quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Afrodite & Odisseu - Capítulo 1: Introdução e Templo do Amor


Deuses gregos, romance isabelense, Stephen King, sexualidade e novela da Record me fizeram escrever esse livro
Eu não escrevo um romance a certo tempo. Meu único romance escrito é parte de uma trindade. Nada de saga, como em Contos do Tempo Perdido. Acho que textos assim perdem a força quando vem dessa forma. I’m Alive seria de três escritos que se passariam em Santa Isabel, tratando sobre três amores. 
O primeiro deles – já lançado –, I’m Alive, trataria sobre o amor entre irmãos, entre amigos, a philia. O segundo se chamará Hard Punch, que trata sobre amar a si mesmo e ao mundo, a ágape. O terceiro e último, terá o título de Error, finalmente abordando o éros. Eu não lembro onde eu ouvi pela primeira vez um desses nomes, mas cada um tratava de um modo diferente o amor. Na verdade, seriam “versões” dele. Aquele que se tem por pessoas que não tem seu sangue, ou quando se está amando e apaixonado ou ainda por si mesmo. Entretanto, algo aconteceu recentemente, sendo que nem mexi nos outros dois títulos ultimamente.
Em 28 de Junho de 2026, eu passei por uma experiência boa e ruim... Ao mesmo tempo? (Sério! Até hoje não sei como definir aquele acontecimento! E nem vou falar dele!) Enfim, me fez repensar algumas certezas que sempre tive na minha vida. Sobre amor principalmente, seja o meu, ou de outras pessoas, de sexualidade, e coisas que nem sempre mexi.
Me entendam: eu sempre me vi pisando em um chão firme de convicções, que nos últimos anos foram, se perdendo. Nunca fui um homem da direita, mas muitas das ideias que eu tive até então vinham dessa falsa noção de viver uma vida perfeita. Pois vivemos em uma sociedade extremamente liberal..., mas liberal com o que? Com a economia, é claro. Só que, assim como quando houve a Independência do Brasil, o país se dizia liberal mesmo possuindo escravos, eu nunca tinha me tocado em quanto vivemos em uma sociedade hipócrita.
Pior ainda, pois eu moro em Santa Isabel, uma cidade extremamente conservadora. Não há crimes de ódio contra minorias, nas ruas pelo menos, com tanta frequência. Entretanto, o que tem de pessoas que se escondem por trás de um perfil nas redes sociais, não é brincadeira. É preconceito contra negros, LGBTQIAPN+, religiões de matriz afro, além de toda a sorte de piadas cruéis, que escuto aqui e ali.
Obviamente, eu precisava de referências para aquilo que começava a escrever. E fui buscando em livros, mitologia, cultura pop e em exemplos da vida real.
Quando vi Pelos Estreitos Becos da Vida, de Armando Machado, o Machadinho, uma das coisas que notei foi como aquilo era com base na vivência do autor. Obviamente, poderia ter seus exageros, ele pode ter minimizado alguns episódios, mas o pior é que boa parte poderia ser verdadeira! Ainda digo mais, pessoas próximas dele, me falaram que realmente, alguns daqueles fatos são reais. O quanto era verdadeiro eu não sei, mas se tornou uma base nos últimos tempos para Afrodite e Odisseu. Pois até onde pude conhecer dele, não era uma pessoa perfeita. Assim como eu não sou. Como autores somos falhos e isso é ótimo para nossa criação. Sem contar que me usaria como protagonista, assim como faz Stephen King.
Acho que uma das coisas que poucos notam, é que sou um fã de Stephen King. Se você nota, deve ser um stalker meu! Parece bobo, mas muita gente não conhece toda a obra do cara, afinal, ele não procrastina em escrever. Quando era novo, conheci seus textos primeiro pelos filmes baseados em suas obras. Tais como Christine, Carrie A Estranha, Cemitério Maldito, It: A Coisa, Dança da Morte, além do controverso O Iluminado, que não tem muito da obra original. Anos depois, soube que ele escrevia contos, alguns mais curtos, nessa mesma pegada, como O Nevoeiro e Às Vezes Eles Voltam. Contudo, o que mais me pegou de jeito foi conhecer duas obras que não me lembrariam nada de terror, vindo dele. Um Sonho de Liberdade e À Espera de Um Milagre, ironicamente, sendo obras que tratam de pessoas presas. O que me fez pensar em King, não foi por si só o fato dele abordar o mais comum com tanta graça, mas se colocar nas obras. Ele faz isso, quase sempre, como na história do Hotel Overlook ou Janela Indiscreta. E eu queria me colocar aqui, da minha perspectiva, como autor e personagem. Mas não queria ser o protagonista.
Eu gosto da Odisseia. A saga do Rei de Ítaca, que foi guerrear contra Tróia, parece que foi buscar uns cigarros e só voltou quando estavam querendo pegar a mulher dele. Falando sério, Odisseu era um baita hipócrita. Caçou umas aventuras de brigas e amorosas, pra depois correr atrás do trono, por um certo peso na consciência. Eu amo esse personagem trágico, devido a isso, por parte de tudo ter acontecido devido a si mesmo. Triunfa, devido as suas falhas se tornarem a experiência para lidar com pessoas prepotentes. Os pretendentes a casar com sua rainha, fiel até o fim. Ao menos, é o meu entender. E ainda mais, ele ainda estava aprendendo no final de sua vida, também a como ser pai. Só que eu não o acho digno de um protagonismo, nessa peça.
Afrodite por outro lado, é uma deusa, uma entidade superior, mas cheia de falhas. Entretanto, a figura feminina – seja pelo cristianismo atual, ou até algumas visões pagãs machistas mesmo – sempre é retratada como uma pessoa que precisa ser punida. Aracne, Pandora, Menta, pesquise esses nomes, e vai encontrar que boa parte delas foi punida ou foi controlado o destino. Enquanto, quando um homem fazia alguma burrada, era transformado em uma lenda, em um mito, estrela, até em uma constelação inteira. A deusa do amor, que protegia o prazer, os apaixonados e até as prostitutas, sempre foi humilhada, sendo que só deve grande relevância na Guerra de Tróia. E mesmo assim, ela causa a disputa devido ao sequestro de Helena, por Paris. Ou seja, na mentalidade antiga, mulher causava confusão pros gregos, e esse pensamento se arrastou até hoje. Então, queria essa divindade como a protagonista.
Então, o que me fez pensar, E SE, Afrodite encontrasse Odisseu, durante o final da Guerra de Tróia?
Para quem não sabe, a saga de Odisseu, se dá quando ele, após ajudar a conquistar Tróia, desafia os deuses, em especial Poseidon. Além de ter vencido com o famoso Cavalo de Tróia, teria sido uma fera do mar que impediu o plano dos gregos de dar errado. Lembrando que equinos são criações desse deus. E como dito antes, Afrodite teria ajudado Paris, príncipe troiano, a sequestrar Helena, então mulher do rei espartano. Tudo por que ele a favoreceu em um concurso de beleza, entre ela e outras deusas. Fazer esses dois, em uma história seria delicioso de descrever.
Ainda assim, eu não sou grego, nem sequer sou Homero, nem Odisseu. Sou Luis Eduardo Caraça Tavares. E queria abordar temas mais sensíveis. Ao mesmo tempo que não queria ter uma obra como Star Wars, que trata sobre temas espinhosos, mas não pode colocar sexo ou coisas até mais polêmicas, no enredo. Lembrando que sou um fanático pela obra de George Lucas, mas o próprio ficou cansado disso em certo ponto. Então, me voltei para dois pontos que poderiam me ajudar: Entre o Outono e Você e Amor Sem Igual.
A primeira é uma obra escrita por Roberto Antunes, autor que assim como eu, é de Santa Isabel. Seu livro, foi publicado no ano de 2025 e trata sobre um romance que transcende o tempo e as estações. Sobre dois jovens, Rafael Schneider e Isadora Magalhães, que mesmo sendo tão diferentes, se encontravam nesses contrastes. Ao ponto que algo fará suas vidas mudarem completamente. E eu fiquei, gostei disso tudo, mas se eu pudesse ser mais cruel que o Roberto nesse desfecho? Pois há uma continuação do livro, o que pode dar um gosto menos agridoce a obra. E eu queria esse azedo e doce ao mesmo tempo no que escrevia.
Já na novela da Record, acompanhamos a história de uma garota de programa chamada Poderosa, salva por um homem trabalhador de nome Miguel. Acompanhamos, nessa obra uma tentativa de mudança da personagem, por parte de seu par romântico, para alguém menos promíscua, mas tudo naquelas cenas era muito forçado. Parecia um game, em que a decisão do personagem só influencia no final, próximo do encerramento. E a obra tinha chance de ser bem melhor, até mesmo se mudassem alguns detalhes. Deixassem a mensagem religiosa moralista, mas ao menos fizessem de um modo mais apropriado. Aquilo me fez pensar, eu poderia fazer isso de uma forma boa!
Então comecei a redigir no meu celular, de uma forma fora do contexto, um texto que trata sobre coisas pouco descritas nos meus livros. Algo que demonstre uma mudança na minha escrita, mas que possua meu DNA narrativo. E por favor, isso com certeza não tem nada a ver com Uma Linda Mulher. Está bem longe disso, sendo mais próximo de um romance bem fora da curva. Que ainda possuí algo perigoso a colocar na vida da protagonista.
-Escrito por Luis Eduardo C. Tavares, em 05 de julho de 2026, domingo

Estava até adiantado para ver ela. Barriga vazia, nariz escorrendo congestionado, corpo cansado, com uma mochila cheia de tranqueiras, como professor que era. Estava na Faria Lima, bairro dos ricos empresários de São Paulo. Não havia notado e desceu na Estação Pinheiros. Como não sabia que era perto do lugar o metrô, deve que pegar um táxi. Afinal, ele preferia chegar adiantado do que atrasado. Peque pelo excesso, nunca pela falta, sempre que podia falava.

Achava que estava bem, para o seu estilo padrão: um típico grunge! Tênis detonado, mas ainda impecável. Calça jeans, pois era o único tipo de vestimenta para as pernas que ficava bem nele. Presa por um cinto preto mais detonado que cão de rua. A camisa era do Rammstein, banda alemã que demonstrava sua vertente para a política de esquerda. O que esperar de um historiador? Para completar, um boné antigo cobria seu cabelo, que estava bem arrumado, para aquele tipo de cidadão pelo menos. Mas não queria parecer feio antes da hora. Usava um perfume chique, mesmo que para outros parecesse bobagem. Obviamente, não comentou sobre o que faria, ainda que quisesse estar charmoso.

Enfim, caminhou até a rua que ela havia especificado. Ficava próximo de prédios de ricos, que pareciam ter sua própria praça. Coisa de pessoas lotadas de grana, gente de quem ele não gostava.

De toda a forma, o lugar ficava ali. Não poderia ser outro lugar.

Apertou o interfone do prédio, com o número 130, como ela havia combinado. Não entendia essas tecnologias, então, demorou para aprender a como apertar. Diria, que como o escritor Tolkien, não era bom com algumas tecnologias.

-Olá? - disse a voz do comunicador eletrônico.

-Oi - falou aquele rapaz, com voz constrangida, que poderia entregar sua intenção - Ah, estou aqui para encontrar a moça do 59.

-Espere um pouco - e uma música, típica de elevador tocou. 

Ficou esperando no vazio daquele silêncio, no bairro nobre, por alguns segundos. Em seguida, a voz eletrônica da atendente surgiu. 

-Ela falou que vai lhe mandar mensagem pelo celular. Olhe aí.

-T-tá bem - meio nervoso ele pegou o aparelho e conferiu. Realmente havia um recado por parte dela.

Estava lá:


Eu disse 13:00. Ainda não me arrumei. 


Ficou meio com bronca, pois queria chegar cedo para poder aproveitar a companhia dela. Ele não fez nada de errado. 

Ainda assim, o rapaz respondeu:


Ok. Vou andar um pouco e já volto.


Ela, respondeu prontamente:


Pode ficar no aguardo, aqui dentro se quiser.


Respondeu por áudio, com um tom de voz afável, que não precisava. Andaria um pouco, depois voltava ali. Passear em Sampa era gostoso.

Em seguida, ela mandou um rápido e simplório "ok".

Bufou ao ver a resposta. Não existia um grande compromisso entre eles, mas queria a ver logo. Talvez nem daria certo, pois estava nervoso. De toda a forma, andou alguns metros para trás, onde viu um posto de gasolina.

Lá, comprou energético e balas para o hálito. Queria parecer minimamente bem. Apesar de usar um vestuário simplório para encontrar com uma moça como aquela. Jamais tinha feito aquilo, então, não era como se tivesse protocolos daquele tipo de situação. Então, tomou em alguns goles a bebida energizante, sem contar que depois consumiu uma das balas. Queria ter uma experiência perfeita.

Voltou de frente ao prédio, como se fosse um dos seus alunos que repetia um ato de pedido ao banheiro. Perguntando a mesma coisa, ainda assim, a atendente parecia não se lembrar dele. Como isso é possível? Ou a memória era bem seletiva, ou ela estava pouco se lixando para ele.

Enfim, a moça do apartamento 59, parecia estar pronta e mandou ele subir.

Havia até mandado mensagem pelo celular também. 

Isso lhe deixou bem, para mexer na porta. Quase fez aquilo que é pedido nela, só que ao contrário. Ao invés de empurrar, iria puxar. O nervosismo era claro. Ao menos, já sabia, se era no apartamento 59, seria no quinto andar.

Entrou no elevador, junto a uma senhora, que trabalhava no prédio. Ajudou como pode, com o peso de um aparelho que nem imaginava do que se tratava. Desceria depois dela, o que lhe deixava bem. 

Pois quando chegou ao andar, mesmo sabendo encontrar o quarto, se sentiu perdido. Finalmente, estava na porta, apertou a campainha. 

Quem atendeu era ela. Uma moça de encontros íntimos, ao qual dariam outros nomes antes. Uma garota de programa, uma prostituta ou uma puta. Pouco interessava, pois ela estava ali para ele.

-Oi gatinho. Tudo bem? Vamos, entra - e o puxou pelas mãos. Já notando elas trêmulas. 

-Olá... Ana - disse de um modo meio calmo, mas contido - Está bem?

Ela estava estonteante, com um body de renda preta, com detalhes que conseguia notar, cobrindo boa parte do corpo, com exceção das costas. Uma uma saia curta de jeans, estava na sua cintura, dando um ar de infantilidade, uma coisa mais inocente. E as botas, eram coturnos, que a deixavam maior em altura, mas não se comparava ainda ao rapaz e seu tamanho. Mas, abaixo daquele tecido, não existia mais nada, nem sutiã, nem calcinha, nem lingerie, nenhuma peça de roupa íntima. Era algo que jamais tinha visto pessoalmente, mesmo com um grande grupo de experiências sexuais. Não que fosse um especialista, muito pelo contrário, pois estava até meio atrasado nesse quesito. Ainda assim, manteve a calma, como se conversasse com alguém comum.

O problema estava nos seios, realmente fartos e voluptuosos, que forçavam ele a olhar para seus olhos. Pois olhar para baixo se tornava um perigo: ela, safadamente, deixa a mostra o que havia debaixo da saia, mesmo com a renda cobrindo parte daquela área. Ai, chegava na face da serpente, ele diria, pois o encarou com olhos azuis cheios de leveza e crueldade. Estava na frente de uma tremenda Capitú, aquele olhar penetrante, como de uma serpente, mas uma cascavel seria menos poderosa. Além de que, ao menos poderia ouvir um guizo.

A única coisa que estava fora do sonho molhado de um homem seria a maquiagem. Parecia ter sido feita as pressas, ou estava sendo para outra função. Ainda assim, os lábios vermelhos turvavam a visão, tempo suficiente para um ataque, se quisesse. Isso sem contar, que apesar de não ter conferido as ancas, o corpo em si, estava maravilhoso. Queria a tocar, mas mesmo pagando para estar ali, estava tímido.

Ela sentou na cama, oferecendo água, depois cerveja. Aceitou a bebida alcoólica. Talvez, sentisse mais confiança para agir.

-Desculpe a demora - começou Ana - Eu só queria me arrumar o melhor possível.

-Que isso! Você está fenomenal, como vejo no site - finalmente, falava de um modo mais aberto. Não achava que a bebida teria dado efeito, mas talvez, o energético já.

-Obrigado gatinho. Quer um energético também?

Após aceitar, já foi pegando, o que ela havia deixado na mesa. Era um apartamento pequeno, que ela com certeza alugou, para aquilo. Nada de motel. Garotas assim, tinham que preservar pela qualidade. E também, pelo sonho, a fantasia sexual. Havia uma geladeira, colocada em um ponto estratégico, junto a uma mesa improvisada, além de alguns armários. Dava para se ver do lado da cama, em um espelho e continha também a entrada de um banheiro, com porta transparente, como imaginava.

-Então, vê o site não é? - questionou sem malícia ou maldade.

-Ah, sim. É uma plataforma bacana. Na verdade - então, voltou e sentou ao lado dela na cama - o motivo de estar vendo aquilo tudo, é por estar solteiro. Se não, nem mexeria naquilo

-Um cavalheiro, creio eu - disse Ana, sem pretensão.

-Não. Bem longe disso - sorriu ao expressar aquelas palavras - Eu não acho certas atitudes de homens, que se mantém em sites assim, sendo que estão comprometidos. É hipócrita.

Então tomou um gole a mais no energético. Parecia querer der mais gás para falar sobre aquilo. 

E quando se virou para o rosto de Ana, ela estava com um rosto de perplexidade. Notando que ela ficou espantada sobre aquele pensamento. 

-O que disse faz muito sentido - foi a expressão da moça, com um sorriso no rosto - Então, por qual motivo entrou na plataforma?

Ele riu, pensando sobre algo que nem comentava muito.

-Eu mudei muito alguns pensamentos, nos últimos anos. Devido a coisas que passei, ver o quanto essa galera está mostrando ser hipócrita. Em especial, os pais de família conservadores e cheios morais e bons costumes.

-Sim! Falando que as pessoas devem respeitar a família e a tradição, mas... - Ana foi interrompida por ele, nesse momento.

-São os primeiros a traírem mulher e filhos, vindo em encontros assim.

-Exatamente - então, ao falar isso, ela pegou no joelho daquele rapaz. Dessa vez, parecia mais controlado, como se fosse natural aquela ação. Não era devido a bebida alcoólica, nem ao energético. Se devia a uma certa convicção nas palavras.

-Aliás - levantou rapidamente, tentando ser delicado com a moça, para ir até a mochila - Lhe trouxe algo aqui... Achei!

Quando disse aquilo, parecia ter descoberto a penicilina. Mas era um livro, que tratava sobre Nietzche.

Sentou ao seu lado como se fosse dar um

-Encontrei enquanto estava vindo - estava sorrindo feito uma criança ao entregar aquele livro. 

-Meu! - a expressão era genuinamente de felicidade no rosto da moça - Você notou mesmo! Mas confesso que curto muito livros de terror e fantasia.

-Isso imaginei, mas era um ou outro - fungou um pouco, ao falar aquilo, o rapaz. Poderia ser um adulto, mas atitudes que beiravam o infantil. 

Aquela musa riu, de uma forma única, que lhe deixava mais atraente do que já era. Enfim, ele notou o cabelo dela, com um volume único e misterioso. Era de um castanho, quase místico. Parecia as vezes mais claro, na parte alta, como os raios de lua cheia. E mais escuro, quando mais descia para o pescoço e o busto, com a escuridão de um céu noturno. Fascinado estava, ao olhar para aquela mulher.

-Por qual motivo escolheu esse então? - disse Ana, quebrando seu próprio encanto sobre o rapaz. 

-Ah, sim - ele notou essa quebra - Seus gostos nas redes me lembrou da mitologia grega. E como os deuses podem representar aspectos humanos.

A cara da moça parecia quase inocente ao ouvir aquilo, se não fosse pelo seu corpo pronto para algo mais. Ela usou os cotovelos para ficar no colo de seu contratante, e olhou com círculos castanhos chamativos e um lábio vermelho-rosa chamativo.

-Me explica isso.

Era notável que o membro dele estava atento, mas era engraçado que queria o controlar, ao menos um pouco. Realmente, nunca esteve com uma mulher contratada para o prazer.

-Deuses gregos... Demonstram como somos falhos. Um exemplo claro é o próprio Zeus. Um canalha de marca maior que eu odeio. Abusador, genocida, canalha de marca maior... E lidera o Olimpo!

A atenta Ana levantou do colo, de forma abrupta, mas parecia realmente interessada. 

-É verdade. Nunca achei que iria ouvir algo desse tipo de um homem. O Zeus é terrível, pelo que se sabe - ao falar isso, ela colocou sua mão na perna dele. Menos mal para sua libido.

-Sim. Ele deve mais de cinquenta casos e supera os mais de cem filhos, dentro da mitologia. Isso sem contar a destruição de tantas civilizações.

E ao falar isso, colocou a sua sobre a dela.

-Parece bem inteligente - disse ela com um sorriso quase infantil.

-A tática de pessoas realmente inteligentes é parecerem estúpidas. 

-Como assim? - Ana estava empolgada com aquele falatório, mas tirou uma lata de cerveja, que ele nem imaginava que poderia ter por ali.

-Pessoas, quando são inteligentes, não demonstram isso. São reservadas ou parecem estúpidas, pois é mais fácil para enganar os outros. Pois a queda de uma pessoa assim, não é falta de inteligência, mas o orgulho dela.

Isso fez a mente de Ana atingir novos patamares.

-Então, o certo seria parecer uma pessoa burra?

-Sim. Isso nos protege... - ao falar isso, ele se voltava para a bebida. Não como se tivesse sede, como se fosse um foco. Os olhos dele estavam cheios de uma nostalgia e melancolia. Se concentrava, não naquela moça, com quem conversava naquele momento, mas em algo.

-Uma bala por seus pensamentos moço.

-Eu só estava pensando em quanto estou ansioso...

-Faz parte - e Ana então esfregou suas costas, o consolando pela apreensão que ele sentia. Notava uma costa simples, sem grande força, mas ainda assim, bem mais definida do que esperava. Era um rapaz grande, cheio de um humor único. Pena ser apenas mais um trabalho para ela.

-Não é apenas aqui, mas com alguns dos trabalhos meus. Eu quero tanto atingir as pessoas com arte. Minhas obras.

-Você é formado em artes - ela respondeu, ao se lembrar de algo sobre ele.

-Sim - respondeu ele, de forma entusiasmada - Então, já viu alguma coisa minha?

-Me interessei - Ana comentou, com certo ar de desconversar - Como alguém que aprecia as artes seria como um deus? Tal qual Dionísio?

Ele riu, de uma forma franca. Ana gostou. 

-De certa forma - falou ele com olhos ternos - sou mais a cara de Odisseu.

-Um herói trágico - a moça disse isso colocando as duas mãos em suas pernas 

-Um homem que falha - falou ele, assoprando o ar em seguida, para se preparar. 

Ana em seguida se ajoelhou perto dele, na sua frente. De uma forma terna mas cheia de malícia, como apenas uma moça daquele ofício poderia ter.

Ela abriu a calça com certa delicadeza, ao ponto de que nem parecia estar mexendo em um zíper. Era mais algo próximo de um corte, seco, rápido, sem testemunhas. O quarto cheirava a Ana, com um perfume inebriante, exótico, até mesmo afrodisíaco. Na verdade, o estimulante era ela, voluptuosa, cheia de um cuidado único, abrindo a frente da vestimenta inferior, já notava o óbvio. Seu membro estava duro, erguido, ainda abaixo da cueca, preta ou azul. Era tantas vezes que lavava aquele pano, que perdeu a noção de cor. Seu corpo esquentava, não apenas pela manipulação das mãos da jovem, como também pelo que havia bebido antes.

Enfim, sacou a arma que ele guardava entre as pernas. Aquele membro estava cheio de veias, além de pelos mau cuidados ao seu redor. Era jovem, o que impedia de pensar que deveria aparar aquele "campo principal". Isso nunca foi uma dificuldade para ela. Ao dedilhar o instrumento dela, era com uma grande vontade - e experiência - que colocava sua boca a prova.

Ele notava até mesmo, que o rostinho dela, terno e singelo, ficava até mais caricato naquela situação prazerosa. Só que não importava, visto que isso era o suficiente para deixar ele mais travado naquele transe. Era como se ela fosse uma cobra engolido um animal de pequeno porte, em um golpe certeiro. Entretanto, não deixava de ser lindo se pudesse contemplar tal cena. Não por ser sexual, mas por demonstrar, de uma certa forma pervertida, afeto.

Eis que ela nota a grossura do membro e senta sobre ele. No seu colo, de forma quase infantil. Não ainda deixando a penetrações ocorrer.

-Se me rotulasse como uma de suas deusas, qual seria? - após isso, lhe lascou um beijo, que o rapaz retribuiu sem qualquer medo.

Os lábios queimavam da paixão e vontade. Ele parou, e como bom nerd que era, concluiu: 

-Afrodite, deusa do amor e do prazer, padroeira de Corinto.

-Diz Corinto, como aquela da carta aos coríntios? - ela misturava um semblante de curiosa e safada, que era único.

-Sim - continuou ele - De lá, saíram muitas sacerdotisas, tão promíscuas quanto você. 

-Promiscua, eu? - em seguida, sem deixar entrar o pau dele em sua vagina, mexeu a cintura. De um modo, que apenas quem está na cara do gol, sabe como é.

-S-sim, minha que-querida - ele tentava se manter controlado, para não gozar - Mas ela o manipulava bem. 

Eis que com a força que tinha, ele agarrou-a pelo corpo e se jogou sobre ela. Tinha medo que se encarar Ana, fosse petrificado, tal qual a Medusa. Já era tarde para isso, pois não havia virado pedra, mas ficou encantado com aquela divindade em forma feminina.

Os seios eram fartos, aos quais lambia, por cima da renda preta. Pernas firmes, combinando com aquela bota escura que ele já retirava dela. Bumbum pequeno, mas firme, para o agarrar, como se fosse um travesseiro fofo e afável. E a vagina, ah essa parecia pronta para o devorar.

Enfim, ela pegou uma camisinha e ficou por cima dele na cama, de pé mesmo. Abria o pacote, tal qual uma profissional. Com os dedos, segurando o peito daquele rapaz, cheio de vontade. Seu rosto estava quente, pois além de ver aquela figura linda acima dele, sua visão da área íntima era primorosa. Ela abaixou, colocou com o cuidado que tinha, o preservativo sobre seu membro. Estava apontado para cima e pediu:

-Tira pra mim? - apontando com as mãos, para aquela transparente vestimenta.

O rosto dele, que estava vermelho, já parecia muito focado nela. O seu tom escarlate poderia ser vergonha, excitação, doença ou falta de medo agora. Porém, ele estava diante de sua musa e faria o possível para fazê-la ficar excitada. Enquanto retirava a peça de roupa dela, acariciava seus seios fartos. Dedilhava eles, como uma peça de arte que pudesse tocar. Ana colocava a mão dela, com suas unhas em sua nuca. Retribuía aquela ação, pois se sentia bem. Era difícil alguém que estivesse realmente com vontade por ela mesmo. Não só querendo mais um corpo.

Enfim, ela estava despida e ele sem roupa alguma, a não ser sua proteção ao pau.

Ela o jogou, sobre um dos travesseiros e sentou. Com sua bunda virada para seu rosto.

Havia movimento nela