Eu nunca gostei da morte. Todo
mundo a teme. Mesmo que um pouquinho, até Neil Gaiman não deve gostar disso.
Talvez seja, pois, a única
certeza para todos é que vamos morrer. Não importa se somos crédulos ou ateus,
formados em biologia, história ou matemática, ou que tenhamos conhecido vida alienígena.
Você vai falecer assim como eu.
Somos uma casca. Só isso, um
grande involucro. Não trato de alma ou carne. Mas de sentimentos. Falem o que
quiserem, mas nossas emoções são a única coisa que sobra nesse mundo. São parte
das lembranças que deixamos.
Ainda assim, não devíamos temer
ela. E assim abraça-la. Nunca diria para todos perdermos a vida, mas sim nos
conformarmos com seu abraço. Pois ela não é quente nem fria. É só alívio.
Parece mórbido e estranho, mas talvez
compreendam com o que vou escrever. Sou uma pessoa que pode nunca ter chorado
por parentes que pouco conheci, apesar de serem de grande relevância na minha
vida. Contudo, choro por pessoas que conheci muito pouco tempo e que já fazem
parte das minhas melhores lembranças.
Então, enquanto escrevo isso,
saibam que estou cuidando da minha cachorrinha Kelly. Ela é uma vira-lata que
deve ter parentesco com chihuahua, ou outra espécie pequena. Só que
recentemente, em menos de uma semana, ela não consegue mais se manter de pé.
Seus olhos estão inchados e vermelhos. Fica deitada o dia inteiro. Primeiro
perdeu a noção de equilíbrio, depois caia sem motivo, até que agora, ela quase
não se movimenta. Colocando seu pescoço para trás, nos deixando com medo. A mim
e a minha mãe.
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Perdi muitas pessoas que amava,
assim como animais. Ainda assim, continuando amando todos aqueles que estão ao
meu redor, desde que esses sejam seres que ainda são importantes para mim. E
quando até estes seres magníficos também me deixarem, eu também vou chorar.
Pode ser para um ser pequenino como a Kelly, ou alguém enorme em coração e
alma, como já ocorreu. Eu não me importo em me chamarem de chorão. Mas eu irei “segurar”
estes personagens da minha vida. Ajudar essa passagem na vida delas. Que deve ter sido tão magnífica quanto a minha. No quesito que viveram com toda a vontade de seus espíritos. Com ou sem arrependimentos.
E quando for a minha hora, a
derradeira, eu vou me “segurar”. Espero que alguém me “segure” também.
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