terça-feira, 29 de abril de 2014

Notícia Urgente do Blog

Pessoal que acompanha Contos: eu irei RETIRAR por tempo indeterminado os textos da página e do blog (referentes a esse livro). O motivo é que irei entrar em um concurso da editora Leya, ao qual, poderei publicar meu livro. Se ganhar, o texto não pode estar disponível na internet antes do livro ser lançado. Caso eu perca, os textos serão restaurados. ^^ Espero que não tenha que publicar de novo eles kkkkk Bem até mais e grato pela compreensão.

terça-feira, 8 de abril de 2014

(EXTRA) Humor: Personalidades fictícias, históricas (vivas ou mortas) que leram esse livro e seus comentários:

“Sawi... Esse rapaz tem futuro como pirata! Ah... É escritor? Isso também...”
-Jack Sparrow, um pirata beeeeem estranho

“Gostei do Thror.”
-Myke Tyson (precisa falar mais alguma coisa?)

“Se fosse ele colocaria mais bebidas, drogas e prostitutas... Tá legal! Só as prostitutas tá bom.”
-Charlie Sheen

“Isso não é possível.”
-Neo, um hacker que não sabe entortar colheres, mas consegue mudar o mundo de Matrix e usa essa resposta para tudo...

“Ah como ele é lindo e provocante. Ele me enlouquece de desejo...”
“Largava o Brad por ele...”
-Megan Fox e Angelina Jolie em um dos delírios do autor. Nem assim meu amigo...













“Não vou ser processado? Então comia ele também!”
-Rafinha Bastos, comediante que tem, um certo problema com bebês e cantoras

“Minha personagem preferida é a Halphy. Ela se parece tanto comigo!”
-Uma ladra de jóias que conheci por acaso... Volta aqui! Isso é da minha mãe!

“Ele roubou... Roubou meu livro precioso... E era o segundo volume ainda por cima!”
-Gollum, um jovem com problemas mentais e que fez uma cirurgia “a La Michael Jackson”

“Huuuuuuuuuuuuum pena ser tão velho! Ah o livro é bom”
-Michael Jackson, cantor e diva pop

“O livro é bom. Pena meu patrão ser tão chato e não me deixar ler direito... Pegue os rebeldes... Traga seu filho para o lado negro... Qualquer dia desses pego ele e jogo do alto da ponte do trono!”

-Darth Vader, revelando o verdadeiro motivo da briga

(Parte 20) Capítulo Cinco: Necrópole



A morte contornava cada pedaço daquele lugar. Parecia uma região onde as almas se contorciam e que traziam consigo o ar do medo. Os espíritos dos mortos cantavam a Canção dos Condenados como um enorme coro. Os com vínculos com o arcano, divino e natural conseguiam ouvir os gemidos dos falecidos. Isso mostrava quando o lugar possuía uma aura de morte, sendo que apesar de experiente não possuíam força o suficiente para escutar as vozes dos espíritos corretamente. Era uma visão aterradora, não fosse pelo detalhe de serem forçados a ficar no castelo.
Havia uma tempestade de neve lá fora, criando medo a todos. Não teriam como sair da construção tão cedo. E mesmo as casas na vila não seriam o bastante para agüentar a força daquele clima. A noite se arrastaria pesadamente.
O castelo havia sido construído para Kalidor Hein Hagen, o líder supremo dos Imortais Esquecidos. Como tal, deveria resistir às forças dos elementos. Lendas contam sobre uma cigana que concedeu ao poderoso guerreiro as construção, através de uma carta de tarot, em sua juventude. Não parecia tão distante da verdade agora, pois além da aura de morte ali presente, havia uma fração de poder arcano também.
Halphy e Thror, depois de curados das feridas de combate, agiram como batedores para verificar se Diogo não teria deixado surpresas desagradáveis. E no final, estranhamente verificaram que não havia nada. Nenhum corpo, armadilha ou magia foi encontrada pela dupla. E Lacktum já sabia o motivo disso, afinal, Van Sirian deveria ser uma espécie de troféu para Kalic Benton. Cada vez mais o arcano tinha certeza que foi ele quem matou todos naquela terra. Assim como Lirah, ainda desaparecida.
A ladina verificou que além dos quartos da família, havia um salão de reuniões, uma ampla cozinha e vários dormitórios para hospedes. Esse castelo era realmente vasto em tempos passados, e deveria ter sido lindo. Agora ela entendia, em parte, os sentimentos que fizeram o mago, começar sua jornada de ódio. Mas mesmo assim, acreditava que nunca entraria em uma espiral de vingança que a consumisse a esse ponto.
Todos estavam no quarto, que em uma vida passada, pertenceu a Lacktum. Era simples e um dos mais aquecidos, não só pela lenha queimada que conseguiram achar, mas pela distância dos quartos com janelas. Era bem isolado.
A fogueira improvisada crepitava e os olhos de Gustavo fitavam as chamas com um ar de saudades... E ódio de si mesmo.
Lacktum levantou depois de certo tempo e então pediu:
-Nos conte uma história? Quem o grupo enfrentará?

Gustavo olhou fundo nos olhos do mago. Pediu que ele se sentasse novamente, pois a história seria longa. Todos se aquietaram ouvindo o paladino. Eles olharam para ele como se um conto de fadas fosse contado. Mas não seria isso.
-Vim de terras distantes, separado de meu querido irmão. Acho que talvez não soubessem – e mesmo que soubessem não faria diferença – que somo príncipes. Filho de um bom e gentil soberano que sempre prezou por seus rebentos. Quis a fortuna que ele tivesse três filhos. Eu atualmente possuo vinte verões de vida. Federick era o mais novo, que hoje deveria ter dezessete. Já Joseph era o do meio. Se ainda estivesse vivo, teria dezenove. Mas para a cabeça cheia de tramas dos nobres de nossa terra isso era um grave problema e terrível dilema. Nossa mãe morreu no mesmo dia em que deu a luz a Federick, o que fez com que nunca tivéssemos muito tempo para saber o que o abraço materno. De qualquer modo, crescemos e os costumes antigos de nosso povo diziam que um novo rei deve ser decidido antes de o antigo morrer, em um combate ritual, feito entre os herdeiros. Normalmente, ele nunca ocorria, pois sempre houve só um príncipe em cada descendência que se saiba. E esse combate ocorreria quando pelo menos um de nós tivesse completado vinte anos. Enquanto crescíamos, fomos treinados por um cavaleiro que seguia os costumes antigos da doutrina de James Gawain e seu discípulo Half, mestres nas espadas que treinaram diversos cavaleiros nobres, de diversas religiões. Seu nome era Diogo Fernandez, homem um tanto misterioso, mas sempre justo conosco. Fomos os três, treinados como seus filhos. Nesse meio tempo, os nobres pressionavam meu pai e Diogo sempre, mas nunca cediam. Mesmo assim, isso nos atingiu, pois treinávamos de forma, cada vez mais pesada... Isso criava raiva entre nós, ressentimentos... Certo dia, em um fatídico dia de treino, a batalha se estendia demais. Até que Joseph provocou a mim e a Federick. Sempre foi o melhor dos três. E nosso mestre observava a tudo... – nesse instante, o paladino fez uma pausa muito maior, tentando recobrar o controle sobre seus sentimentos – Quando em um golpe de azar, ambos acertamos o pobre Joseph. Ele deveria sobreviver a um combate como aquele. Sempre foi o melhor no combate. Mesmo assim, ele pereceu em nossas mãos. Diogo ficou irado. Ele nos amaldiçoou.
-Verdade? – soltou Lacktum.
-Ouvir disser que a maldição de um guerreiro sagrado é algo horrível – disse a ladina feiticeira se lembrando das frases de sua mãe – Um paladino abdica de seus tons e suas pragas se tornam poderosas o bastante para acabar com a vítima, ou tornar sua existência uma lastima. Se Diogo acreditava que fizeram isso por mal, com certeza as palavras teriam grande poder.
-É – falou Gustavo.
-É como se fosse uma troca? – perguntou Lacktum.
-É – respondeu Halphy.
-Qual era a maldição? – perguntou Arctus inflexível com os braços entrelaçados.
-Federick nunca morreria em um duelo justo, foi isso que ele disse. E pelo que me contaram de sua morte, isso se concretizou. Eu teria outro fim. Ele disse que eu morreria pelas mãos da pessoa que eu mais amo.

Todos se calaram o resto da noite. Cada um dias que passaram com o paladino parecera calmo até aquele momento. A vida deles sempre foi atribulada pela sucessão de combates e aventuras. A companhia do paladino sempre trouxe para todos eles confiança e bom senso. Sempre foi uma força de paz para os Dragões da Justiça. Como voltariam a ter o mesmo sentimento de antes por ele? Como lidar com um fato assim, tão sombrio? Será mesmo que os irmãos não fizeram aquilo por mal?
Tudo que foi falado fez sentido. Afinal, sempre haviam notado em ambos os irmãos certo ar de melancolia e nostalgia.
Já Arctus, não se deixaria se abater. Ele realmente se espantou com o passado sombrio de Gustavo. Mas o amor que sentia por Salles superava a precaução pedida naquela situação. Ele era o irmão que nunca possuiu.
Só sobraram acordados, o padre Arctus e o líder Lacktum. O mago olhava para a fogueira como se procurasse algo. Algo que não encontrou na vila, no castelo e muito menos durante o combate. Algo que alimentasse sua alma que ansiava a morte de certo homem de máscara. Esse algo, o cegava para os problemas do grupo.
Eis que de repente, Lacktum começou a recitar, sem notar o que saia de sua boca:
-Um dragão em espírito nós somos...
-Como? – olhou com espanto, Arctus para o arcano.
-Nada, me lembrei do Gor. Certa vez, ele disse que quando recitava uma frase diante a morte, ela temia nos levar. Muito tempo atrás em uma conversa de fogueira. Acho que era isso não é? Nem lembro mais...
-Você pensa muito no combate.
-Você acha?
-É você sempre se sente instigado a fazer o maior corte. O maior golpe possível. Nunca cicatrizando as feridas dos outros, nem as suas.
Lacktum olhou para o padre com raiva, mas também admiração por sua audácia.
-Você me considera um mau líder?
-Não... Sim, acho.
-Nem eu sei o motivo de ter sido escolhido para isso.
-Mas você foi escolhido. Não foi a mim, nem ao grego cabeça dura, nem a fealith. Foi você. E a liderança é um fardo que não se passa sem ter certeza que isso irá terminar de forma certa.
Mesmo não querendo admitir o padre estava certo. Ele não sabia que a liderança do grupo estava fazendo em suas mãos. Mas não poderia entregar seu cargo para outro tão cedo. Era necessário lutar para mostrar que sempre haverá alguém protegendo os menos afortunados. Contra qualquer coisa que o mundo jogasse de pior contra nós.
-Diga-me – falou o mago – nunca entendi essa idéia da magia divina. A Arte parte do princípio que o mana existe no corpo é todo focalizado através de nossa vontade. Assim, nós podemos criar magia.
-Já ouvi falar disso que chamam da Arte.
-Mas como vocês lidam com ela também? Vocês nem seguem os caminhos antigos da Arte. Nem você, nem Seton.
-Eu não sei quando ao druida – falou isso enquanto olhava para Seton – mas minha força vem de Deus.
O arcano riu como se alguém tivesse lhe contado uma ótima piada. Quase acordou os animais, que tinham a audição mais sensível. Quando terminou, secou os olhos.
-Me diga a verdade! – pediu o mago.
-Mas lhe disse ela. Você por acaso sente a magia?
-Mas o que...?
-Você sente?
-Logicamente!
-Eu também sinto Deus em meu coração. Através dele opero milagres. Que vocês chamam de orações.
-Mas eu não o vejo! – disse sarcasticamente Lacktum – Não vejo seus símbolos. Nem seus prodígios naturais. Como posso saber que existe.
Foi então que o padre se aproximou do mago. Então ele falou:
-Você vê a magia? Toca nela? Ou ela se parece mais com o vento que lhe cerca? Como posso saber que ela existe então?
O mago ruivo levantou em direção das próprias cobertas. Cobriu-se pronto para dormir.
-Padre ressentido. Que nervoso. Nem entendo como ele reage assim.

Todos dormiam alguns, em seus sonhos, sabiam que os ressentimentos e as duvidas surgiam em seus corações. Mas não era momento para isso. Os corações sonhavam ao invés disso. Lembravam de momentos bons e até tristes, mas todos oníricos, falsos. E mesmo nos sonhos, criavam coisas em suas mentes. Coisas belas, tristes, fortes, singelas e felizes. Mas o impossível não existia ali. Era uma palavra sem sentido.
Foi então que Lacktum despertou, olhando em direção da porta. Parecia ter ouvido uma voz na Canção dos Condenados. Uma voz conhecida. Que ele não ouvia a anos.
Ele começou a caminhar pelos corredores, sem nem notar o perigo que corria. Não avisou ninguém de seu time. Se fosse uma armadilha, ele estaria caindo direto para ela. Mas algo lhe dizia que não haveria nenhum mal naquele lugar. No salão que pertenceu a seu pai.
O lugar ainda era forrado por várias peles de ursos e outros animais caçados. Com exceção do teto, havia várias deles em todos os lados. No final do salão havia uma elevação, onde havia um trono. Todo feito de madeira nobre. Atrás dele, era possível ver uma janela circular. Passava uma pequena quantidade de neve por ela.
Lacktum olhava na direção do trono com muita saudade. Parecia até ver a forma de seu pai. Intransigente, áspero, forte e justo. Mas acima de tudo, se lembrava como ele o amava, mesmo não sendo um exemplo de pai. Ele foi seu problema e seu alivio. Seu herói e bandido. Parecia até que ele estava ali. E estava.
Sua forma espectral se formava junto com os flocos de neve que caiam da janela. Lembrava muito com sua forma em vida, mas em alguns pontos sua aparência se deformava como um borrão branco e translúcido. Parecia com um nobre cavaleiro, vestindo uma armadura pesada e colocava uma espada na cintura como um símbolo de austeridade. Toda a imagem ao redor criou um necroplasma com uma aura sobrenatural. Uma imagem majestosa, mas aterradora.
-Meu filho... Se ajoelhe. O nobre do castelo esta aqui.

Lacktum tremeu. Nunca, nesses últimos anos, se sentiu com tanto medo. Seu pai era duro e severo. A mera aparição dele – mesmo que em espírito – o deixava tão amedrontado, que fez ajoelhar pela fraqueza em suas pernas. Era como se uma mão invisível e gigante o forçasse a isso. Isso causou pavor no mago.
O mago falou para o pai com tom suplicante:
-Quer algo de mim meu pai?
O espectro olhou com ar de severidade para o rebento. Parecia nervoso mas ainda contido.
-Já nos vingou meu filho? Já nos trouxe a honra depois da morte? Diga-me.
Lacktum não conseguiu fitar mais o velho. O seu sermão ainda afetava Lacktum. Parecia que criava nele, o temor de um menino que cometeu um erro grave perante a família. Os lábios do mago inglês o traíram.
-Nã-não meu pai...
Foi nesse momento que o silêncio pairou. Mas depois de um tempo que a voz do espírito se fez ouvir como um relâmpago. Mesmo sendo transparente e translúcido, ele bateu na cadeira com força.
-Como um Van Kristen ousa não cumprir seu juramento de sangue?
-Mas como...
-Nós mortos, podemos escutar que homens pensam e falam. Os mortos sabem o que acontece na alma de seus amados. È seu dever desde que em nosso túmulo prometeu a morte de Kalic Benton.
-Então, ele é Kalic Benton? Seu assassino é ele? O mago que matou minha família inteira é Kalic Benton, que lidera o Pacto de Guerra? – Lacktum falou com um tom mais confiante.
A aparição levantou do trono, como se fosse soltar uma palavra que traria um alivio para a alma do arcano. O cavaleiro fantasmagórico andava calmamente, enquanto a neve e a luz da noite passavam pelo corpo espectral.
-Sim – falou ele sereno, mas ainda severo – Ele é nosso assassino.
-E o que quer de mim?
-Ora meu filho, o que acha?
-Quer que eu me vingue por vocês?
-Não quero só vingança. Quero que o elimine para todo sempre.
-Mas qual motivo disso? Como e qual o motivo dele queres matar vocês se vangloriar com minha dor? Não faz sentido.
-Calado!
O silêncio que surgiu depois parecia que precedia uma tempestade. O que fosse pronunciado, não seria algo bom.
-Não deve saber, mas o corpo de Sophia foi profanado.
-Minha irmã? O que houve? Onde esta seu corpo?
Foi quando o nobre espectral sacou sua espada, apontando para o mago.
-Essa será sua missão! Encontrar o corpo de sua irmã. Ela foi roubada pelo homem que estava residindo aqui. Diogo... Mas sua missão deve ser cumprida, com a finalidade de nos restituir a honra. Traga até esse castelo, com a adaga que lhe dei a cabeça de nosso assassino! Quero a cabeça de Kalic Benton II retirada com extrema crueldade!
-Sim meu pai... Eu o farei...
Falado isso, o nobre começou a sumir na luz noturna que passava pela janela. Sua forma não estava mais lá. A tempestade havia acabado lá fora. Mas não no coração do jovem Lacktum. Não. Ela ficava maior a cada momento. A vingança deveria ser concretizada. Paz aos mortos pensou o arcano.

Todos despertaram. Notaram que o mago estava com olhos vermelhos por falta de sono, ao que parecia. Halphy foi conversar com ele.
-O que houve ruivo?
-Nada – respondeu ele rapidamente.
-Como assim? Seu rosto esta...
-Nada aconteceu. Agora me deixe em paz! – falando isso, se levantou e saiu em disparada até seus pertences.
Halphy não entendeu a raiva do garoto com cabelo de fogo. Enquanto isso, Valente coçava a cabeça. Não entendia o motivo da raiva do jovem.
Alexander olhava a mesma cena no quarto, junto com Furta Trufas. O cão olhava com temor que poderia ocorrer. Sua raça, mesmo não falando era uma das mais sabia entre os caninos. Mas não era necessário muito para notar algo errado na alma do jovem Lacktum.
-Ele esta me-me-me dando medo – falou Furta Trufas tremendo.
-Não é só você, meu medroso amigo – continuou Alexander – Não é só você... O veneno nele é forte... Só gostaria de ter um emplastro para ele.

Gustavo se aproximou de Arctus. Mesmo de costas para o paladino, ele que arrumava seus pertences, falou:
-O que quer meu irmão?
-Mesmo depois de tudo que ocorreu me chama de irmão?
-Vamos ver... Você mentiu. Ou melhor, omitiu. Traiu nossa confiança. Matou um de seus entes mais queridos e nunca falou sobre isso. Seus companheiros tiveram que saber disso através de outro. Graças a isso, alguém que amava pereceu.
-Sim.
Arctus levantou com ar de sério que logo esboçou um sorriso. Gustavo ficava constrangido.
-Que sorriso é esse? – perguntou o paladino.
-Não importa o que aconteceu. Esta no passado. Somos dois amigos em uma mesma missão: reportar o que os Dragões fazem, para a Santa Sé. Nós começamos pontos antes disso e vamos terminar depois também. E meus planos precisam de você como meu protetor e irmão. Preciso de um homem forte ao meu lado, me protegendo do que vier pela frente.
-Mas eu posso ser um perigo para você! Seus planos de evoluir no clero!
-Fale baixo soltou Arctus, enquanto olhava ao redor para constatar se alguém o ouviu – Ainda bem que o seu serviço será me proteger, pois como espião você não serviria. Preciso de você ao meu lado. Quando subir, quero você ao meu lado. E saber seu segredo só nos une mais. Nós somos irmãos! E irmãos compartilham isso.
Gustavo tocou a mão de Arctus de um jeito afetuoso. Como os irmãos que eram.
-Deus esta contigo Zanien.
-Ele esta com todos nós Salles.
Foi quando Seton gritou:
-Vamos parar com essa frescura cristãos!
Os dois riram. Seton olhou para eles, que arrumavam seus pertences.
-Pelas fadas! Nós não deveríamos nos chamar de Dragões da Justiça e sim Dragões Loucos...

Eles saiam do castelo fúnebre. A ossada que enfrentaram na noite anterior, continuava lá. Mas não era isso que afetava suas mentes. Era o passado que começou a afetar algumas das mentes jovens e perigosas naquele grupo.
O paladino tinha vergonha do seu passado, mas não temia o que aconteceria. Isso graças a Arctus, que demonstrava ser mais forte do que ele, espiritualmente falando. Sua espada ficaria sempre como a defesa do sacerdote. Ele o faria sempre para proteger, assim como não conseguiu fazer com seu irmão. Jamais perderia alguém por motivo tão tolo. Mesmo que Diogo não acreditasse em suas palavras, ele provaria que estava errado. As palavras se tornavam cada vez mais fortes em sua mente. Até provar o que pensou.
O sacerdote se mostrava cada vez compenetrado em sua missão. Ele sempre viu o clero se abster dos conflitos no mundo leigo. Os camponeses eram tratados com desdém, sem o devido respeito. Arctus foi treinado por monges que acreditavam no auxilio dos mais necessitados. Mas em sua alma, crescia a idéia de que os homens não ambicionarem algo maior, o estado atual das coisas não mudaria. As crianças, os velhos e os doentes sofreriam nas mãos de nobres cruéis ou de invasores terríveis. A prova disso era aqueles nobres que deveriam servir Gustavo, que se preocupavam mais com quem herdaria o trono, do que com seu povo. O padre lutaria contra isso.
Halphy se mostrava cada vez mais certa de que Lacktum não servia como líder. Ele se mostrou, tantas vezes, como um jovem e promissor arcano, mas sua liderança não se mostrava sua maior qualidade. A torre de Azerov e os acontecimentos que se seguiram não foram o suficiente para alterar as idéias da meio elfa. Ele os liderou bravamente, mas ela também se mostrou como uma poderosa mulher no comando. Ela sabia que boa parte do grupo mostrava pouco respeito para com ela, devido ao fato de ser uma mulher. Isso ocorria especialmente no caso dos cristãos. Mas um dia, conseguiria o artefato que tanto buscava e mostraria para o ruivo quem realmente conseguiria liderar o grupo com punhos de ferro. Um dia, os Dragões da Justiça alçariam alturas colossais. Em suas mãos.
Por fim, Lacktum era um amontoado de novas e diversas emoções. Por um lado, havia as emoções que ele tinha em relação ao grupo, os Dragões. Jovens companheiros que até então, se mostravam tão inconseqüentes, mas verdadeiros. Os sentimentos deles o tocavam, alterando a ordem dos fatos tristes que afetaram a alma do arcano. Mas pelo outro lado, surgiam as memórias de alguns anos atrás, quando perdeu tudo que amava. Van Sirian, seu pai, sua mãe, sua irmã, sua noiva... Tudo em uma noite. Por conta de um demônio. Foi então que se lembrou de Delfos. Ele o encontraria, E nada poderia ser feito em relação a isso.
-O destino é um só.
Como se soltasse de um transe, Lacktum olhou para debaixo de uma árvore, onde estava o dono daquela voz.
Das sombras daquele lugar, surgia uma figura cheia de mantos brancos com aspecto arcano. Seu cabelo loiro, e todo arrepiado, mudaram um pouco, mas mostrava ainda a mesma jovialidade que tinha quando encontrou com eles na Grécia da ultima vez.
-Nico! – gritaram todos juntos.
Lacktum, Halphy e Thror, correram na direção do feiticeiro. Os outros, só olhavam com emoção para a cena, mesmo que Thror tenha tornado ela cômica esmagando a todos com aquele braço forte. Os animais olhavam para o afeto entre os quatro com um misto de felicidade e curiosidade. Logo foi explicado a eles por Arctus, que o jovem loiro foi um antigo amigo.
-O que foi? – perguntou Fiel, notando a alteração no jeito de Alexander. Os dois animais se conheciam a muito tempo e sabiam que cada um sentia quando algo os incomodava.
-Não sei... O cheiro do tal Nico... Lembra-me de um tipo de criatura... Que só senti uma vez.
Todos faziam a festa, quando Lacktum perguntou:
-Onde esta Azerov? Onde esta o velho caduco?
Mesmo com a tremenda força de Thror, Nico se desvencilhou do abraço. Todos então notaram que quando o jovem falasse, não haveria tanta felicidade. Isso era claro, pelo rosto cheio de tristeza e a cabeça baixa de Nico. Foi quando ele falou.
-Eu não sei. Ele conjurou uma magia sobre mim, que me mandou direto para as Terras Altas. Faz meses que estou aqui. Só não os encontrei antes, pois a tempestade de neve ficou cada vez pior nos últimos tempos. Só parou hoje. Através de magia cheguei aqui. Não sei mais nada sobre o mago a alguns meses. Nem ninguém que conheço da área arcana. Perdoem-me amigos.
Todos estavam tristes pela notícia. Mas Thror, logo perguntou algo que quebrou o clima triste:
-Poderia ter nos ajudado contra o enorme osso que enfrentamos.
-Ossada Thror! – corrigiu Alexander – É uma ossada!
Alguns riram, mas Nico continuou falando festivo:

-Não poderia entrar naquela cidade dos mortos. Eu estou vivo assim como vocês. Vamos meus amigos. A vida resplandece ao nosso redor e essa neve incomoda minhas pernas. A magia esta por todos os lugares por onde passamos e deixamos nossas marcas. E qual não é a maior magia da vida, senão ela própria. Por isso eu digo: a maior prova de felicidade é a vida. Vamos! Vamos embora viver!




sexta-feira, 21 de março de 2014

(Parte 19) Capítulo Quatro: Inverno novamente




Eles cruzariam as fronteiras da Inglaterra logo se não fosse o ocorrido de antes. Quando estavam caminhando, conseguiam imaginar o que deveriam fazer em relação aos atuais acontecimentos.
Sabiam que Kalic Benton estava com interesse nos itens do Desalmado e do Cavaleiro de Platina. Mas agora, descobriram que ele tinha interesse em Lacktum e Halphy. Isso foi possível imaginar, desde o confronto na torre de Azerov. O quem Mallmor falou inicialmente, era que se Halphy ou Lacktum quisessem, poderiam sair sem nenhum dano. Halphy tinha suas teorias: Kalic Benton com certeza estava envolvido com tudo de mal que ocorreu com Lacktum. Isso incluía a morte de seus entes queridos, o sumiço de Lirah – noiva de Lacktum – e a destruição de Van Sirian. Ela já desconfiava do motivo de a quererem, mas preferia não comentar com o grupo.
A neve havia cessado com a tremenda força que estava nos últimos dias. Mas era difícil atravessar as terras inglesas. Menos da metade um mês, eles atravessaram o terreno e a fronteira estava próxima. Mesmo com tantos feridos pelo caminho.
Só havia um problema. Pelo menos para Lacktum: teriam que passar por um terreno que já foi conhecido dele. Foi notado que havia muitos caminhos para cruzar aquele terreno. Mas todos estavam sendo protegidos pelo exército inimigo. E então Lacktum, Halphy e Arctus decidiram que chegariam as Terras Altas por aquela região.
Enfim, a noite caiu como um manto, enquanto a neve ainda descia como plumas. Isso criava no mago uma nostalgia sombria. Ele se lembrava de ver o corpo de seu pai, mãe e irmã. O pai que enfrentou o inimigo de máscara. A mãe e a irmã que nunca fizeram nada a ninguém. E Lugarao’Céu... só viu a casa dela ardendo em chamas.
As lembranças foram esquecidas por alguns instantes. Era possível ver uma pequena vila não muito longe e um castelo, outrora majestoso.
-Meus amigos – falou o arcano – esse é o condado de Van Sirian. Minha terra natal e meu antigo lar.

Eles passavam pela vila, que lembrava a necrópole do Oriente em que encontraram Kalidor. A diferença é que mesmo com o silêncio mórbido da vila igual ao do lugar onde deixaram Federick, os corpos não estavam em sarcófagos e catacumbas. Estavam nas casas, nas portas, na estrada e no caminho do castelo. Todos jogados ao chão, alguns pareciam se abraçar em uma comovente cena. Alguns picados por corvos, outros devorados por animais do tamanho de cães. Havia até mesmo vermes em alguns devorando carcaças humanas. Crianças, velhos e animais. Homens ou mulheres. Não houve piedade no confronto que participaram. Logicamente, se passaram alguns anos desde que o confronto aconteceu, mas suas marcas deveriam permanecer naqueles que sobreviveram ao caos daquele dia. E até onde se sabia, Lacktum era único sobrevivente de Van Sirian. Bem assim como dos nobres daquela terra.
Gustavo e Arctus rezavam a cada instante em que permaneciam ali. Lacktum ordenou que nenhum corpo fosse tocado, pois temia ataques de mortos famintos naquele local.
Agora muitos entendiam de onde surgia a petulância do mago, a arrogância e -acima de tudo – a raiva dele. Qualquer um que tivesse um episódio como esse, durante sua juventude, poderia forjar seus sentimentos com puro ódio. E era algo que Lacktum, talvez, superasse.
Mas enquanto caminhavam, indo em direção ao castelo, ouviram o grito de Fiel. Ele havia o mandando a frente para saber o lugar era seguro. Quando desceu, o clérigo perguntou:
-O que foi esse grito de alerta?
-Vi luzes no castelo. Abandonado ele não esta.
Continuaram a andar.

O portão continuava destruído, assim como o arcano se lembrava das cenas do massacre. Com certeza, as aldeias ao redor, acreditavam que o lugar era mal assombrado. E não era para menos.
Além disso, graças à neve que caia, havia enormes montes de neve. Ela cobria as construções ao redor do castelo. Outras só certas partes. Mas a entrada do castelo estava livre.
Lacktum então pediu:
-Gustavo, nos mostre se o mal aqui reside.
Quando o paladino iria pressentir se havia mal no lugar algo aconteceu.
Uma luz surgiu da entrada do castelo. Lembrava uma lanterna, mas extremamente sombria e de tom azulado. Uma fumaça com uma aura diferente, quase divina. E era possível ouvir a canção dos condenados através dela.
Das sombras surgiu uma armadura de tom ébano, que se confundia com a noite. Era uma loriga segmentada. Com a mão direita, portava uma lanterna que era fonte da iluminação sinistra e com a esquerda segurava uma espada longa. Tinha uma capa de cor negra, que era presa por um broche de rosa negra. No elmo, havia uma enorme pluma de cor sombria.
Lacktum esperava encontrar Kalic Benton, mas ao notar corretamente, um mago não portaria uma armadura. E não parecia se tratar de um revenant solitário. Um verdadeiro cavaleiro com aura sinistra.
Ele parou a uma boa distância do grupo. Colocou a lanterna presa a cintura e fixou a espada no chão, cheio de gelo. Pousou as mãos sobre o cabo da arma.
-Caro Gustavo, não vai me apresentar seus colegas? Ou pretende matar eles também? – disse o homem de armadura.
Foi quando o paladino, mesmo sentindo muito frio, começou a suar frio. Aquela voz o atormentava no passado, com raiva, mas autoridade também. Uma voz que se aproximava do tom paterno. Alguém sumiu da vida do paladino, até agora.
-Diogo! – gritou um Gustavo completamente desnorteado, com o corpo tremendo.
-Quem é esse homem? – perguntou Halphy.
Foi quando o estranho de elmo falou:
-Eu me apresentarei. Meu nome é Diogo Fernandez, antigo mestre do estilo do Lobo Sacro. Atual mestre da Rosa das Trevas. Antigo servo de Kanglor, pois hoje sirvo a Hel. Mestre de nobres e príncipes. Meus últimos pupilos se chamavam Federick, Gustavo e Joseph. Três príncipes de terras distantes. E houve a morte de um deles pelas mãos dos outros. Minto por acaso Gustavo?
Todos olharam para o paladino com espanto. E este abaixou a cabeça. Seu silêncio mostrava que era verdade.

-Ora Gustavo, diga que é mentira! Que isso nunca aconteceu! Esse homem não fala a verdade! Não é?
Ele continuou com a cabeça baixa e olhos cerrados. Não queria admitir que um passado negro condenasse os irmãos Salles. O que faria? De repente Lacktum soltou sua língua ferina contra o homem de armadura negra.
-Eu não quero saber sobre isso. Temos um inimigo que possui uma réplica da Lanterna dos Condenados. Ou pensa que o fato de ter falado sobre isso, nubla a certeza de possuir esse item. E até onde sei, Gustavo demonstra mais honra que você. Um homem que muda de estilo de combate e deu? Há! Faça o favor de não insultar a minha mente. Quer saber alguém que não merece confiança aqui, esse alguém é você!
A armadura negra não se mexia. Mas dela surgiu mais uma vez a voz de Diogo.
-Muiti bem... Lacktum, eu suponho? Kalic Benton me falou muito sobre você. O que disse até agora faz jus ao seu intelecto.
-Muitas coisas ruins eu suponho – falou o arcano.
-Tem coisas boas? – cutucou a meio elfa
Foi quando Gustavo soltou um rompante de fúria contra o antigo mestre. Ele se lembrou dos ensinamentos de Diogo. Coisas que vinham do tempo que James Gawain criou o estilo do Lobo Sacro: um inimigo declarado é um inimigo; uma espada desembainhada tem como repouso ou a bainha de seu dono, ou o peito de seu inimigo; e se a espada não serve para matar, ela deve proteger aqueles que amam.
-Minha lâmina! Seu pescoço! – gritou exaltado o paladino.
-Muito bem meu pupilo – disse Diogo, sorrindo – Mostre as garras. Mas tenho que partir para tratar assuntos mais importantes...
De repente, Gustavo sacou a espada que portava. Ele correu com ela, curvando bastante seu corpo, com o escudo na frente. A espada, que estava toda voltada com a ponta para trás, seria um golpe circular certeiro. Seria certeiro, se tivesse acertado a espada.
Antes que chegasse a tocar o antigo mestre puxou a lanterna e proferiu:
-Que os espíritos surgidos no mal, me obedeçam prontamente. Aqueles que não enxergaram a luz me obedeçam imediatamente.
Foi quando Gustavo interrompeu a trajetória, devido a um tremor no lugar. Quando notaram, achavam que era um terremoto, mas não era forte o bastante. Então, foi que Lacktum conseguiu notar algo tão tolo que passou pela sua mente tão rápido. Uma das casas cobertas de neve não era uma casa.
-Mas o que?... – soltou Gustavo.
-Gustavo! Volta – gritou Lacktum.
Nesse instante, o paladino saltou para trás, com o intento de não ser esmagado pela neve.
A neve caia, enquanto o ser se erguia debaixo dela. Parecia que a criatura surgia de algum pesadelo. Era gigante. Do tamanho de uma torre.
-Um gigante? – perguntou Arctus aflit.
-Não existem gigantes na Inglaterra! Pelo menos a alguns século! – falou Lacktum, respondendo rapidamente.
-Então o que é aquilo? Um cachorro grande? – falou Thror.
-Talvez um revenant? – gritou Seton.
-Não! – falou Halphy irritada e puxando alguns dos membros do grupo para trás de uma construção – existem muitos revenants, mas nenhuma armadura cobriria um ser tão grande por completo! Essas coisas precisam ser cobertas por inteiro para se locomover, pelo que entendo.
-Maldição! – soltou Rufgar nervoso.
-Praga! – disse Alexander.
- O que foi? – disse Valente, prestes a partir para cima do inimigo, se não fosse Lacktum o segurar. Todos estavam atrás da construção agora.
-Esse cheiro que estou sentindo e pelas palavras daquele homem... Acho que se trata de um morto faminto!
-Praga – disse Thror.
-Praga nada! Arctus pode o expulsar! – falou aliviado Lacktum.
-Por isso! – respondeu tristonho o grego.
-Mor-mor-morto faminto? Ai... – Furta-Trufas caiu depois de falar isso. Halphy o pegou em seus braços.
A criatura parecia combinar um enorme tamanho com uma força descomunal, mas não era só isso que ele trazia de assustador. Era uma criatura como uma ossada com vida. Enormes pontos de luz avermelhada cintilavam em suas orbitas vazias. Um enorme esqueleto, que obedece a seu mestre maligno, como um boneco nas mãos de seu dono. Esses seres atacam até serem completamente destruídos ou eliminarem seus alvos. A monstruosidade era o esqueleto de um gigante, que saia da neve.

-Com certeza animaram o corpo de um gigante e o trouxeram até aqui – falou o arcano.
Estavam todos escondidos, com medo do ataque do monstro. Só que Halphy constatou:
-Eu acho que se trata de uma criatura grande demais para nos esconde dela.
-Acha mesmo? – perguntou temoroso Seton.
Foi quando sua mão, em forma de garra esquelética, despedaçou o telhado da construção. Alguns pedaços voaram na direção dos Dragões, mas nada que os ferisse. Furta Trufas, que parecia acordar, desfaleceu novamente.
-Deixem comigo! – falando isso, Gustavo se levantou com rapidez em direção ao monstro. Seu olho parecia cheio de raiva, O pior é que Diogo não estava mais ali. Ou seja, o alvo de sua fúria sumiu. Mas o mal permaneceu.
-Que a lâmina de Deus venha até mim. Pelo nome de Mikael, príncipe dos arcanjos, que o mal pereça na minha lâmina.
Nesse momento, a lâmina de Gustavo se encheu de uma aura brilhante e cintilante. Com o valor de seu coração, a arma percorreu o ar até acertar a perna do esqueleto. Aparentemente, afetou demais o oponente sinistro. Isso era claro, pelo grito sinistro que o esqueleto. Lembrava o uivo de um lobo, com extrema tristeza.
Com isso, Arctus pegou seu crucifixo e a levantou contra o ser das trevas. E como um poderoso homem, exclamou:
-By the name of God and Metatron, the prince of the seraphim. Through this names that bring truth, release this site from all evil. Amen
Uma aura de grande bondade e poder surgiu ao redor de Arctus. A paz que irradiava, criava uma redoma de força que se dispersou e deveria destruir o monstro, mas não o fez.
Os poderes de alguns sacerdotes com fé verdadeira conseguiam operar milagres. Entre um desses um desses milagres, estava algo chamado exorcismo. O dom de afetar entidades malignas como gênios, demônios ou até mesmo anjos das trevas. Mas algumas vezes, esse dom é usado para manter espíritos que não alcançaram a luz até o Além[1]. Normalmente, quando isso ocorre, os espíritos inquietos se enfurecem. E a enorme ossada não era exceção.
Ela se debatia como se estivesse em pura fúria. O crânio girava muito rapidamente como um mangual pesado erguido em combate. E o monstro já tinha decidido quem destruir.
Foi quando Gustavo pulou na frente do golpe que seria feito contra Arctus. O pobre paladino bateu contra uma parede. No mesmo momento desmaiou.
-Gustavo! – gritou em desespero Thror.
O céu anunciava uma tempestade. Mas a verdadeira destruição ocorria no chão. Pequenas construções que restavam, eram demolidas pelo simples encostar do monstro na madeira. Aquilo fazia Lacktum temer. De repente se lembrou de dois anos atrás. Não sabia o motivo, mas algo naquilo tudo fez lembrar-se do massacre de tudo que amava. Ele ficou estático de medo. Não conseguiu enfrentar os próprios temores. E a meio elfa notou isso.
-Lacktum! – batia e falava a ladina feiticeira – Nós precisamos de você aqui.
Será que tudo iria acontecer novamente? As únicas pessoas importantes de sua vida sumiram naquele lugar. Ele se sentia medo, pois novamente era inverno.
-Maldições de Odin! – disse o transtornado arcano – Esse lugar é uma maldição de algum gigante ou força das trevas! Só isso explicaria tantos problemas! Por Asgard!
-Estou achando que ele esta dominado pela lua – disse em tom baixo o druida.
-Quieto Seton! – pediu Halphy.
Arctus levantou o companheiro caído. O golpe foi terrível, mas não havia tempo para aplacar a dor. Quando notou, estava atrás de uma construção. Mesmo não estando vivo, a ossada gigante parecia soltar um hálito congelante. Isso cobria todo o local ao redor dos dois, deixando o clérigo com mais medo do que frio.
-Arctus! – gritou a ladina, antes de tentar voltar a tirar o mago daquele estado – Vamos Lacktum, se continuar assim, Arctus e Gustavo vão perecer diante de morto faminto!
-Esse lugar é amaldiçoado. Só existe essa explicação! – Lacktum enlouquecia cada vez mais.
Halphy tinha que fazer algo em relação ao arcano. Então, se lembrou do nome de alguém que poderia o retirar daquele estado.
-Pense em Lirah! O que acha que ela pensaria disso? De sua atitude agora?
Isso deveria fazer o ruivo reagir, mas nem isso foi suficiente. Foi quando uma idéia passou pela mente da ladina. Se ele não foi comovido pelo nome da mulher amada, talvez se revoltasse com a memória do inimigo.
-Olhe aqui, seu mago egocêntrico e manhoso – disse ela com ares de razão – se não em ajudar Kalic Benton irá vencer! Eu não sei o motivo de me querer viva, mas eu sei o querer você: ele quer te atormentar! Quer acabar com cada fração de razão que você tem! Quer deixar que ele vença? – falava isso enquanto puxava, com força, a camisa do mago – Que perder tudo? E quando digo tudo, falo dos Dragões da Justiça! Nós estamos juntos desde Starten! Se não somo companheiros somos o que?
Lacktum levantou seus olhos. Eles continham a raiva de antes, o mesmo fogo de ódio. Halphy soube atiçar o jovem mago.
Ele então levantou com certeza de que só um Van Kristen teria.
-Após o inverno, vem a bonança! Thror se prepare para a luta! Tenho um plano.
-Certo! – respondeu o grego.

-Halphy! Você, Alexander e Fiel, chamem a atenção daquela coisa!
-Ah que maravilha! – disse a ladina com tom de reprovação – Nós somos a isca!
Nesse instante, Halphy e os dois animais, correram em direção ao monstro. A criatura parou seus ataques ao sacerdote para matar seus novos alvos.
-Thror se prepare para magia – falou Lacktum para o grego.
-Como? – se espantou Thror.
-Arctus! Venha aqui! Seton você também. Se aproxime.
O padre ouviu o grito da direção dos colegas, deixando Gustavo em segurança antes. Colocou o paladino próximo de um estábulo. Em seguida foi até os companheiros. Lacktum, quando notou todos ao seu redor, falou seu plano.
-Vamos preencher Thror com poder suficiente para destruir este ser – falou ele com certeza do que falava – Acho que Gustavo já o feriu bastante, mas acredito que minha magia não vai afetar o monstro. Nem a de ninguém.
-Mas por qual motivo não preenche a mim, então? – reclamou o druida.
-Você é guerreiro?
-Não.
-Ai esta sua explicação.
-Praga!
-Mesmo que fosse notou o que tem na ponta da corda que segura?
Ele olhou para a corda e notou o que havia na outra ponta: o desarmado Rufgar.  Novamente, Seton se decepcionou.
-Praga novamente!
-Preparem as magias – disse o padre Arctus.
-That rage ignite both this warrior, that his rage fill his blade against the enemy.             
Agora é sua vez druida
-Eich arf bydd un diwrnod yn dod mor beryglus â'r hud sy'n treiddio y byd hwn.
É com você Arctus
-Dio guidare la vostra lama. Essere letale come la spada di Gabriel.
Agora vá Thror. Vá e faça o melhor que puder!
-Podem deixar comigo! – disse o grego em resposta.
Os músculos de Thror aumentaram de modo particularmente rápido. Literalmente, pura mágica. Sua espada possuía também duas auras: uma que irradiava energia cintilante e dourada, já a outra, possuía cor branca. Era como se Thror tivesse crescido tanto em alma como em corpo. O grego mostrou que a magia o permeava.
Ele correu na direção da torre. Arctus e Seton estranharam a ação, mas Lacktum os acalmou. Já imaginava o que Thror faria.
O grego subiu a escadaria. Em ritmo frenético passou, sem ver um quarto sequer, por toda a extensão da torre. Chegando lá, viu a janela, e então soltou dela.
Enquanto o monstro terrível atacava a jovem Halphy e os animais, muitos notaram o salto louco que Thror fez como um demônio saído do Inferno. Suas pernas procuravam um lugar seguro, enquanto o corpo percorria o ar. Então, a corrida aérea teve fim.
A lâmina cheia de mana despedaçou parte da mandíbula da enorme cria da necromância. Ela quebrou como se fosse feito de material muito pobre. Mas todos sabiam que isso se devia a magia.
Novamente, a criatura expeliu um grito. Parecia mais um rugido de uma fera ferida, agora. Com o golpe caiu, quase esmagando alguns dos membros dos Dragões da Justiça. Um pedaço de madeira acertou Arctus, quando o monstro caiu sobre ela, atingindo o padre na cabeça.
-Arctus! – gritou o druida.
-Concentre-se! The sound travels through the air and becomes a weapon. This all with the slightest movement of my hands.
Nesse instante, das mãos de Lacktum que se bateram, surgia um vórtice sonoro que incomodava todos. Não afetou de vez a ossada, mas foi o suficiente para o druida usar uma magia.
Ele tocou o gelo, enquanto recitava:
-Mae'r rhew o'n cwmpas yn dod yn y carchar!
Foi quando a neve de baixo da ossada começou a cristalizar. Ela ficava ao redor da perna do esqueleto, o impedindo de andar. O rugido que ele soltava ficava cada vez maior. Parecia um enorme leão com a bata ferida por um caçador.
Enquanto isso, Thror ficava no chão, caído como um morto. Mas só estava cansado.
-Levanta careca! – gritou Halphy desesperada.
-Esta bem – soltou Thror inconformado – Mas eu quero descansar!
Thror levantou com o escudo acima da cabeça e abaixou a espada. A ponta da arma ficava na direção do chão. Flexionou o joelho, de modo que o bote fosse perfeito. Naquele momento, como poucas vezes acontecia, seu ar caricato sumia. Com a batalha, Thror parecia ser outra pessoa, possuído por um espírito bélico. E então, em disparada feito um relâmpago, a espada curta fez um novo golpe na perna do monstro.
A pena já havia sido congelada o que facilitava mais o golpe. A enorme criatura caia depois do corte perfeito de Thror.
Mas antes que tombasse por completo, o grego acertou o que seria perto dela em um grande ato de força.
-Γιατί Άρης!
No fim, o morto faminto de ossos se espatifou, trazendo silêncio repentino. A aura de morte parecia permear todo o lugar mesmo com a ossada em pedaços na frente deles. Na verdade, isso criou um clima mais sinistro ainda, ao lugar.

Quando tudo acabou, Lacktum notou uma luz bem ao longe, na direção das fronteiras.
Ele então pegou algumas tiras de couro e dois objetos sólidos e transparentes. Colocou junto das tiras os objetos de modo que o maior ficava na frente do menor.
-O que é isso? – perguntou Arctus, enquanto subia no estábulo junto com o mago.
- Uma luneta – respondeu – Eu comprei de um oriental de uma de nossas aventuras. Conseguimos ver ao longe com ela.
-É bruxaria?
Lacktum tirou a visão do item e olhou com raiva para o padre.
-Você anda com uma maga, uma meio elfa, um druida e ainda fala sobre bruxaria? O nosso problema mesmo é o que estou vendo. Pegue isso olhe.
Arctus, desconfiado e desajeitado, olhou através do item.
Ele viu Diogo em cima de um cavalo marrom, com pelagem bem cuidada. Havia tirado o elmo negro e mostrava sua face. Estava em carne viva, como um cadáver que morre esfolado. Seus dentes a mostra, pareciam presas e seus cabelos mal concediam uma aparência humana a ele. O que era mais claro mesmo era o brilho da Lanterna dos Condenados falsa que portava consigo.
Quando o padre terminou de ver a cena, o cavaleiro entrou na floresta.
Lacktum então falou:
-Vamos. Temos que cuidar dos feridos.




[1] Além, nesse caso, quer disser o mundo pós-vida, após a vida terrena.

sábado, 15 de março de 2014

O que é? Doppelganger


Doppelgänger, segundo as lendas germânicas de onde provém, é um monstro ou ser fantástico que tem o dom de representar uma cópia idêntica de uma pessoa que ele escolhe ou que passa a acompanhar (como dando uma ideia de que cada pessoa tem o seu próprio). Ele imita em tudo a pessoa copiada, até mesmo as suas características internas mais profundas. O nome Doppelgänger se originou da fusão das palavras alemãs doppel (significa duplo, réplica ou duplicata) e gänger (andante, ambulante ou aquele que vaga).