isso estará envolvido com aquilo que surgiu como uma bomba, então não decore só magias de dano, mas de defesa e auxílio!
Isso não lhe impede te deixar seu personagem da forma que quer. Só que antes pense se isso não vai deixar seu personagem prejudicado.
*A tendência é importante! - Você começa como um cara BOM ou MAU. Beleza. Só que seu personagem não se parece nada com isso. Acho que você esta fazendo algo errado. 
Seja sincero com você. Sabe interpretar caras maus, o faça ser tão cruel quanto M. Bison ou Joffrey Baratheon. Sabe fazer pessoas boas, seja como Percy Jackson ou Aragorn! Ai de repente, você é um cara mau, mas se apaixona por um gatinho na rua. Não que não possa gostar de nada pois é mal (não estamos criando aqui um vilão de novela da Record), mas ao menos crie princípios. Um ser "do mal" teria como animal de estimação algo onipotente. Ou algo que ele perturbou e deturbou de modo irreversível. Mesmo quando ele é pai, ele mostra que sua ideia de carinho é perigosa (vide Thanos da Marvel).
Além disso, muitas vezes mestres descontam experiência devido sua interpretação errada de uma tendência.

sábado, 12 de março de 2016

Uma história para Vampiro (Anthony Bulgarelli)


Anthony Bulgarelli, ou Tohny como é comumente chamado, era filho de italianos que vieram para esse país atrás de um futuro promissor. E foi o que acharam. O pai se deu bem, abrindo um negócio de sapatos, tornando seu nome em uma marca famosa. O que fez Tohny aproveitar bem a vida com os estudos mais caros, e recebendo do bom e do melhor. E diferente de muitos filhos que se esbaldaram com o luxo e o dinheiro do pai, o jovem Tohny quis se afundar nos livros. Estudou os mais diversos temas da área de humanas: antropologia, filosofia, geopolítica, sociologia, economia, história e direito... mas nenhuma delas o interessou, pois o que o fez foi entrar numa sobre políticas publicas.
Seus estudos sempre batiam nas questões dos países de terceiro mundo. Seu interesse sempre foi as guerras civis, “as guerrilhas”, o que fazia seus amigos e parentes o ignorarem. Ele não entendia como muitos tinham conhecimento sobre os fatos e mesmo assim, ignoravam o que ocorria ao mundo, sempre dizendo “isso acontece do outro lado do mundo, não há porque nos preocuparmos”. Foi então que num ato de rebeldia, ele após se formar no curso, disse que iria partir em direção aos países da América latina, brigando com os pais. Esse não foi o pior que poderia ter acontecido, pensou ele, pois seus pais nunca o entenderam mesmo...
Com o dinheiro que lhe restava viajou por toda a América e conheceu muitas pessoas, seu sofrimento e sua força de vontade. Conheceu o Chile, México, Brasil, Argentina e Bolívia. Criou muitos inimigos e treinou muito para se proteger deles. Ao ponto de treinar artes marciais e manejar armas de fogo.
E através de seu conhecimento e sabedoria obtidos durante a viagem, ele foi convidado a se tornar professor de Filosofia Política numa faculdade de Los Angeles. Ele tencionava se candidatar a deputado.
Certa noite quando saia de seu escritório na faculdade encontrou uma jovem que dizia ser sua “fã” e queria debater sobre assuntos de um livro que escreveu. Eles debatem durante horas sobre os rumos políticos do país. Tohny se espanta com os conhecimentos que ela tem sobre a estrutura política dos país, as vezes citando até mesmo fatos como a Guerra da Secessão, quase com uma precisão – caso ele fosse formado em história – que poderia se disser que ela esteve lá!
Mais tarde, naquela noite, ao chegar próximo ao seu apartamento, o rapaz é abortado por uma figura com casaco e touca que o leva facilmente ao chão. Mesmo assim Tohny tenta se debater. Mas isso só piora a situação, quando o encapuzado tira touca revelando a face distorcida da moça com quem conversara a algumas horas e um poderoso conjunto de dentes brotando de sua boca.
A fome lhe veio rapidamente. A consciência não parecia nada a não ser um arremedo de piada na mente de Tohny. Ele gritava como um filhote de animal desesperado pelo alimento materno. Ele criou forças das trevas de sua consciência e caçou como um desesperado. Não queria atacar um inocente, era o máximo que pensava. Foi então que viu skinheads atacando um mendigo. Não pensou no bem estar do pobre homem, mas sim no seu, quando esmurrou a face do careca maior no chão e paralisou o menor, com seus punhos poderosos. Quando notou sua face estava ensopada com o sangue do neo-nazista. Ele mal sentiu quando mordeu o pobre coitado. Mas a sensação... ele nunca foi muito de se sentir alterado com prazer sexual, mas aquilo batia de longe qualquer transa que tivesse tido até então. “Orgasmos múltiplos”, ele diria.
Mas o outro ainda estava vivo. E apesar da cara esmigalhada, corria muito bem – ou melhor andava como um mendigo – e iria falar a alguém sobre aquilo. Isso poderia ser péssimo para Tohny, afinal nem ele imaginava como explicar aquilo, o que ocorreu e qual o motivo de ter matado um homem, independente de quem fosse. Sua vida como professor estava arruinada se aquele homem o entregasse.
Quando Tohny achava que teria perdido o homem de vista, que aproveitou o ataque ao companheiro pra correr o máximo possível, só viu a jovem novamente com o braço estendido, agarrando a cabeça do skin. E com a força do outro braço simplesmente, quebrou o pescoço do careca.
-E então? Vai ficar ai parado, enquanto esse lixo apodrece nas suas mãos? Ou agora que já fez um favor a sociedade vai aproveitar e voltar comodamente pra sua casa? Eu te dei uma chance única de mudar o mundo seu filho de papai revoltado. Agora você faz partes daqueles que tem um ideal de verdade, acima de todas as coisas... agora vamos logo esconder esse corpos...
A pós-morte
Ele tenta até hoje se adaptar aos fatos de sua nova família, (a Camarilla, não os Brujahs) mas é tudo novo para ele: sua mentalidade, ainda voltada para o mundo mortal, o faz confundir varias coisas, até mesmo os nomes dos clãs, – exceto logicamente os nosferatus – mas isso não o deixa deprimido, tentando compreender o novo sistema em que esta envolvido. Incluindo o fato que no começo, achava que a Camarilla poderia transformar o mundo para todos.
Isso até o atentado.
Quando estava voltando para o refúgio de sua senhora, viu um grupo de Sabás atacando um homem na rua. Sabia que eram do Sabá pois tinham traços únicos que sua mestra o fez decorar. Foi então que fez o impensável: atacou os três cainitas com toda a força possível. E num momento de fúria atravessou a rua, atingido os dois primeiros, fazendo eles caírem no chão. Mas havia o líder, que apontava uma glock em sua direção. Porém a sorte lhe sorriu. E arma foi retirada num golpe rápido do Brujah. E nesse mesmo momento Tohny usou toda sua força atravessando o homem, que então ele notou, tinha uma estranha cicatriz na testa...
Acontece que o homem em questão era um homem de grande influência entre as fúrias (nome comum aos Salubri) e o homem a quem protegeu era o príncipe em pessoa. O que repercutiu na cidade, dando prestígio a Tohny e obrigando ao principe a lhe dar algo em troca de tamanha bravura. Foi assim que Tohny obteve um domínio para si.
A área em que vive hoje em dia é cheia de vitimas para se alimentar, mas seus alvos prediletos são skinheads ou punks arruaceiros. Em alguns casos, políticos também. Muitos brujahs não gostam de sua atitude perante os punks mas sua reputação e seus atos contra skins e políticos ainda o deixa nas graças dos mais novos. Os ançiões o olham com orgulho e temor, pois no horizonte existem aqueles no Sabá que querem sua força e devoção para si. Pois um soldado como esse, que ainda segue ideais antigos, com uma visão de tempo atual, é rara.
E Tohny sabe agora, que ele é só uma peça nesse xadrez. E ele quer se tornar algo acima disso...
A senhora de Tohny se chama Pamela Rodriguez Puenta. Ela parece descender de mexicanos, apesar do cabelo loiro. Possui uma neorme tatuagem nas costas que mostra alguns sinais de ocultismo. Ela parece ter entre 15 a 16 anos, apesar de ter uma face que destoa completamente dessa idade, pela malícia em seu olhos.
Ela é um membro influente entre os Brujahs. Muitos chegam a chama-la de “Joana D'arc Chicana”, título que odeia mas merecido, quando se sabe sobre seu número de mortos em combates...
Como todo Brujah, Pamela acredita ter encontrado em seu seguidor o que tanto alguém, como ela, almeja: um líder poderoso, que precisa melhorar, mas esta no caminho certo e que não fará distinção entre os cainitas, podendo talvez trazer paz ao inferno que Los Angeles se tornou.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Uma história para Vampiro (Thomas Gerlotte)


Ocupação: desconhecida
Clã: Malkavian Antitribu
Seita: Sabá
Idade real: 32
Idade aparente: 30
Thomas nunca foi um psicopata. Na verdade sempre foi alguém comum. Vivia sua vida comum, com sua esposa comum, com bons amigos comuns, com suas vidas comuns, em uma cidade americana comum... e ele odiava tudo aquilo! Ainda assim era uma pessoa normal pelos padrões humanos.
Muitas vezes ele dizia que aquilo não era vida. Que aquilo deveria ser algo completamente ridículo próximo do que ele realmente poderia fazer... e foi nesse contexto que ele conheceu Marx. Ele sempre falava sobre uma teoria que o mal esta inerente em todos os corações humanos. Mas o que mais assustou o pobre Thomas foi isso:
“O ser humano esta fadado a se consumir. Todos os tipos de seres que não forem humanos irão se consumir. O certo não é tentar salvar uns aos outros quando o navio afunda. Qual deles irá sobreviver seria o mais correto”. Foi então que Marx lhe explicou o que era e o que poderia trazer consigo: iluminação na vida de Thomas!!!
Após sobreviver ao rito do Sabá ele então fez o que sempre quis que era matar sua mulher, amigos, familiares numa chacina que ficou conhecida como “o Matadouro de Ohio”.
Ele veio a Europa em busca de fuga para o mal que cometeu... ou nem tanto... nunca se sabe quando se trata de um malkavian...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Uma história para Vampiro (Cristina Gossow)


Ocupação: cantora de metal melódico
Clã: Gangrel
Seita: Camarilla
Idade real: 28 anos
Idade aparente: 25 anos
Hobbys, gostos e desgostos: adora cantar, gosta de animais domésticos (cães e gatos) e odeia mortes.
Cristina possuía muita vontade de fazer sucesso como uma famosa cantora. Membro de uma banda conhecida como Soulless (Sem alma). Sempre indo para diversos lugares diferentes na Inglaterra. Uma cantora de som melódico. Todos sempre gostaram dela mas nunca se apegou a ninguém. Até Arthur entrar em sua vida...
Um homem de beira de estrada que a seduziu de um modo todo diferente. Ela nunca havia sentido isso por qualquer outro homem, mesmo ele sendo estranhamente bestial em todos os termos possíveis. Incluindo sua aparência. Mas em determinada noite ele fez a seguinte proposta a ele “gostaria de saber como é não ter alma?”. Ela não entendeu a pergunta, até o momento que as presas de Arthur se gravaram na sua garganta...
Cristina foi introduzida na comunidade da Camarilla, porém muito a contragosto participa desse esquema de mortes sem sentido. Em vida, Cristina sempre foi uma pessoa que demonstrou grande apego pela vida, fosse dela mesma, fosse dos outros. Matar para sustentar sua não-vida se torna imperdoável... mas necessário.
Desde que saiu da Soulless, vem procurando um espaço só seu em que não perca de foco o que realmente: uma vida pacífica. Agora como uma cantora solo que faz participações especiais em outras bandas.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Uma história para Vampiro (Omar El Soumaili/Adir Green)



"Seu nome verdadeiro é Omar El Soumaili, um antigo comerciante afeganistão que seguia as antigas tradições do islã a risca. Porém, nunca foi combativo, nem contra os estrangeiros em suas terras. Tanto que viajou até a Inglaterra em 1880 por questões de negócios. Por isso foi extremamente bem sucedido como comerciante de armas brancas como itens raros. Sua família era de antigos protetores das tradições muçulmanas, e conseguiu uma verdadeira fortuna em armas antigas: desde a idade antiga a média. O que ele não sabia era que sua família na verdade servia como rebanho e ponto de recrutamento para futuros membros dos assamitas. E suas atitudes poderiam comprometer sua vida. Ou o que viria ser sua pós-vida. Isso foi o ponto decisivo para que Bushra o abraçasse, o transformando em um cainita, antes do que queriam seus mestres. Ele viveu bem até compreender seus dons. Em 1888 o assassino Jack o estripador surgiu. O que causou problemas aos neófitos da época. E o assamita foi um deles. Sem ter apoio da Camarilla, sua mestra ter partido recentemente para o Oriente em missão pelo clã, Omar foi confundido como um assassino a sangue frio acima de qualquer superstição da época. Caçado pelos humanos, esquecido pelos vampiros, com exceção dos assamitas, que estavam ausentes em Londres... Ele foi dado como morto quando na verdade estava em torpor. Entre os de seu clã, é considerado um herói.
Ao ser despertado, quando um bombeiro encontrou seus restos no esgoto próximo ao rio Tâmisa, ele se alimentou e decidiu partir o mais longe possível dali. Soube sobre um novo mundo. E também soube que sua mentora foi morta por um mortal. E a linhagem do assassino está nos Estados Unidos. Se ele matar só um deles... Dos malditos, ele se sentirá bem.

Assumiu um outro nome, mas acima de tudo tenta viver bem e se adaptar ao modo de vida americano protegendo os preceitos dos assamitas. Apesar de não gostar do modo terrorista que o clã resolve problemas. Prefere encarar os problemas mesmo que seja através das armas de fogo. Ainda mantêm parte de sua fortuna, mas bem pouco, comparado com o que tinha quando foi abraçado séculos atrás."

Essa é uma nova ideia que tive para aproveitar o hiato de Contos. Criar backgrounds para Vampiros, de RPG. Espero que gostem.